TCC Salve Rainha

TCC Salve Rainha

(Parte 2 de 5)

A indústria cultural e criativa difundem ideias particulares, mas que se completam, já que as manifestações culturais tem um cunho criativo também. A primeira se destina propriamente a expressão cultural e todo seu valor simbólico, como crenças, artes, patrimônio e etc., já a indústria criativa destina-se aos aspectos criativos, inovadores e de valor simbólico.

3. OS COLETIVOS

A ideia de “coletivos” surgiu através de processos colaborativo entre artistas, os primeiros movimentos que desencadearam os futuros coletivos foram datados no início do século X na Europa, segundo pesquisas de Fabiana Mitsue Najima, mestre em história da arte.

Ao longo do século X houve diversas ocorrências de trabalhos colaborativos no meio artístico, porém, com uma maior complexidade de interrelação entre autores. Dentre estes, desçamos os futuristas, os dadaístas, os surrealistas, o grupo Fluxus entre outros [...] a ideia de colaboração permaneceu nessa comunidade de artistas desdobrou-se e estendeu-se a outros grupos. Mesmo exercendo sua individualidade, os artistas proclamavam pensamentos modernos, repleto de mudanças no âmbito coletivo, trazidos pelo final da guerra. (NAJIMA, 2010;p. 21, 2)

Vindo para a parte ocidental do hemisfério sul, mais precisamente no Brasil, a criação colaborativa, teve surgimento a partir da ideia de desconstrução dos movimentos suíços percursos da arte colaborativa, no Brasil, nasce então o coletivo Ruptura, posteriormente transformando-se no manifesto Ruptura, que propagavam suas ideias dizendo: “Não há mais continuidade! Então nós distinguirmos: os que criam formas novas de princípios velhos, os criam formas novas de princípios novos” (CHARROUX, CORDEIRO, DE BARROS, FEJER, HAAR, SACILOTTO, WLADYSLAU, 1953; SP) NAJIMA 2010;27

A vida em coletividade coloca os grupos em novos sistemas sócias abertos, havendo assim um compartilhamento de ideias e de vivências. ”A apropriação reflexiva do conhecimento, a produção de conhecimento sistemático sobre a vida social torna-se integrante da reprodução do sistema, deslocando a vida social da fixidez da tradição.” (GIDDENS,

1991)Ainda segundo Najima:

As diversas camadas ao redor do ativismo artístico na atualidade estão relacionadas a movimentos contestatório estéticos, culturais e ideológicos no contexto da antiglobalização. Mas, diferente das abordagens de estratégias diretas e politizadas ao extremo, o ativismo hoje permanece com seus princípios ideológicos, porem acrescido da descontração, do non-sense própria, mas não exclusivos, do século XXI. (NAJIMA, 2010; 32)

Para Giddens(1991) os movimentos sociais tem papel importante para a preservação futura da vida moderna da sociedade. "Como modalidades de engajamento radical com importância difusa da vida moderna, os movimentos sociais fornecem pautas para potencias transformações futuras. (GIDDENS, 1991; 172)". Segundo a Revista digital Crowdartizing- Collectivism, Art&Revolution, na publicação de 16 de agosto de 2011 um coletivo artístico. “É a união de pessoas para a produção em torno de um tema comum. Esse tema, normalmente abrangente a ponto de permitir diferentes leituras, serve como pano de fundo para as produções individuais ou coletivas a ele associadas.“ Esse conceito não é uma visão fechada do que vem a ser um coletivo no Brasil, mas a partir dela é possível traçar caminhos para entender esse novo jeito de pensar a arte, uma vez que a mesmo tende a surgir do individual para o grupal. “Ainda sobre o ponto de vista da revista um coletivo é uma junção de pessoas que fazem parte de uma sociedade criativa que” num processo como esse, é inevitável o intercâmbio de técnicas, elementos da estética e de meios de produção artística, de modo que o participante de um coletivo, ainda que rompa com o grupo, traz consigo a influência daquela dinâmica.” Ou seja todos estão interligados mesmo que de forma individual

