jessica juliana

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TESTE DE TETRAZÓLIO PARA AVALIAÇÃO DE QUALIDADE FISIOLOGICA DE SEMENTES DE FEIJÃO CARIOCA (Phaseolus vulgaris)

Jéssica Cristina Lopes Silva ¹

Priscilla Rodrigues de Souza Yoshida 2

Juliana Pereira Bravo3

Ivonete Hoss4

RESUMO

Palavras-chave:

1 INTRODUÇÃO

Alguns historiadores acreditam que o feijão teve origem há cerca de 11.000 anos no Sudeste Asiático e depois se espalhou por todo o planeta, levado pelas tribos nômades. Outros pesquisadores relatam o surgimento do feijão há 7.000 anos no Continente Americano (SANTANA, 2008).

Graças às suas comprovadas propriedades nutritivas e terapêuticas, o feijão é altamente desejável como componentes em dietas de combate à fome e à desnutrição. Ademais, ocorre uma interessante complementação proteica quando o feijão é combinado com cereais, especialmente o arroz (SANTANA, 2008).

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de feijão, atrás somente da Índia. O feijão é um produto com alta importância econômica e social no País. O produto exerce grande valor sob o ponto de vista alimentar, como alternativa econômica de exploração agrícola em pequenas propriedades e como atividade de ocupação de mão-de-obra menos qualificada nas diversas regiões rurais brasileiras (ARAÚJ0, 2011).

A cultura do feijão é bastante suscetível às condições climáticas. Por isso, ocorrem alterações na participação dos Estados como maior ou menor produtor nas diferentes safras existentes durante o ano. No ranking dos maiores produtores nacionais de feijão aparecem os Estados do Paraná e Minas Gerais. Estes vêm registrando a cada ano maiores taxas de crescimento da produção em relação aos outros importantes estados produtores (ARAÚJ0, 2011).

O estabelecimento inicial de uma lavoura depende essencialmente do potencial fisiológico das sementes utilizadas na semeadura. A porcentagem, velocidade e uniformidade de emergência de plântulas dependem desse potencial. Sementes de alta qualidade resultam em plântulas fortes, vigorosas, bem desenvolvidas e que se estabelecem nas diferentes condições edafoclimáticas, com maior velocidade de emergência e de desenvolvimento das plantas (FRANÇA-NETO, 2010). Como consequência, a lavoura terá menores problemas com incidência de plantas daninhas, menor necessidade de herbicidas, de ressemeadura, dentre outros, o que garante uma lavoura com maior desempenho de plantas e maior produtividade (FUNDAÇÃO RIO VERDE 2015).

A utilização de testes rápidos para avaliar a qualidade das sementes é importante, principalmente, para agilizar decisões quanto ao manejo de lotes durante as etapas de pós-colheita das sementes (RODRIGUES et al., 2014). Dentre os testes para avaliação do vigor e da viabilidade de sementes de feijoeiro destacam-se os testes de germinação em papel Germitest ou em substrato, e o teste de tetrazólio (EMBRPA, 2013).Este último tem se mostrado como uma alternativa interessante pela qualidade e rapidez na determinação da viabilidade e do vigor da semente, permitindo obter resultados, de modo geral, em menos de 24 horas (RODRIGUES et al., 2014).

2 METODOLOGIA

O experimento foi conduzido no Laboratório de Sementes da Faculdade La Salle em Lucas do Rio verde/MT.

O teste de germinação foi realizado com sementes de dois lotes de Feijão Carioca (Phaseolus vulgaris Pinto Group).

Os testes foram instalados com quatro repetições de 50 sementes cada lote em papel Germitest, embebidos em água deionizada, na proporção de 2,5 vezes seu peso seco, a temperatura de 25°C. As contagens foram realizadas ao quinto e nono dia, contabilizando o número de plântulas normais, anormais e sementes mortas, segundo critérios estabelecidos pela RAS (2009).

