Sao Cipriano - Da Magia A Santidade

Sao Cipriano - Da Magia A Santidade

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Da Magia à Santidade | Leo Lincoln

O Livro de SÃO CIPRIANO

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O Livro de

SÃO CIPRIANO Da Magia à Santidade

E-Book/L.Lincoln

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Título: O Livro de São Cipriano da Magia à Santidade Organização e Layout: Léo Lincoln Edição Digitalizada por L.Lincoln Editado em Abril de 2012

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Sobre as advertências06
A vida e obra de Cipriano10
Poderosos ensinamentos do Santo26
As Magias de Cipriano - O Mago65
Segredos místicos93
Conjurações e Rezas Fortes103
O Mago e os Gatos Pretos118
A Bruxa de Évora125

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Sobre as Advertências

É muito comum lermos advertências que trazem preocupação e geram ansiedade daquele que busca a leitura das obras relacionadas ao Grande Mago Cipriano tais como:

“Para que você goze todos os benefícios que este livro lhe poderá dar, é necessário que siga à risca a recomendação de São Cipriano, que afirma no Prefácio de seu manuscrito:

"Este livro não poderá ser emprestado a ninguém; deverá pertencer exclusivamente a quem o adquiriu, não podendo fazer uso dele nenhuma outra pessoa, nem mesmo por parentesco de sangue ou que resida na mesma casa. Se esta advertência não for seguida à risca, nenhum benefício lhe será dado".

Esta advertência de São Cipriano é compreensível, se levarmos em consideração que na época em que viveu, fornecia seus conhecimentos mediante consulta. Portanto, este livro representa EXCLUSIVAMENTE UMA CONSULTA DA PESSOA QUE O ADQUIRIU. É aconselhável que, após ter sido feito o uso necessário do mesmo, ele seja destruído ou então conservado em lugar inviolável.”

Por minha experiência e longo trabalho sobre tema posso afirmar com segurança que estas advertências não passam de ameaças que hoje não merecem nenhuma preocupação.

Não há qualquer problema em ler ou emprestar qualquer objeto seu, o livro inclusive, a alguém que seja de confiança.

O livro (qualquer um) é apenas objeto, um monte de papel agrupado com algumas palavras, que poderão trazer alguma serventia desde que seja a intenção do leitor fazer de suas letras uma ação efetiva.

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O que sempre digo é que o todo livro deve ser bem guardado e respeitado. Cumprindo-se estes preceitos básicos não há o que temer.

Para melhor explicar voltaremos ao passado e vamos destacar dois fatos importantes:

1º - Segundo a lenda, Cipriano após converter-se ao

Cristianismo destruiu tudo que era pagão ou maldito de sua história como Mago (bruxo).

2º - Não há absolutamente nenhum registro histórico, arqueológico ou documental científico comprobatório que Cipriano tenha escrito qualquer livro ou deixado qualquer manuscrito.

Então por qual razão existe este prefácio restritivo em alguns livros que falam sobre Cipriano?

A razão é histórica, vejam que o conteúdo do livro era pagão, portanto, terminantemente proibido pela Igreja Católica em sua política de perseguição a tudo que fosse herege.

O simples fato de alguém portar algo relacionado à bruxaria já era motivo de acusação e condenação nos tribunais da "Santa Inquisição".

Reparem que não só o portador, mas também receberiam a pena capital sob o julgo de prática de bruxaria qualquer um que tivesse o mínimo contato com o livro considerado "maldito e proibido", por menor que fosse.

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E a morte se daria da pior forma possível com extrema crueldade e brutalidade depois de passar por toda a sorte de torturas com o intuito de "purificar" a alma do herege pecador e servir de exemplo e intimidação para que ninguém ousasse cometer atos impuros e de cunho ofensivo à Santa Igreja.

Portanto fica clara que esta era a verdadeira razão de se manter segredo: a vida de cada leitor do livro estava em altíssimo risco! É justamente por isso a recomendação de absoluto sigilo e de nunca emprestar ou mesmo, deixar o livro a mostra a quem quer que fosse.

