Avaliação da Aptidão Agrícola do PA Assurini em Altamira-Pará utlizando técnicas de Geprocessamento e Análise Multicritério

Avaliação da Aptidão Agrícola do PA Assurini em Altamira-Pará utlizando técnicas de...

(Parte 3 de 5)

ligeiro (L) – terras com boa reserva de nutrientes para as plantas, sem a presença de toxidez por excesso de sais solúveis de sódio trocável, devendo apresentar saturação de bases (V%) maior que 50%, saturação de alumínio menor que 30% e soma de bases trocáveis (S) sempre acima de 3 meq por 100 g de T.F.S.A (Terra Fina Seca ao Ar). A condutividade elétrica do extrato de saturação deve ser menor que 4 mmhos/cm a 25°C, e a saturação com sódio inferior a 6%. As terras com essas características têm capacidade de manter boas colheitas durante vários anos (supostamente mais de 10 anos), com pequena exigência de fertilizantes para manter o seu estado nutricional.

moderado (M) – terras com limitada reserva de nutrientes para as plantas, referente a um ou mais elementos, podendo conter sais tóxicos capazes de afetar certas culturas. A condutividade elétrica no solo pode situar-se entre 4 e 8 mmhos/cm a 25°C, e a saturação com sódio entre 8 a 20%. Durante os primeiros anos utilização agrícola, essas terras permitem bons rendimentos, verificando-se posteriormente (supostamente depois de 5 anos) um rápido declínio na produtividade. Torna-se necessária a aplicação de fertilizantes e corretivos após as primeiras safras.

forte (F) – terras com reservas muito limitadas de um ou mais elementos nutrientes, ou contendo sais tóxicos em quantidade tais que permitem apenas o desenvolvimento de plantas com tolerância. Normalmente, caracterizam-se pela baixa soma de bases trocáveis (S), podendo estar a condutividade elétrica quase sempre entre 8 e 15 mmhos/cm a 25°C e a saturação com sódio acima de 15%. Essas características refletem-se nos baixos rendimentos da maioria das culturas e pastagens desde o início da exploração agrícola, devendo essas deficiência ser corrigida na fase inicial de sua utilização.

muito forte (MF) – terras mal providas de nutrientes, com remotas possibilidades de serem exploradas com quaisquer tipos de utilização agrícola. Podem ocorrer, nessas terras, grandes quantidades de sais solúveis, chegando até a formar desertos salinos. Apenas plantas com muita tolerância conseguem adaptar-se e essa áreas. Podem incluir terras em que a condutividade elétrica é maior que 15 mmhos/cm a 25°C, compreendendo solos salinos, sódicos e tiomórficos.

b) Deficiência de água

É definida pela quantidade de água armazenada no solo, possível de ser aproveitada pelas plantas, a qual está na dependência de condições climáticas (especialmente precipitação e evapotranspiração) e condições edáficas (capacidade de retenção de água). A capacidade de armazenamento de água disponível, por sua vez, é decorrente de características inerentes ao solo, como textura, tipo de argila, teor de matéria orgânica, quantidade de sais e profundidade efetiva.

Além dos fatores mencionados, a duração do período de estiagem, distribuição anual da precipitação, características da vegetação natural e comportamento das culturas são também utilizados para determinar os graus de limitação por deficiência de água. Observações do comportamento das culturas existentes na área e informações de técnicos e agricultores também constituem elementos valiosos na atribuição de graus de limitação por deficiência hídrica das terras.