Os testes de germinação, foram armazenados rolos de papel Germitest contendo as sementes em sacos plásticos de polietileno na proporção de 40X60.

O germinador utilizado foi uma câmara vertical do tipo B.D.O, com a temperatura constante de 25ºC de acordo com os critérios da RAS (2009). As amostras foram mantidas na posição vertical devido a entrada em sua extremidade superior, para circulação de oxigênio.

Antes da instalação do teste de germinação foi determinada a umidade das sementes pelo método de estufa a 105ºC ± 3 ºC durante 24 horas (RAS, 2009).

No teste de tetrazólio foram instaladas 4 repetições de cada lote, contendo 100 sementes cada repetição (RAS, 2009) embebidas em água deionizada e mantidas à 25ºC durante 18 horas, acondicionadas em papel Germitest. Posteriormente foram emergidas em solução de tetrazólio na concentração de 0,075% (RAS, 2009). As sementes foram submetidas a solução de tetrazólio por um período de 3 horas. Após esse procedimento as sementes foram mantidas submersas em água deionizada até o momento da leitura.

3 RESULTADOS E DISCUÇÕES

A determinação do teor de água como passo inicial para a determinação da qualidade fisiológica de sementes é um passo muito importante para padronização dos testes (COIMBRA et al., 2007). Os testes revelaram valores relativamente baixos para ambos os cultivares, variando de 10% e 13% para o teste 1 e 2 respectivamente (Tabela 1). O teor elevado de água pode favorecer o desempenho das sementes durante a realização das análises. Esse fato é importante na execução dos testes de qualidade, considerando-se que a uniformização do teor de água das sementes é imprescindível para a padronização das avaliações e obtenção de resultados consistentes (COIMBRA et al., 2007).

Tabela - Peso inicial de sementes (P.I), Peso final de sementes (P.F), e Umidade de sementes (U.S) de feijão Carioca (Phaseolus vulgaris Pinto Group).

Lote

P.I (g)

P.F (g)

U.S (%)

1

15,15

13,67

10

2

14,40

12,49

13

Fonte: Hoss, I.; Lopes, J (2017).

Pode-se verificar que o teste de germinação apresentou valores distintos para ambos os lotes de sementes, relatando uma diferença de 3% entre os lotes (Tabela 2). Ambos os lotes de sementes apresentaram valores acima de 80% de indice de germinação, um fato interessante, pois o teste de vigor é utilizado para detectar diferenças significativas entre o lotes com germinação semelhante, sendo necessários mais testes além do teste de germinação (AMARO et al., 2015).

Tabela : Resultados do teste de germinação dos 2 lotes de feijão carioca.

Inscrição em faculdades locais, 2005

Lote

1

2

Normais (%)

88

83

Anormais (%)

11

11

Duras (%)

0

0

Mortas (%)

1

6

A primeira contagem realizada não mostrou resultados muito significativos em relação ao indice de vigor de ambos os lotes, obtendo resultaodos com diferenças minimas. Porém o lote número 1 mostrou um indice germinativo relaivamente superior ao lote numero 2 (Tabela 2).

Figura - Feijão Carioca, primeira leitura do teste de germinação. Sementes consideradas normais.

Fonte: Do proprio autor (2017).

A qualidade fisiológica refere-se à capacidade potencial da semente em gerar uma nova planta, perfeita e vigorosa, sob condições favoráveis. Esta pode ser verificada pela avaliação do poder germinativo, definido pelo percentual de sementes germinadas, ou seja, sua viabilidade e também pelo vigor. Este último possui um conceito mais abrangente e indica a habilidade da planta em resistir a estresses ambientais e a sua capacidade de manter a viabilidade durante o armazenamento (JUNIOR et al., 2013).

