Metodologia de Pesquisa em Cien - Raul Sidnei Wazlawick

Metodologia de Pesquisa em Cien - Raul Sidnei Wazlawick

(Parte 1 de 7)

Sobre a obra:

A presente obra é disponibilizada pela equipe Le Livros e seus diversos parceiros, com o objetivo de oferecer conteúdo para uso parcial em pesquisas e estudos acadêmicos, bem como o simples teste da qualidade da obra, com o fim exclusivo de compra futura.

É expressamente proibida e totalmente repudiável a venda, aluguel, ou quaisquer uso comercial do presente conteúdo

Sobre nós:

O Le Livros e seus parceiros disponibilizam conteúdo de dominio publico e propriedade intelectual de forma totalmente gratuita, por acreditar que o conhecimento e a educação devem ser acessíveis e livres a toda e qualquer pessoa. Você pode encontrar mais obras em nosso site: LeLivros.link ou em qualquer um dos sites parceiros apresentados neste link.

"Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo nível."

Metodologia de Pesquisa para Ciência da Computação

Raul Sidnei Wazlawick 6ª TIRAGEM

Sumário

Capa

Folha de rosto

Cadastro

Copyright

Dedicatória

Agradecimentos

Biografia do Autor

Prefácio do Autor

Capítulo 1. Introdução

Capítulo 2. Estilos de Pesquisa Correntes em Computação

2.1. Estilo “Apresentação De Um Produto” 2.2. Estilo “Apresentação De Algo Diferente” 2.3. Estilo “Apresentação De Algo Presumivelmente Melhor” 2.4. Estilo “Apresentação De Algo Reconhecidamente Melhor” 2.5. Estilo: “Apresentação De Uma Prova” 2.6. Discussão

Capítulo 3. Preparação de um Trabalho de Pesquisa

3.1 Escolhendo O Objetivo De Pesquisa 3.2 A Revisão Bibliográfica 3.3 O Objetivo 3.4 O Método De Pesquisa 3.5 Justificativa 3.6 Resultados Esperados 3.7 Limitações Do Trabalho 3.8 Discussão

Capítulo 4. Análise Crítica de Propostas de Monografia

4.1. Análise Da Contextualização E Colocação Do Problema 4.2. Análise De Objetivo Geral 4.3. Análise De Objetivos Específicos 4.4. Análise De Justificativa 4.5. Análise De Método De Pesquisa

Capítulo 5. Escrita da Monografia

5.1 Como Os Capítulos De Uma Monografia São Ordenados 5.2 Como Uma Monografia Poderá Ser Lida Pela Banca Examinadora 5.3 Como Uma Monografia Poderia Ser Escrita 5.4 O Título 5.5 O Resumo 5.6 A Introdução 5.7 O Capítulo De Revisão Bibliográfica 5.8 O Capítulo De Desenvolvimento 5.9 O Capítulo De Conclusões 5.10 Seção De Bibliografia Ou Referências Bibliográficas 5.1 A Forma Do Texto Científico

Capítulo 6. Escrita de Artigo Científico

6.1 Autores 6.2 Motivação Para Escrever 6.3 Trabalhos Correlacionados 6.4 A Contribuição Do Artigo 6.5 Tipos De Artigos 6.6 Veículos De Publicação 6.7 Ética No Envio De Artigos 6.8 Qualis

Capítulo 7. Plágio

7.1 Antecedentes 7.2 Proteção Aos Direitos Autorais 7.3 A Lei Brasileira

Capítulo 8. Níveis de Exigência do Trabalho de Conclusão

8.1 Graduação 8.2 Especialização 8.3 Mestrado E Doutorado

Referências

Cadastro

Preencha a ficha de cadastro no final deste livro e receba gratuitamente informações sobre os lançamentos e as promoções da Elsevier.

Consulte também nosso catálogo completo, últimos lançamentos e serviços exclusivos no site w.elsevier.com.br

Copyright

© 2009, Elsevier Editora Ltda.

Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei no 9.610, de 19/02/1998.

Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderá ser reproduzida ou transmitida, sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros.

Copidesque: Adriana Araújo Kramer Revisão: Marco Antônio Corrêa Editoração Eletrônica: SBNigri Artes e Textos Ltda.

Elsevier Editora Ltda. Conhecimento sem Fronteiras

Rua Sete de Setembro, 1 – 16o andar

20050-006 – Centro – Rio de Janeiro – RJ – Brasil

Rua Quintana, 753 – 8o andar

04569-011 – Brooklin – São Paulo – SP – Brasil

Serviço de Atendimento ao Cliente 0800-0265340 sac@elsevier.com.br

Nota: Muito zelo e técnica foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação, impressão ou dúvida conceitual. Em qualquer das hipóteses, solicitamos a comunicação ao nosso Serviço de Atendimento ao Cliente, para que possamos esclarecer ou encaminhar a questão. Nem a editora nem o autor assumem qualquer responsabilidade por eventuais danos ou perdas a pessoas ou bens, originados do uso desta publicação.

CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte. Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ

W372m Wazlawick, Raul Sidnei, 1967 Metodologia de pesquisa para ciência da computação/Raul Sidnei Wazlawick. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. 6ª reimpressão

1. Computação – Pesquisa – Metodologia. 2. Pesquisa – Metodologia. 3. Redação técnica. I. Título.

Dedicatória

Este livro é dedicado aos meus anjinhos: Júlia, Amanda, Alice E Carlinha.

Agradecimentos

Agradeço a este livro pela compreensão por tantas horas em que não o escrevi porque estava dedicado à minha família.

Biografia do Autor

Raul Sidnei Wazlawick é professor associado I da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), lotado no Departamento de Informática e Estatística. Graduado em Ciência da Computação, UFSC, 1988. Mestre em Ciência da Computação, UFRGS, 1991. Doutor em Engenharia de Produção, UFSC, 1993. Pós-doutorado pela Universidade Nova de Lisboa (UNL), 1998.

Conselheiro da Sociedade Brasileira de Computação (SBC). Exmembro da

Comissão de Especialistas de Ensino de Computação e Informática do Ministério da Educação (MEC). Ex-representante do Brasil na International Federation for Information Processing (IFIP). Ex-coordenador do IFIP Working Group on Higher Education (WG 3.2). Ex-coordenador do Curso de Bacharelado em Ciência da Computação, UFSC. Ex-coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação, UFSC. Ex-coordenador de vários cursos de pós-graduação lato sensu da UFSC. Ex-membro da Câmara de Pesquisa da UFSC. Criador e ex-editor da Revista Brasileira de Informática na Educação da SBC.

Coordenou vários eventos científicos no Brasil e no exterior, incluindo o

Congresso da SBC (2002). Foi presidente de comitês de programa de eventos científicos no Brasil e exterior. Membro de comitê de programa de dezenas de eventos científicos. Membro de comitê de revisores de periódicos científicos. Orientador de dezenas de dissertações de mestrado, teses de doutorado, monografias de especialização e trabalhos de conclusão de cursos de graduação. Membro de mais de uma centena de bancas de mestrado, doutorado, especialização e graduação em várias universidades brasileiras. Conta com quase uma centena de publicações em periódicos e eventos científicos e é autor do livro Análise e Projeto de Sistemas de Informação Orientados a Objetos, de 2004, pertencente à série didática Campus/SBC. Coordenador de vários projetos de pesquisa na UFSC e interinstitucionais, com intensa atividade de consultoria em Engenharia de Software. Não é pesquisador do CNPq.

Entre outras disciplinas, leciona Metodologia da Pesquisa em Ciência da

Computação, no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação, trimestralmente, desde 2003, de onde partiu a inspiração para escrever este livro.

Prefácio do Autor

Este livro se destina principalmente aos alunos de cursos de ciência da computação, seja na graduação, especialização, mestrado ou doutorado, que vão realizar um trabalho científico escrito na forma de uma monografia, dissertação ou tese.