Se alguém descobrisse a posse ou a divulgação do conteúdo do livro de CIPRIANO poderia gerar uma denúncia aos Inquisidores e o destino era certo: A MORTE NA FOGUEIRA POR PRÁTICA DE BRUXARIA!

Graças a esta conduta clandestina e de manter total segredo fez com que as preciosas informações sobre o Grande Mago conseguissem superar as perseguições do passado até chegar aos dias atuais.

Léo Lincoln

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na certeza de fazer o malE o homem e a mulher sabem, de

“Por mim afirmo: a volúpia única e suprema do amor consiste nascença, que no mal se encontra toda a volúpia.”

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CAPÍTULO 1

A Vida e obra de Cipriano - O Mago até a sua “Santidade”

A lenda de São Cipriano - O Mago - confunde-se com um outro célebre homônimo nascido em Cartago na África e imortalizado pela Igreja Católica como o “Papa Africano”. Apesar das diferenças abismais que os afastam, as lendas combinam-se e os “Ciprianos’’, muitas vezes, tornam-se um só na cultura popular. É comum encontrarmos fatos e características pessoais unindo-os equivocadamente como se ambos fossem a mesma personalidade. Além dos mesmos nomes, os mártires coexistiram, mas em regiões distintas.

Cipriano - O Mago, tem como data de celebração o dia 2 de

Outubro. Foi um homem que dedicou boa parte de sua vida ao estudo das ciências ocultas. Após deparar-se com a jovem (Santa) Justina, converteu-se ao catolicismo. Martirizado e canonizado, sua

Página | 1 popularidade excedeu a fé cristã devido aos famosos Livros de São Cipriano, um compilado de rituais de magia com orações cristãs.

A fantástica trajetória do Feiticeiro e Santo da Antioquia, representa o elo entre Deus e o Diabo, entre o puro e o pecaminoso, entre a soberba e a humildade. São Cipriano é mais que um personagem da Igreja Católica ou um livro de magia; é um símbolo da dualidade da fé humana.

Nasce o mago

Filho de pais pagãos e muito ricos, nasceu por volta de 250 da era Cristã, na histórica cidade de Antioquia então pertencente ao governo da Fenícia, região que hoje faz parte da Turquia. Desde a infância, Cipriano foi influenciado pelo paganismo se interessando nos estudos da feitiçaria e das ciências ocultas como a alquimia, astrologia, adivinhação e as diversas modalidades de magia.

Após muito tempo viajando pelo Egito, Grécia e outros países aperfeiçoando seus conhecimentos, aos trinta anos de idade Cipriano chega à Babilônia a fim de conhecer a cultura ocultista dos Caldeus. Foi nesta época que encontrou a bruxa Évora, onde teve a oportunidade de intensificar seus estudos e aprimorar a técnica da premonição. Évora morreu em avançada idade, mas deixou seus manuscritos para Cipriano, dos quais foram de grande proveito. Assim, o feiticeiro dedicou-se arduamente, e logo se tornou conhecido, respeitado e temido por onde passava.

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A Conversão

Vivia em Antióquia uma donzela por nome Justina, não menos rica do que bela, a quem seu pai Edeso e sua mãe Cledônia educaram com muito cuidado nas superstições do paganismo. Porém Justina, dotada como era, de um claro engenho, assim que ouviu as pregações de Prailo, diácono de Antioquia, abandonou as extravagâncias gentílicas e, abraçando a fé católica, conseguiu converter aos poucos os seus próprios pais.

Constituída cristã, a ditosa virgem tornou-se ao mesmo tempo uma das mais perfeitas esposas de Jesus Cristo, consagrandolhe a sua virgindade e procurando adquirir todos os meios de conservar essa delicada virtude, para cujo efeito observava cuidadosamente a modéstia entregando-se às orações e ao retiro. Não obstante isto, vendo-a, um pobre mancebo, de nome Aglaide, lhe captou tanto os agrados, que logo pediu a seus pais para esposa, ao que eles deram consentimento; e só não pôde obter o consenso da própria Justina.

