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Conceitos-chave de museologia

Sob a direção de André Desvallées e François Mairesse

Conceitos-chave de Museologia

Conceitos-chave de Museologia

André Desvallées e François Mairesse Editores Bruno Brulon Soares e Marilia Xavier Cury Tradução e comentários

São Paulo

Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Museus Conselho Internacional de Museus Pinacoteca do Estado de São Paulo Secretaria de Estado da Cultura

C744 Conceitos-chave de Museologia/André Desvallées e François

Mairesse, editores; Bruno Brulon Soares e Marília Xavier Cury, tradução e comentários. São Paulo: Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Museus: Pinacoteca do Estado de São Paulo : Secretaria de Estado da Cultura, 2013.

Com a colaboração de: Philippe Dubé, Nicole Gesché- Koning, André Gob, Bruno Brulon Soares, Wan Chen Chang, Marília Xavier Cury, Blondine Desbiolles, Jan Dolak, Jennifer Harris, Francisca Hernández Hernández, Diana Lima, Pedro Mendes, Lynn Maranda, Mónica Risnicoff de Gorgas, Anita Shah, Graciela Weisinger, Anna Leshchenko.

ISBN 978-85-8256-025-9

1. Museologia. I. Desvallés, André I. Mairesse, François. II. Soares, Bruno Brulon. IV. Cury, Marília Xavier.

Conceitos-chave de Museologia

André Desvallées e François Mairesse Editores

Bruno Brulon Soares e Marilia Xavier Cury Tradução e comentários

Com os apoios de

Musée Royal de Mariemont w.musee-mariemont.be

Comitê Internacional para Museologia do ICOM Comitê Nacional Português do ICOM

Fotos da capa:

© Auckland Museum, Nova Zelândia © Pinacoteca do Estado de São Paulo (Eugenio Vieira), Brasil

© National Heritage Board, Singapura

© Museu da Língua Portuguesa (Eugenio Vieira), Brasil

© Armand Colin, 2010 ISBN: 978-2-200-25396-7 (edição francesa) ISBN: 978-85-8256-025-9 (edição brasileira)

Comitê de Redação

François Mairesse, André Desvallées, Bernard Deloche, Serge

Chaumier, Martin Schärer, Reymond Montpetit, Yves Bergeron, Noémie Drouguet, Jean Davallon.

Com a colaboração de:

Philippe Dubé, Nicole Gesché-Koning, André Gob, Bruno Brulon

Soares, Wan Chen Chang, Marilia Xavier Cury, Blondine Desbiolles, Jan Dolak, Jennifer Harris, Francisca Hernández Hernández, Diana Lima, Pedro Mendes, Lynn Maranda, Mónica Risnicoff de Gorgas, Anita Shah, Graciela Weisinger, Anna Leshchenko (que contribuíram ativamente com o Simpósio do ICOFOM dedicado a este tema, em 2009, ou leram este documento).

apResentação

A Secretaria de Estado da Cultura fica muito honrada em apoiar a publicação Conceitos-chave de Museologia em português. Trata-se de uma importante iniciativa do Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Museus, que colaborará para o compartilhamento e a comunicação de conhecimento sobre a teoria museológica para a comunidade museal brasileira.

O debate no campo museológico no Brasil e no exterior tem se intensificado extraordinariamente, acompanhando as incessantes transformações e a visibilidade crescente dos nossos museus. Nesse contexto, é muito oportuna a disponibilização de uma ferramenta de referência para profissionais de museus e estudantes de museologia, que contribua para a reflexão teórica e crítica sobre o mundo dos museus.

A mobilização resultante da realização da 23ª Conferência

Geral do ICOM no Rio de Janeiro também define um momento apropriado para o lançamento dessa publicação, agora traduzida para o português. O excelente trabalho dos tradutores possibilitará não apenas o importante acesso àqueles que não leem em outras línguas, mas também o referenciamento para o contexto cultural e social brasileiro.

O Estado de São Paulo é um significativo recorte desse diversificado panorama museológico brasileiro. Além dos dezoito museus pertencentes à Secretaria de Estado da Cultura – dentre eles a Pinacoteca do

Estado de São Paulo, parceira desta iniciativa – , o estado abriga mais de quatrocentas instituições museológicas, públicas e privadas, distribuídas em quase duzentas cidades paulistas. A diversidade, a riqueza e os desafios que cercam esse patrimônio reiteram a necessidade premente de reflexão sobre os processos museais e a importância desta publicação.

Agradecemos, mais uma vez, o convite do ICOM Brasil, a parceria da Pinacoteca do Estado de São Paulo, a dedicação dos tradutores e a todos que estiveram envolvidos nesse significativo processo, que culminou nesta tradução.

Marcelo Mattos Araujo Secretário de Estado da Cultura de São Paulo museologia e seus ConCeitos na língua poRtuguesa

O Comitê Brasileiro do ICOM, em parceria com o ICOM Portugal, tem buscado traduzir para o português importantes edições do ICOM e de seus comitês internacionais, visando a ampliar o acesso de leitores de língua portuguesa a conteúdos de interesse no campo da museologia.