24 Na avaliação deste fator, são admitidos os seguintes graus de limitação:

nulo (N) – terras em que não há falta de água para o desenvolvimento das culturas, em nenhuma época do ano. Terras com boa drenagem interna ou livres de estação seca, bem como aquelas com lençol freático elevado, típicas de várzeas, devem estar incluídas neste grau de limitação.

nulo/ligeiro (N/L) – terras ainda não sujeitas à deficiência de água durante período de 1 a 2 meses, limitando o desenvolvimento de culturas mais sensíveis, principalmente as de ciclo vegetativo longo.

ligeiro (L) – terras em que ocorre uma deficiência de água pouco acentuada, durante um período de 3 a 5 meses por ano, o que eliminará as possibilidades de grande parte das culturas de ciclo longo, e reduzirá significativamente as possibilidades de dois cultivos de ciclo curto, anualmente. Não está prevista, em áreas com este grau de limitação, irregularidades durante o período de chuvas.

moderado (M) – terras nas quais ocorre uma acentuada deficiência de água, durante período, normalmente de 4 a 6 meses. As precipitações oscilam de 700 a 1.0 m por ano, com irregularidade em sua distribuição, e predominam altas temperaturas. As possibilidades de desenvolvimento de culturas de ciclo longo, não adaptadas à falta de água, são bastante afetadas, e as ciclo curto dependem muito da distribuição das chuvas na sua estação de ocorrência.

forte (F) – terras com uma forte deficiência de água durante um período seco, que oscila de 7 a 9 meses. A precipitação está compreendida entre 500 e 700 m por ano, com muita irregularidade em sua distribuição e com altas temperaturas. Nesta categoria está implícita a eliminação de quaisquer possibilidades de desenvolvimento de culturas de ciclo longo não adaptadas à falta de água.

muito forte (MF) – corresponde a uma severa deficiência de água, que pode durar mais de 9 meses, com uma precipitação normalmente abaixo de 500 m, baixo índice hídrico e alta temperatura.

c) Excesso de água ou deficiência de oxigênio

Normalmente está relacionado com a classe de drenagem natural do solo, que por sua vez é resultante da interação de vários fatores (precipitação, evapotranspiração, relevo local e propriedades do solo). Estão incluídos na análise desses aspecto os riscos, a frequência e a duração das inundações a que pode estar sujeita a área.

O fator limitante – excesso de água ou deficiência de oxigênio – tem grande importância na avaliação da aptidão agrícola das terras, na medida em que pode envolver áreas ribeirinhas de alto potencial agrícola. Áreas com sérios problemas de drenagem pode ser assinaladas no mapa de aptidão, por apresentarem aptidão para algumas culturas adaptadas, embora não se prestem para cultura em geral. Na avaliação deste fator, são admitidos os seguintes graus de limitação:

nulo (N) – terras que não apresentam problemas de aeração ao sistema radicular da maioria das culturas durante todo o ano. São classificadas como bem e excessivamente drenadas.

ligeiro (L) – terras que apresentam certa deficiência de aeração às culturas sensíveis ao excesso de água durante a estação chuvosa. São em geral moderadamente drenadas.

moderado (M) – terras nas quais a maioria das culturas sensíveis não se desenvolve satisfatoriamente, em decorrência da deficiência de aeração durante a estação chuvosa. São consideradas imperfeitamente drenadas e sujeitas a riscos ocasionais de inundação.

forte (F) – terras que apresentam sérias deficiências de aeração, só permitindo o desenvolvimento de culturas adaptadas. Demanda intensos trabalhos de drenagem artificial que envolvem obras ainda viáveis em nível de agricultor. São consideradas, normalmente, mal drenadas, muito mal drenadas, e sujeitas a inundações frequentes, prejudiciais a maioria das culturas.

muito forte (MF) – terras que apresentam praticamente as mesmas condições de drenagem do grau anterior, porém os trabalhos de melhoramento compreendem grandes obras de engenharia, em nível de projetos, fora do alcance do agricultor, individualmente.

d) Suscetibilidade à erosão

Diz respeito ao desgaste que a superfície do solo poderá sofrer, quando submetida a qualquer uso, sem medidas conservacionistas. Está na dependência das condições climáticas (especialmente do regime pluviométrico), das condições do solo (textura, estrutura, permeabilidade, profundidade, capacidade de retenção de água, presença ou ausência de camada compacta e pedregosidade), das condições do relevo (declividade, extensão da pendente e microrrelevo) e da cobertura vegetal.