A liberdade de expressão e os movimentos democráticos estão atrelados a vigilância das dimensões institucionais modernas. Onde existem a supervisão social e controle das informações por eles fornecido. Paim (2006) fala que atuar em coletividade é antes de qualquer coisa, atuar politicamente, pois trabalhando assim “envolve relações entre alteridades”. Para Paim a execução de projetos coletivos resulta na eficiência conjunta do grupo e no compartilhamento de ideias sem hierarquização, o que flexibiliza e desburocratiza toda e qualquer dificuldade que o coletivo possa achar em seus processos de criação e preservação do mesmo. "A liberdade de expressão e os movimentos democráticos que tem suas origens na área das operações de vigilância do estado moderno, são analiticamente e numa extensão substancial historicamente, separáveis dos movimentos trabalhistas." (GIDDENS, 1991; 174) Os movimentos sociais proporcionam vislumbres de futuros possíveis e são em parte veículos para sua realização, mas é essencial reconhecer que, da perspectiva do realismo utópico, eles não são necessariamente a única base de mudanças que podem conduzir a um mundo mais seguro e mais humano. (GIDDENS, 1991; 175, 176).

Najima (2010) acrescenta que os trabalhos coletivos ganharam espaços ainda maiores, através dos avanços tecnológicos e com a invenção do ciberespaço. Os métodos próprios e a colaboração nos processos artísticos são subsídios para trabalhos inovadores, o que é uma das caraterísticas dos coletivos. Essas ações fazem com o que haja uma maior participação em diversas áreas como a política, já que há um compartilhamento de interesses de toda a população a um bem comum, a filosofia também é envolvida pelos coletivos, já que a existência dos mesmos é uma problemática discutida a todo o momento, além de valores, morais e as próprias estéticas utilizadas, outra área envolvida é a própria cultura que se manifesta nos coletivos através de suas expressões culturais diversificadas mas não massificadas, pois os mesmo não compartilham da ideia de padronização e homogeneização. E ao falar-se do ciberespaço fala-se de um lugar não físico, intangível.

A arte deve juntar-se a indústria, servindo como modelo de um projeto progressista de organização social. Os valores artísticos da modernidade sintetizam os valores econômicos, tecnológicos e epistemológicos do maquinismo o que chamamos de arte pós-moderna é aquela que vai se diferenciar dos movimentos do alto modernismo por preferir formas lúdicas e fragmentadas. (LEMOS, 2015; 16)

Segundo Anthony Gibbens(1991) o surgimento do termo modernidade está ligado ao estilo, costume ou organização social europeia do século XVII que posteriormente o mundo passou a usa-los. Ainda sobre a modernidade, Giddens fala que “as instituições sociais modernas são, sobre alguns aspectos únicos- diferentes em formas de todos os tipos de ordem tradicional." Para Giddes (1991) a tradicionalidade dos modos de vida das ordens sociais passadas, hoje está desvencilhadas e em desusos, tanto pra fora das sociedades quanto pra dentro, ainda acrescenta que essa transformação no modo de pensar das sociedades apareceu de forma tão intensa que nenhuma outra mudança anterior foi tão forte como as de hoje, são pensamentos e costumes diferentes, há quem ainda se apegue aos tradicionalismos, mas esse jeito de ver o mundo tende a se deletar automaticamente. Gibbens(1991) fala que sociedade define-se como: “uma noção ambígua, referindo-se tanto a ”associação social” de um modo genérico quanto a um sistema especifico de relações sociais “. Outro ponto importante é a noção de espaços sociais, anteriormente as ideias de tempo e espaço eram calculadas de forma diferente, o calendário e os relógios são exemplos disso, a noção de tempo está atrelada a noção de espaço consequentemente a de lugar, para Gibbens(1991) a ideia de “lugar” é melhor conceitualizado por meio das ideias de localidade que se refere ao cenário físico da atividade social, como situado geograficamente.