Aqueles que, como eu, se sentiram perdidos durante seu curso em relação ao que é o trabalho de pesquisa em ciência da computação poderão encontrar algumas informações valiosas neste livro e, portanto, diminuir um pouco a tensão da tese, ou seja, a sensação de angústia que quase invariavelmente atinge os alunos que precisam escrever um trabalho científico.

O aluno de computação que tenha lido livros de metodologia científica de outras áreas já deve ter percebido que nem sempre os autores falam a linguagem que nós entendemos. Nem sempre os métodos de pesquisa de outras áreas se aplicam à computação, devido às características especiais dessa ciência, que permeia praticamente todas as outras atividades humanas.

Este livro, então, procura apresentar conceitos de ciência que sejam compreensíveis ao aluno de computação. Em especial são apresentadas histórias informativas e dicas baseadas na experiência do autor em cerca de 20 anos de orientação e elaboração de trabalhos científicos.

Fica ainda um agradecimento especial ao meu colega Pedro Alberto Barbetta pelas sugestões dadas à Seção 3.4.

Praia dos Ingleses, Florianópolis, 6 de fevereiro de 2009 (um belo dia de sol).

CAPÍTULO 1

Introdução

Era uma vez um aluno de mestrado que queria fazer uma monografia.1 Ele pensou um pouco sobre o assunto, olhou ao redor e resolveu que havia um problema relevante em sua cidade que ele poderia resolver durante seu mestrado.

O problema era o seguinte: havia um rio cortando a cidade ao meio e não havia forma segura de atravessá-lo.

Disposto a resolver o problema, o aluno conseguiu convencer seu orientador de que teriam material para uma monografia, e começou a trabalhar. Primeiramente, estudou tudo o que podia sobre rios. À medida que estudava, foi escrevendo um capítulo de revisão bibliográfica. Escreveu sobre água, citou a criação dos oceanos de acordo com o Gênesis, escreveu sobre a molécula de água e seus componentes, o hidrogênio e o oxigênio, sobre as diferentes maneiras como os rios desembocam no oceano (incluindo um estudo detalhado sobre os mais importantes deltas do mundo e sua história) e finalmente concluiu com um pequeno tratado sobre a maneira como a gravidade atrai as moléculas de água para o centro da terra, produzindo assim a correnteza dos rios.

Encerrada essa parte da pesquisa, o aluno deparou-se com o problema em si, que era a inexistência de um meio para cruzar o rio. Pensando um pouco sobre o assunto, ele se lembrou de um instrumento sobre o qual já tinha ouvido falar e que servia para levar objetos de um ponto A para um ponto B.

Esse instrumento era a catapulta. Escolhida a ferramenta de trabalho, o aluno passou a planejar os experimentos.

Inicialmente transportou 100 indivíduos de um lado ao outro do rio usando a catapulta. Desses indivíduos, 95 não sobreviveram ao experimento. O aluno concluiu que a eficácia do instrumento era, portanto, de apenas 5%, e que haveria grandes possibilidades de melhoria. Portanto, o tema era promissor.

Como segundo experimento, o aluno entregou um paraquedas a cada uma de suas cobaias, e fez o teste com mais 100 indivíduos. Observou então o seguinte: cerca de 20% dos indivíduos se assustavam durante a travessia e abriam o paraquedas antes da hora, caindo dentro do rio e sendo arrastados pela correnteza; cerca de 30% dos indivíduos se assustavam durante a travessia e esqueciam-se de abrir o paraquedas, sofrendo as consequências da queda na outra margem. Habilmente, o aluno concluiu que houve uma melhora no experimento, pois o índice de sucesso passou de 5% para aproximadamente 50%, o que é uma melhora substancial. Não satisfeito, o aluno resolveu testar outra abordagem para melhorar o sistema.