Neste trabalho está sendo usado seis graus de limitação por suscetibilidade à erosão, definidos a partir da Tabela 3.

Tabela 3. Graus de limitação por suscetibilidade à erosão.

Nível de decliveClassificação 0 a 3%Plano/praticamente plano 3 a 8%Suave ondulado 8 a 13%Moderadamente ondulado 13 a 20%Ondulado 20 a 45%Forte ondulado 45 a 100%Montanhoso Acima de 100%Escarpado

nulo (N) – terras não suscetíveis à erosão. Geralmente ocorrem em solos de relevo plano ou quase plano (0 a 3% de declive), e com boa permeabilidade. Quando cultivadas por 10 a 20 anos podem apresentar erosão ligeira, que pode ser controlada com práticas simples de manejo.

ligeiro (L) – terras que apresentam pouca suscetibilidade à erosão. Geralmente, possuem boas propriedade físicas, variando os declives de 3 a 8%. Quando utilizadas com lavouras, por um período de 10 a 20 anos, mostram normalmente uma perda de 25% ou mais do horizonte superficial. Práticas conservacionistas simples podem prevenir contra esse tipo de erosão.

moderado (M) – terras que apresentam moderada suscetibilidade à erosão. Seu relevo é normalmente ondulado, com declive de 3 a 8%. Esses níveis de declive pode variar para mais de 13%, quando as condições físicas forem muito favoráveis, ou para menos de 8%, quando muito desfavoráveis, como é o caso de solos com horizonte B, com mudança textural abrupta. Se utilizadas fora dos princípios conservacionistas, essas terras podem apresentar sulcos e voçorocas, requerendo práticas de controle à erosão desde início de sua utilização agrícola.

forte (F) – terras que apresentam forte suscetibilidade à erosão. Ocorrem em relevo ondulado a forte ondulado, com declive normalmente de 13 a 20% os quais podem ser maiores ou menores, dependendo de suas condições físicas. Na maioria dos casos a prevenção à erosão depende de práticas intensivas de controle.

muito forte (MF) – terras com suscetibilidade maior que a do grau forte, tendo o seu uso agrícola muito restrito. Ocorrem em relevo forte ondulado, com declives entre 20 e 45%. Na maioria dos casos o controle à erosão é dispendioso, podendo ser antieconômica.

extremamente forte (EF) – terras que apresentam severa suscetibilidade à erosão. Não são recomendáveis para o uso agrícola, sob pena de serem totalmente erodidas em poucos anos. Trata-se de terras ou paisagens com declives superiores a 45%, nas quais deve ser estabelecida uma cobertura vegetal de preservação ambiental.

e) Impedimentos à mecanização

Como o próprio nome indica, refere-se às condições apresentadas pelas terras para o uso de máquinas e implementos agrícolas. A extensão e forma das pendentes condições de drenagem, profundidade, textura, tipo de argila, pedregosidade e rochosidade superficial condicionam o uso ou não de mecanização. Esse fator é relevante no nível de manejo C, ou seja, o mais avançado, no qual está previsto o uso de máquinas e implementos agrícolas nas diversas fases da operação agrícola.

Consideram-se, na avaliação dos fatores limitantes, cinco graus de limitação – nulo, ligeiro, moderado, forte e muito forte.

nulo (N) – terras que permitem, em qualquer época do ano, o emprego de todos os tipos de máquinas e implementos agrícolas ordinariamente utilizados. São, geralmente, de topografia plana e praticamente plana, com declividade inferior a 3%, e não oferecem impedimentos relativamente à mecanização. O rendimento do trator (número de horas de trabalho usadas efetivamente) é superior a 90%.