A condução de plantios utilizando sementes sadias, com alto vigor e tratadas com fungicidas é parte essencial da redução de riscos de uma lavoura. Esta prática permite o estabelecimento de um estande adequado e abre caminho para o uso eficiente de outras tecnologias utilizadas nas lavouras. Por outro lado, plantas originadas de grãos ou sementes de má qualidade não atingem o potencial produtivo das cultivares melhoradas (JUNIOR et al., 2013).

Em relação ao teste de envelhecimento acelerado, Freitas e Nascimento (2006) relatam que o teste foi, originalmente, desenvolvido para determinar o potencial de armazenamento das sementes. No entanto, além de estudos com esse objetivo, também têm sido realizados trabalhos para verificar sua eficiência na avaliação do potencial de emergência das plântulas em campo.

Vários trabalhos têm demonstrado resultados interessantes quanto ao uso do teste de envelhecimento acelerado na avaliação do vigor das sementes. (MENDES et al., 2010) verificaram que o teste de envelhecimento acelerado, a 41°C/72h, proporcionou resultados satisfatórios para avaliação do potencial fisiológico de lotes de sementes de mamona do cultivar Al-Guarany. Resultados semelhantes foram observados (DUTRA e VIEIRA 2004) para sementes de soja (ÁVILA et al., 2006), para sementes de rabanete.

O teste de envelhecimento acelerado tem sido utilizado em várias empresas de sementes, sendo amplamente estudado em diversas culturas.

Segundo Bhering et al. (1999), os resultados do teste de tetrazólio podem diferir dos resultados obtidos em condições de campo mas, normalmente, os altos valores de sementes viáveis obtidos pelo teste de tetrazólio têm correspondido à elevada germinação das sementes no campo.

No teste de avaliação fisiológica com o uso de solução de tetrazólio 0,075% notou-se que o lote 1 se destacou em relação ao lote número 2, com valores de sementes mais vigorosas. A litura revelou uma diferença de 4% entre as sementes vigorosas de cada lote, e níveis de sementes mortas e duras relativamente baixos.

Figura - Condicionamento de sementes em papel Germitest por 18 horas para imersão em solução de tetrazólio de sementes de feijão carioca (Phaseolus vulgaris Pinto Group).

Fonte: Do próprio autor.

A leitura dos resultados do primeiro lote revelaram que tais sementes possuem um vigor de 98%, para o teste de tetrazólio, juntamente com os resultados de germinação, originando um cultivar com ótimos índices de vigor, o índice de sementes mortas, e duras também foram consideravelmente baixos, o que é um ótimo fator para uma alta taxa de vigor das sementes de feijão carioca (Tabela 3).

Tabela : Resultados do teste de tetrazólio no primeiro lote de sementes de feijão carioca (Phaseolus vulgaris Pinto Group).

Fonte: Do próprio autor.

O teste de tetrazólio realizado no segundo lote de sementes de feijão carioca revelou que as mesmas possuem um nível de vigor de 94% em relação ao teste de tetrazólio, mostrando também índices muito baixos de sementes mortas e duras (Tabela 4).

Tabela - Resultados do teste de tetrazólio no segundo lote de sementes de feijão carioca (Phaseolus vulgaris Pinto Group).

Inscrição em faculdades locais, 2005

Fonte: Do próprio autor.

No teste de tetrazólio, as sementes podem ser classificadas de acordo com as porcentagens de danos mecânicos, deterioração por umidade e danos causados por percevejos. Uma vez que as porcentagens de danos nestas classes indicam a porcentagem de perda de viabilidade, as porcentagens de danos podem ser consideradas sem restrição quando inferiores a 6%, com problema sério quando entre 7% e 10% e com problema muito sério quando superiores a 10% (FRANÇA NETO et al., 1998).

Figura - Sementes de feijão-caupi consideradas viáveis (1-3), inviáveis (danos na radícula (4-6) e sementes mortas (7-9) pelo teste de tetrazólio.

Fonte: RODRIGUES et al. (2015).