Aglaide então procurou então Cipriano, o qual, com efeito, empregou todos os meios mais eficazes da sua diabólica arte para satisfazer ao namorado amigo. Ofereceu aos demônios muitos abomináveis sacrifícios e eles lhe prometeram o desejado sucesso, investindo logo a santa com terríveis tentações e horríveis fantasmas. Porém ela, fortalecida pela graça de Deus, que tinha merecido com orações contínuas, rigor e, sobretudo com o patrocínio da Santíssima

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Virgem (a quem ela chamava sua mãe santíssima), ficou sempre vitoriosa.

Indignado Cipriano por não poder vencê-la, se levantou contra o demônio, que estava presente, e lhe falou desta maneira: "Pérfido, já veio a tua fraqueza, quando não podes vencer a uma delicada donzela, tu, que tanto de jactas do teu poder de obrar prodigiosas maravilhas! Diz-me logo de onde procede esta mudança, e com que armas se defende aquela virgem para deixar inúteis os teus esforços?"

Então o demônio, obrigado por uma divina virtude, lhe confessou a verdade, dizendo-lhe que o Deus dos cristãos era o supremo Senhor do Céu, da Terra e dos infernos; e que nenhum demônio podia obrar contra o sinal da cruz com que Justina continuamente se armava. De maneira que por este mesmo sinal, logo ele lhe aparecia para tentar, era obrigado a fugir.

"Pois se isso assim é - replicou Cipriano - eu sou bem louco em não me dar ao serviço de um senhor mais poderoso do que tu. E assim, se o sinal da cruz, em que morreu o Deus dos cristãos, te faz fugir, não quero já servir-me dos teus prestígios, antes renuncio inteiramente a todos os teus sortilégios, esperando a bondade de Deus de Justina que haja de me admitir por seu servo."

Irritado então o demônio de perder aquele por meio do qual fizera tantas conquistas, se apoderou do seu corpo. Porém (diz São Gregório) foi logo obrigado a sair, pela graça de Jesus Cristo, que estava senhor do seu coração. Teve, pois Cipriano, de manter vigorosos combates contra os inimigos de sua alma; mas o Deus de

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Justina, a quem ele sempre invocava, lhe valeu com o seu auxílio e o fez ficar vitorioso.

Concorreu também muito para este efeito o seu amigo

Eusébio, a quem Cipriano procurou logo, e disse com muitas lágrimas: "Meu grande amigo, chegou para mim o ditoso tempo de reconhecer meus erros e abomináveis desordens, e espero que o teu Deus, que já confesso ser o único e verdadeiro, me admitirá no grêmio dos seus íntimos servos, parar maior triunfo da sua benigna misericórdia."

Muito satisfeito Eusébio por uma tão prodigiosa mudança abraçou afetuosamente o seu amigo e lhe deu muitos parabéns pela sua heroica resolução, animando-o a confiar sempre na infalível verdade do puríssimo Deus, que nunca desampara os que sinceramente o procuram. E assim fortificado, o venturoso Cipriano pôde resistir com valor a todas as tentações diabólicas.

Para este efeito, fazia ele sem cessar o sinal da cruz, e tendo sempre nos lábios e no coração o sacrossanto nome de Jesus, não cessava de invocar a assistência da Santíssima Virgem. Vendo, pois, os demônios inteiramente frustrados todos os seus artifícios, aplicaram o seu esforço maior no tentar de desesperação, propondolhe com viveza de espírito estes e outros tais discursos e reflexões:

"Que o Deus dos cristãos era sem dúvida o único Deus verdadeiro, mas que era um Deus de pureza, um Deus que punia com severidade extrema ainda os menores crimes, de que a maior prova eram eles mesmos, que por um só pecado de soberba foram condenados a uma pena extrema.

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Como haveria perdão para eles, que pelo número de gravidade das suas culpas tinha já um lugar preparado no mais profundo do inferno? E que, portanto, não tendo misericórdia que esperar, cuidasse em se divertir, satisfazendo à rédea larga todas as paixões da sua vida."