ligeiro (L) – terras que permitem, durante quase todo o ano, o emprego da maioria das máquinas agrícolas. São quase sempre de relevo suave ondulado, com declives de 3 a 8%, profundas a moderadamente profundas, podendo ocorrer em áreas de relevo mais suave, apresentando, no entanto, outras limitações (textura muito arenosa ou muito argilosa, restrições de drenagem, pequena profundidade, pedregosidade, sulcos de erosão, etc.). O rendimento do trator varia de 75 a 90%.

forte (F) – terras que permitem apenas, em quase sua totalidade, o uso de implementos de tração animal. Caracterizam-se pelos declives acentuados (20 a 45%), em relevo forte ondulado. Sulcos e voçorocas pode constituir impedimentos ao uso de máquinas, bem como pedregosidade, rochosidade, pequena profundidade, má drenagem, etc. O rendimento do trator é inferior a 50%.

muito forte (F) – terras que não permitem o uso de maquinaria, sendo difícil até mesmo o uso de implementos de tração animal. Normalmente, são de topografia montanhosa, com declives superiores a 45% e com impedimentos muito fortes devido à pedregosidade, rochosidade, profundidade ou aos problemas de drenagem.

A avaliação das classes da aptidão agrícola das terras e, por conseguinte, dos grupos e subgrupos é feita através do estudo comparativo entre graus de limitação atribuídos às terras, fatores limitantes e os níveis de manejo A, B e C.

2.5 – Geoprocessamento e Sistema de Informação Geográfica – SIG

Geoprocessamento é uma disciplina do conhecimento que utiliza técnicas matemáticas e computacionais para o tratamento da informação geográfica e que vem influenciando de maneira crescente as áreas da Cartografia, Análises de Recursos Naturais, Transportes, Comunicações, Energia e Planejamento Urbano e Regional (CÂMARA et al. 2001).

Para Câmara et al. (2001), o objetivo principal do geoprocessamento é fornecer ferramentas computacionais para que os analistas trabalhem o fenômeno espacial. Entretanto, atualmente, geoprocessamento envolve mais do que softwares computacionais, envolve toda tecnologia necessária para aquisição de dados até a geração do produto final, esse conjunto de tecnologias é conhecido como geotecnologias.

As geotecnologias podem ser descritas como o conjunto de tecnologias que envolvem a coleta, processamento, análise e disponibilização de informação com uma posição definida no espaço, ou seja, com referência geográfica. Dentre as geotecnologias estão o SIG - Sistema de Informação Geográfica, Cartografia Digital, Sensoriamento

Remoto, GPS - Sistema de Posicionamento Global, Aerofotogrametria, Geodésia e Topografia, dentre outros (FAVRIN, 2009).

A aplicação das geotecnologias tanto no espaço urbano quanto rural, passa a ser um meio de controle, conhecimento e coerência em relação ao uso e ocupação da terra, tendo em vista a necessidade de planejamento, seja ele ambiental, urbano, agricultura entre outros (CASTANHO; TEODORO, 2010).

Para Monzane (2008), existem diversas possibilidades de aplicação das geotecnologias no agronegócio e agricultura. A utilização de softwares específicos juntamente com imagens capturada por satélite possibilita a monitoração e a previsão de safras, além desses, o conhecimento das coordenadas geográficas possibilita o planejamento de uso do solo, zoneamentos ambientais, gestão de bacias hidrográficas entre outros.

Os Sistemas de Informação Geográfica - SIGs são a principal ferramenta utilizada para o tratamento de informação geográfica, são definidos como um conjunto de ferramentas que executam as funções de coletas, armazenamento, recuperação, transformação e visualização de dados espaciais do mundo real para um conjunto de objetos específicos (BURROUGH e MCDONNELL, 1998).

O termo sistemas de informação geográfica é aplicado para sistemas que realizam o tratamento computacional de dados geográficos. A principal diferença de um SIG para um sistema de informação convencional é sua capacidade de armazenar tanto os atributos descritivos como as geometrias dos diferentes tipos de dados geográficos (CÂMARA et al., 2001).

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