Najima(2010) cita em seu livro uma afirmação do sociólogo Pierre Lévy(1991), teórico do conceito de “inteligência coletiva”. Onde ele fala que o homem só emergiu enquanto espécie a partir da virtualização. Ainda complementa que:

A primeira forma de processo de virtualização foi a linguagem [...] o homem cria ferramentas através da técnica, com intenção de virtualização. Ele observa seu espaço cotidiano, elabora novas ferramentas adequadas ao seu tempo, inventou as máquinas, e até as complexas “megamáquinas sociais hibridas ou de hipercorpus o coletivo”. (NAJIMA, 2010; 37)

O teórico e sociólogo Pierre Levy(1991), traz uma definição muito clara do vem a ser o ciberespaço e como ele se configurou.

Eu defino o ciberespaço como o espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores e das memorais dos computadores. Essa definição inclui o conjunto dos sistemas de comunicação eletrônicos [...] na medida em que transmitem informações provenientes de fontes digitais ou destinadas a digitalização. Insisto na codificação digital, pois ela condiciona o caráter plástico, fluido, calculável com precisão e tratável em tempo real, hipertextual, interativo e resumido, virtual da informação que é, parece-me, a marca distintiva do ciberespaço. (LÉVY, 1991; 92,93)

O conceito de cibercultura e ciberespaço traz um novo lugar para a arte, os coletivos artísticos utilizam essas ferramentas para a propagação de suas obras e mais, para a propagação de suas inquietudes. Para Gibbens(1991) esse lugar serve de ferramenta para a racionalização da vida social moderna. "Os questionamentos sobre os limites da arte são experimentados através de posicionamentos inovadores e por vezes transgressores. Na contemporaneidade, o imaginário instaurado na figura de Luther Blissett (pseudônimo coletivo) evidencia processos cibridos presentes na cibercultura. (NAJIMA, 2010; 42)"

Dessa forma os processos criativos, são segregados, não a forma separatista entre si, mas como ruptura para um novo patamar de arte. Uma arte que inclui e dissipa novas possibilidades. Ainda sobre o olhar de Najima(2010). “A necessidade de aglutinação em grupos e redes orgânicas tem como origem a necessidade de transpor coletivamente o sistema da arte formal”. As novas redes sociais servem como agentes potencializadores de conteúdo e compartilhamento coletivo de ideias. Os valores e o conhecimento empírico se vinculam através de uma rede de influencias. (GIDDENS, 1991; 65)

Para Negroponte(1995) “a superentrada da informação nada mais é do que o movimento global de Bits sem peso à velocidade da luz.” Ele fala que as chances de uma organização crescer em sua totalidade está diretamente relacionada ao fato de seus serviços ou produtos finais estarem em meios digitais ou não. Sobre o ponto de vista de Negroponte(1995), a era industrial e da informação já são ultrapassadas, o mundo hoje se encontra na era pós-informação onde toda a comunidade que se almeja alcançar trata-se em sua maioria de uma única pessoa. Os produtos finais são inteiramente personalizados e únicos. O foco agora não é a propagação de informações generalizadas, mas, a informação individualizada para uma massa, através do narrowcasting.

Uma teoria amplamente difundida afirma que a individualização é a extrapolação do narrowcasting parte-se de um grupo grande para um grupo pequeno, depois para um grupo menos ainda; por fim, chega-se ao indivíduo. Quando você tiver meu endereço, meu estado civil, minha renda, a marca do meu carro, a lista de compras que faço o que costumo beber e quanto pago de imposto, você terá a mim: uma unidade demográfica composta de uma só pessoa. (NEGROPONTE, 1995;p.212)