Na verdade esta tentação veemente pôs em grande perigo a salvação de Cipriano. Mas o amigo Eusébio, a quem ele se referiu, o animou e consolou, propondo-lhe em eficácia a benigna misericórdia, com que Deus recebe e generosamente perdoa aos pecadores arrependidos, por maiores que sejam os seus pecados. Depois o mesmo Eusébio o conduziu à assembleia dos fiéis, onde se admitiam as pessoas que desejavam instruir-se em tão luminosos mistérios.

Afirma o próprio São Cipriano, no livro da sua Confissão, que à vista do respeito e piedade de que estavam penetrados os fiéis, adorando o verdadeiro Deus, o tocou vivamente no coração. Diz ele: “Eu vi cantar naquele coro os louvores de Deus e terminar cada verso dos salmos com a palavra hebraica Aleluia; tido com atenção tão respeitosa e com tão suave harmonia, que me parecia estar entre os anjos ou entre os homens celestes.”

No fim da função admiraram-se os assistentes de que um tal presbítero, como era Eusébio, introduzisse a Cipriano naquele sagrado congresso. E o mesmo bispo, que estava presidindo, muito mais o estranhou, porque não julgava sincera a conversão de Cipriano. Porém, ele dissipou logo essas dúvidas, queimando, na presença de todos, os seus livros de mágica, e introduzindo-se no número dos catecúmenos, depois de haver distribuído todos os seus bens aos pobres.

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Instruído, pois Cipriano, e com suficiente disposição, o bispo o batizou, e juntamente a Aglaide, apaixonado de Justina, que, arrependido da sua loucura, quis emendar a sua vida e seguir a fé verdadeira. Tocada Justina destes dois exemplos da divina misericórdia, cortou os seus cabelos em sinal de sacrifício que fazia a Deus da sua virgindade, e repartiu também aos pobres todos os bens que possuía.

Cipriano, depois disto, fez maravilhosos progressos nos caminhos do Senhor; e sua vida ordinária foi um perene exercício na mais rigorosa penitência. Via-se muitas vezes na igreja, prostrado por terra, com a cabeça coberta de cinza, rogando a todos os fiéis que implorassem para ele a divina misericórdia. E para mais se humilhar e suprimir a sua antiga soberba, obteve, a força de muitos pedidos, que lhe desse o emprego de varredor da igreja.

Ele morava em companhia do presbítero Eusébio, a quem venerou sempre como a seu pai espiritual. E o divino Senhor que se digna ostentar os tesouros da sua clemência sobre as almas humildes e sobre os grandes pecadores verdadeiramente convertidos, lhe concedeu a graça de realizar milagres. Isto junto a sua natural eloquência concorreu muito para converter à fé um grande número de idólatras, servindo-se para isso do famoso escrito da sua Confissão, na qual, fazendo públicos os seus crimes e enormes excessos, animava a confiança, não só dos fiéis, mas a dos maiores pecadores.

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A morte de São Cipriano

Entretanto, o nome de São Cipriano o seu zelo e as numerosas conquistas que fazia para o reino de Jesus Cristo não podiam ser ignoradas dos imperadores. Diocleciano, que então se achava em Nicomédia, informado das maravilhas que realizava São Cipriano, e da perfeita santidade da virgem Justina, passou ordem para serem presos, o que logo executou o Juiz Eutolmo, governador da Fenícia.

Conduzidos pois à presença desse juiz, responderam com tanta generosidade e confessaram, com tanta eficácia, a fé em Jesus Cristo que pouco faltou para converterem o ímpio bárbaro. Mas, para que não se julgasse que ele favorecia os cristãos, mandou logo açoitar, com duas cordas, a Santa Justina, e despedaçar com pentes de ferro as carnes de São Cipriano tudo com tamanha crueldade que até aos mesmos pagãos causou horror!

Vendo então o tirano que nem promessas nem ameaças, nem aquele rigoroso suplício, nada abatia a firme constância dos generosos mártires, mandou lançar a cada um em uma grande caldeira cheia de pez, de banha e cera a ferver. Mas o prazer e a satisfação, que se admirava no rosto e nas palavras dos mártires, davam bem a conhecer que nada padeciam com aquele tormento. E o caso é que até se percebia que o mesmo fogo, que estava debaixo das caldeiras, não tinha o mínimo calor.

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