Eliminou o uso do paraquedas, que causava pelo menos 20% de perda sobre o rio, e instalou um colchão de ar na margem oposta. Realizou um novo teste com mais indivíduos e verificou que 95% das vezes os indivíduos sobreviviam à travessia, sendo que apenas 5% dos casos aterrissaram fora do colchão de ar.

Nesse momento, já satisfeito com os resultados, o aluno encerrou os experimentos (até porque estava ficando difícil encontrar voluntários). Como trabalho futuro ele já havia pensado em propor um algoritmo de cálculo da velocidade da catapulta baseado no peso do passageiro e no seu índice de pânico, com vistas a diminuir ainda mais a taxa de erro observada. Ele não ia programar esse algoritmo porque não teria tempo. Então, deixou isso como trabalho futuro para outro fazer. Escreveu, portanto, o capítulo do desenvolvimento e entregou o texto para o orientador, sendo que só faltava escrever as conclusões e o resumo.

O aluno foi reprovado. Por incrível que pareça, exageros à parte, a história contada corresponde à história de muitas dissertações de mestrado em Ciência da Computação.

Ao longo deste livro se tentará mostrar por que o aluno foi reprovado. Apesar de seu trabalho ter ares de ciência, ele pecou em vários aspectos no que concerne ao seu comportamento e à metodologia científica. Apenas para citar alguns: a) Desde o momento da definição do tema até a conclusão dos experimentos, ele não voltou a entrar em contato com seu orientador, que poderia tê-lo redirecionado. b) Não realizou uma revisão bibliográfica adequada, pois estudou muita coisa sobre rios, mas não sobre as formas que já existiam para cruzá-los, como, por exemplo, pontes, barcos, teleféricos etc. Por ter feito uma revisão bibliográfica inadequada, ele concluiu, erroneamente, que era a primeira pessoa no mundo a tentar resolver esse tipo de problema. c) Ele escolheu uma ferramenta a priori e começou a trabalhar com ela sem uma justificativa adequada para ter eliminado outras ferramentas candidatas. d) Seus resultados consistem na comparação do seu trabalho com o seu próprio trabalho, ou seja, não há comparação com trabalhos correlatos de outros autores. e) O aluno escolheu como problema-alvo algo que ele observou apenas na sua cidade. Problemas locais nem sempre são problemas para todo mundo. Soluções locais nem sempre podem ser generalizadas.

Este livro tem como objetivo apresentar aos estudantes de Ciência da

Computação e áreas correlatas teoria e técnicas para a execução de bons trabalhos científicos, no nível de exigência adequado aos cursos de graduação, especialização, mestrado e doutorado. Casos semelhantes ao citado já aconteceram muitas vezes, mas podem ser evitados com alguma orientação.

A propósito, nenhuma pessoa ou animal foram feridos pelo autor deste livro enquanto ele escrevia a história da catapulta. Pelo menos não que ele tivesse conhecimento, já que a ciência o leva a não crer em verdades absolutas (ele poderia ter pisado em uma formiga sob a mesa sem perceber).

1 Usualmente no Brasil diz-se “dissertação” de mestrado e “tese” de doutorado. Em outros países usam-se os termos indistintamente ou até com significados diferentes. Neste livro o trabalho individual para obtenção de um grau, seja graduação, especialização, mestrado ou doutorado, será denominado “monografia”, para simplificar o texto.

CAPÍTULO 2

Estilos de Pesquisa Correntes em Computação

Com alguma frequência se ouve dizer que a Computação ou Informática é uma área nova no campo das ciências, e que está em franco desenvolvimento. Mas isso não justifica que o método científico específico da área de Computação tenha de ser vago e que tantas monografias sejam escritas sem um embasamento metodológico adequado.

Essa discrepância de estilos de pesquisa e baixa conformação à metodologia científica acontecem não só pelo fato de a área ser nova, mas também pelo fato de que a Computação permeia praticamente todas as atividades humanas, e, portanto, se inter-relaciona com muitas outras disciplinas.

A própria observação do surgimento dos primeiros cursos de Ciência da

(Parte 1 de 7)

Comentários