Negroponte(1995) fala que os artistas acabaram por ver na internet a maior galeria do mundo para suas obras, e um meio de divulga-las diretamente para o público. As mídias sem sombra de dúvidas trouxeram progressos para o mundo das artes e pra sociedade como uma toda, sua velocidade, flexibilidade, baixo custo de investimento e manutenção fazem como que elas caiam na graça de todos. “as mídias ilimitadas resultam de uma fusão entre expansão econômica e desejo individual, preparada durante séculos [...] surgiu um aparato industrial para produzi-los em profusão e a preço baixo.” (GITLIN, 2003; p.40,41). O processo criativo artístico também pode compartilhado entre o público em geral através da digitalização do mesmo. "O importante é que a digitalização permite a transmissão não apenas do produto, mas dos processos também. Tal processo pode ser a fantasia e o êxtase de uma única mente, pode ser a imaginação coletiva de muitos ou pode ser a visão de um grupo revolucionário." (NEGROPONTE, 1995; 212) "As organizações (inclusive os estados modernos) podem as vezes ter a qualidade um tanto estática, inercial, que weber associava à burocracia, mas mais comumente elas têm um dinamismo que contrasta agudamente com as ordens pré- modernas." ( GIDDENS, 1991;30)

Misturando a arte, a tecnologia e a sociedade, o resultado disso é a era da reprodutibilidade técnica da arte, propagada e divulgada das mais diferentes formas nos meios eletrônicos, o corpo físico de uma obra já não é requisito essencial para ela poder existir. Também não é necessário ser o super artista renomado, isso nem existe mais, a democracia e a popularidade deram lugar as pessoas de carne e osso, comuns em sua maioria e que não precisam de holofotes para se promoveram, a rede digital é a ferramenta que tira qualquer artista do anonimato “ Quando pessoas comuns tem em mãos ferramentas criativas, nunca se sabe o que farão com elas- e isso faz parte da diversão.” ( JENKINS, 2009; 230)

4. MARKETING

O relacionamento com o cliente- consumidor dita o sucesso ou fracasso de um negócio ou atividade, seja ela com fins lucrativos ou apenas para a subsistência. Falar de marketing é algo bem mais complexo, do que falar apenas de mercado, as formas de vendas, a qualidade e procedência dos produtos, os canais de distribuição ou o preço final do qual o consumidor terá que pagar para consumir um bem ou um serviço. O marketing está atrelado a uma palavra chave: confiança. Ela dita se o cliente consumidor irá ou não adquirir os produtos daquela organização. Mas afinal o que é marketing?

A função do Marketing, mais do que qualquer outra nos negócios, é lidar com os clientes. [...] marketing é administrar relacionamentos lucrativos com o cliente. Os dois principais objetivos do marketing são: atrair novos clientes, prometendo-lhes valor superior, e manter e cultivar os clientes atuais, propiciandolhes satisfação. (KOTLER, 2007;3)

Dentre as diversas formas que o profissional de marketing usa como estratégia para conseguir ou preservar seus clientes, a forma mais direta e instantânea é o marketing on-line. As redes digitais hoje são um grande elo entre empresas e pessoas, conectados uma vasta quantidade de usuários das mais variadas personalidades interagem entre si, criando assim um banco de informações gigantesco, para gestores que analisam essas redes, é um mundo de informações, e com a tática certa, é perfeitamente fácil arremessar e laçar potências clientes. Para Kotler os profissionais de marketing adquiriram uma nova forma de relacionamento entre os usuários das redes, através da internet e da criação de valores com o mesmo. Induzindo o cliente em potencial a comprar sonho e satisfação e não meros produtos. "A internet mudou fundamentalmente as noções que o cliente tem de praticidade, velocidade, preço e serviço sobre o produto.” (Kotler, 2007; 4). Para Lemos a principal característica da modernidade é o conglomerado de fatos, entre eles o individualismo exacerbado, a moral burguesa que constrange a vida social e uma ética de acumulação, onde a tecnologia cria outro formato social das culturas. “O que chamamos de novas tecnologias situa-se num contexto sociocultural, numa nova ambiência social [...] e do individualismo positivista, vê-se investidas pelas potencias refutadas pelo racionalismo moderno.” (Lemos, 2015; 16) O autor fala que todos vivem em sociedade, mas cada qual com suas particularidades.

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