A ideia de viabilizar a edição em português de Conceitos-chave de Museologia, publicado originalmente em outros idiomas pelo ICOFOM, ganhou força a partir da definição do Brasil como sede da 23ª Conferência Geral do ICOM, realizada em 2013, no Rio de Janeiro. O então presidente do ICOM Brasil, Carlos Roberto Brandão, convidou Bruno Brulon Soares e Marilia Xavier Cury – dois museólogos brasileiros que atuam junto ao ICOFOM e que haviam participado de processos relacionados à edição original do livro –, que logo aceitaram o desafio de traduzir o texto para o português, voluntariamente. Agradecemos portanto aos colegas brasileiros pelo árduo trabalho realizado, que certamente muito contribuirá para a disseminação desse conteúdo para toda a comunidade museológica lusófona.

Como em outras ocasiões, contamos com a ativa participação do

ICOM Portugal, por meio das colegas Marta Lourenço, Graça Filipe e Paula Menino Homem, o que possibilitou a realização de uma edição adequada aos vários países de língua portuguesa. Assim, a tradução proposta pelos colegas brasileiros ganhou inclusões de novos termos específicos e exaustivas revisões, tanto no Brasil como em Portugal, salvaguardando as nuances e regras gramaticais próprias dos países envolvidos. Somos gratos portanto ao ICOM Portugal pela parceria nesta edição e aos colegas portugueses que a ela se dedicaram.

Registramos um agradecimento muito especial à vice-presidente do ICOM Brasil, Adriana Mortara Almeida, que coordenou esta publicação em português e orquestrou todos os contatos bilaterais entre os colegas brasileiros e portugueses, assim como as demais tratativas institucionais e editoriais necessárias para sua viabilização.

Destacamos ainda o apoio da Secretaria da Cultura do Estado de

São Paulo, por meio de sua Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico, bem como à Pinacoteca do Estado, por tornarem viável este projeto editorial. Este livro integra o conjunto de ações de apoio do Governo do Estado de São Paulo ao ICOM Brasil, por ocasião da 23ª Conferência Geral do ICOM, que abrangeu ainda a realização, em São Paulo, do importante seminário pós-conferência – o Diálogo Sul-Sul de Museus – e do intenso programa de estágios de colegas africanos e latino-americanos em museus paulistas. Agradecemos ao Secretário da Cultura Marcelo Araújo, às equipes da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e Pinacoteca do Estado por esse significativo apoio.

Maria Ignez Mantovani Franco Presidente do ICOM Brasil pRólogo

O desenvolvimento de normas profissionais é um dos objetivos centrais do ICOM, particularmente no que concerne ao avanço, ao compartilhamento1 e à comunicação de conhecimento para a ampla comunidade museal do mundo, mas também para aqueles que desenvolvem políticas em relação ao trabalho em museus, aos responsáveis pelos aspectos legais e sociais da profissão, bem como para aqueles aos quais o museu é dirigido e dos quais se espera que participem e se beneficiem do trabalho realizado nestas instituições. Lançado em 1993, sob a supervisão de André Desvallées, e com a colaboração de François Mairesse a partir de 2005, o Dicionário de Museologia é um trabalho monumental, que resulta de muitos anos de pesquisa, interrogação, análise, revisão e debate realizados pelo Comitê Internacional de Museologia do ICOM (ICOFOM), que se dedica particularmente ao processo de desenvolvimento de nossa compreensão da prática e da teoria dos museus e do trabalho realizado por essas instituições diariamente.

O papel, o desenvolvimento e a gestão dos museus modificaram-se enormemente nas últimas décadas. As instituições museais centraram-se cada vez mais nos visitantes, e alguns dos grandes museus estão-se voltando, com mais frequência, para os modelos de gestão empresarial em suas operações cotidianas. A profissão museal e seu meio transformaram-se inevitavelmente. Países como a China

1 Em Portugal, partilha.

conheceram um aumento sem precedentes da presença de museus, mas há mudanças igualmente importantes acontecendo em espaços mais restritos, como, por exemplo, nos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PEID). Estas transformações apaixonantes desencadeiam discrepâncias crescentes nas especificidades do trabalho em museus e nos cursos de formação entre diferentes culturas. Neste contexto, uma ferramenta de referência para profissionais de museus e estudantes de museologia é ainda mais essencial. Enquanto a publicação do ICOM e da UNESCO Como Gerir um Museu: Manual Prático forneceu aos profissionais de museus um manual básico para a atual prática museal, o Dicionário de Museologia deve ser visto como uma publicação correlata, fornecendo uma perspectiva complementar sobre a teoria museológica.