4 CONCLUSÃO

De acordo com os resultados coletados pode-se observar que o lote número 1 se destacou em relação a todos os testes estabelecidos para determinação de qualidade fisiológica de sementes de Feijão Carioca (Phaseolus vulgaris Pinto Group), e que as leituras do teste de tetrazólio se mostraram eficientes nas concentrações de 0,075% e o período de 3 horas é suficiente para a coloração das sementes permitindo a análise das sementes quanto ao vigor de forma rápida e conclusiva.

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, LUÍZ, G Importância do feijão pra o Brasil (2011)<http://www.portalmercadoaberto.com.br/blogs-categoria-det?post=3399> Acesso em 14 de setembro de 2017.

ÁVILA, P.F.V.; VILLELA, F.A. E ÁVILA, M.S.V. Teste de envelhecimento acelerado para avaliação do potencial fisiológico de sementes de rabanete (2006). Acesso em 07 de outubro de 2017.

BHERING, M. C.; SILVA, R. F.; ALVARENGA, E. M.; DIAS, D. C. F. S. Metodologia do teste de tetrazólio em sementes de feijão (1999).Acesso em 07 de outubro de 2017.

COIMBRA, R.A.; TOMAZ, C.A.; MARTINS, C.C. E NAKAGAWA, J. Teste de germinação com acondicionamento dos rolos de papel em sacos plásticos (2007). Acesso em 06 de setembro de 2017.

DUTRA, A.S. E VIEIRA, D.V. Envelhecimento acelerado como teste de vigor para sementes de milho e soja (2004). Acesso em 07 de outubro de 2017.

EMRAPA Testes para Avaliação da Qualidade de Sementes de Feijão Comum 2013<https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/970251/1/circulartecnica90.pdf> Acesso em 14 de setembro de 2017.

FRANÇA NETO, J. B.; KRYZANOWSKI, F. C.; COSTA, N. P. da. (1998) O teste de tetrazólio em sementes de soja. Acesso em 10 de outubro de 2017.

FREITAS, R.A. E NASCIMENTO, W.M. Teste de envelhecimento acelerado em sementes de lentilha (2006) Acesso em 07 de outubro de 2017.

FUNDAÇÃO RIO VERDE Importância da qualidade das sementes (2015). Acesso em 14 de setembro de 2017.

RAS Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Regras para análise de sementes (2009) Edição 2009 Cap. 5, p. 147 a p. 145. Acesso em 19 de setembro de 2017.

RAS Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Regras para análise de sementes (2009) Edição 2009 Cap. 6, p. 226 a p. 324. Acesso em 20 de setembro de 2017.

RAS Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Regras para análise de sementes (2009) Edição 2009 Cap.7, p. 307 a p. 323. Acesso em 19 de setembro de 2017.

RODRIGUES, A, P, M.S.; JÚNIOR, A, F, M.; TORRES, S.B.; NOGUEIRA, N.W.; FREITAS, R, M.O Teste de tetrazólio para avaliação da qualidade fisiológica de sementes de Vigna unguiculata (L.) Walp (2014). Acesso em 14 de setembro de 2017.

SANTANA, D.C A origem do Feijão: um dos alimentos mais importantes no combate a fome (2008) <http://www.agricolaepecuaria.com.br/2008/05/origem-do-feijo.html> Acesso em 14 de setembro de 2017.

1 Discente do Curso de Engenharia Agronômica da Faculdade La Salle – Lucas do Rio Verde, e-mail: jessicalopes2706@gmail.com

2 Coordenadora dos Laboratórios do Curso de Engenharia Agronômica da Faculdade La Salle, e-mail: priscilla.yoshida@faculdadelasalle.edu.br

3Professora do Curso de Engenharia Agronômica da Faculdade La Salle – Lucas do Rio Verde, e-mail juliana.bravo@faculdadelasalle.edu.br

4 Professora Orientadora do Curso de Engenharia Agronômica da Faculdade La Salle – Lucas do Rio Verde, e-mail: Ivonete.hoss@faculdadelasalle.edu.br

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