Ao mesmo tempo em que o ritmo de trabalho cotidiano impede a capacidade do campo museal de parar para refletir sobre seus fundamentos, há uma necessidade crescente de que os profissionais de todos os níveis forneçam respostas claras e compreensíveis àqueles que questionam a relevância do museu para a sociedade e seus cidadãos. A tarefa essencial do ICOFOM, integrada no seio do projeto do Dicionário Enciclopédico, oferece, assim, uma desconstrução e destilação estruturadas do conjunto de conceitos fundamentais que hoje sustentam nosso trabalho. Embora o Dicionário apresente uma visão predominantemente francófona da museologia, por razões de coerência linguística, as terminologias nele condensadas são compreendidas e/ou utilizadas por museólogos em diferentes culturas. A publicação, ainda que não exaustiva, sintetiza décadas do desenvolvimento do conhecimento a partir de uma investigação sistemática, tanto da epistemologia quanto da etimologia do museu, e oferece uma apresentação aprofundada dos conceitos primários da museologia atual, com uma visão pragmática elegante, que considera tanto as redundâncias históricas quanto as controvérsias atuais, investindo no crescimento e na expansão da profissão. O ICOFOM, os editores do Dicionário e seus autores trataram com sensibilidade, rigor, perspicácia e equilíbrio este trabalho de “definição” e de explicação da instituição e de sua prática.

Como uma versão preliminar do Dicionário Enciclopédico completo2, esta publicação foi produzida para oferecer ao maior público possível o acesso às transformações e à evolução dos vários termos que compõem a nossa linguagem museal, considerando a sua história e o seu sentido atual. De acordo com o espírito do ICOM, visando a promover a diversidade e a ampla inclusão, antecipa-se que, assim como ocorreu com o seu Código de Ética para Museus, esta publicação irá estimular um extenso debate e a colaboração para sua continuada revisão e atualização, ao invés de ser deixada nas estantes. A 22ª Conferência Geral do ICOM3, em Xangai, na China, marca, portanto, um início apropriado para esta valiosa ferramenta de referência em museologia. A reunião de profissionais de museus de todas as nacionalidades constitui precisamente o tipo de ocasião que dá origem a novas normas e instrumentos de referência como este, tanto para as gerações atuais quanto para as do futuro.

Alissandra Cummins

Presidente4 Conselho Internacional de Museus (ICOM)

2 Desvallées, André; Mairesse, François (Dir.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011.

pRefáCio

Desde as suas origens, em 1977, o ICOFOM, seguindo as linhas de pensamento do ICOM, considera que o seu principal objetivo aponta para a transformação da museologia em uma disciplina científica e acadêmica destinada ao desenvolvimento dos museus e da profissão museológica, por meio da investigação, do estudo e da difusão das principais correntes museológicas.

Surgiu assim, no seio do ICOFOM, um grupo de trabalho multidisciplinar, concentrado na análise crítica da terminologia museológica, que localiza as suas reflexões nos conceitos fundamentais da museologia. Durante quase vinte anos, este grupo, denominado de Thesaurus, produziu notáveis trabalhos científicos de investigação e síntese.

Convencidos hoje da necessidade de oferecer ao público um registro5 de termos museológicos que constitua um verdadeiro material de referência, decidimos, com o apoio do Conselho Internacional de Museus, tornar conhecida, em Xangai, durante a 22ª Conferência Geral do ICOM, a presente publicação – que inclui vinte e um artigos – como uma versão preliminar da publicação do Dicionário de Museologia.

Gostaríamos de destacar que esta publicação, fase introdutória de uma obra muito mais ampla, não pretende ser exaustiva, mas apenas possibilitar ao leitor distinguir entre os diferentes conceitos a que

5 Em Portugal, registo.

cada termo se refere, descobrindo novas conotações e suas relações com o campo museológico como um todo.

Hoje compreendemos que o Dr. Vinoš Sofka não trabalhava em vão quando, no início do ICOFOM, lutava para transformar este Comitê Internacional em uma tribuna de reflexão e de debate, capaz de alicerçar as bases teóricas de nossa disciplina. A bibliografia internacional resultante retrata fielmente a evolução do pensamento museológico no mundo há mais de trinta anos.

A partir da leitura dos artigos da presente publicação, fica evidente a necessidade de se renovar a reflexão sobre os fundamentos teóricos da museologia a partir de uma perspectiva plural e integradora, ancorada na riqueza conceitual de cada palavra. Os termos apresentados inicialmente constituem um exemplo claro do trabalho contínuo de um grupo de especialistas que foram capazes de compreender e valorizar a estrutura da linguagem – patrimônio6 cultural imaterial por excelência – e o alcance da terminologia museológica, que nos permite reconhecer até que ponto a teoria e a prática se encontram indissoluvelmente ligadas.

Com o objetivo de afastar-se de caminhos já muito transitados, cada autor introduziu suas observações onde julgou necessário chamar a atenção sobre a característica específica de um termo. Não se trata de construir pontes nem de reconstruí-las, mas de encontrar outras concepções mais precisas, na busca de novos significados culturais que permitam enriquecer uma disciplina tão ampla como a museologia, destinada a afirmar o papel do museu e dos profissionais de museus no mundo inteiro.

É para mim uma honra e uma grande satisfação, como presidente do ICOFOM, apresentar esta publicação como uma versão preliminar do Dicionário de Museologia, obra que constituirá um marco na extensa bibliografia museológica produzida por membros do ICOFOM de diversas origens geográficas e disciplinares, unidos por um ideal comum.

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