Aspectos vocais do cantor erudito - 17.12.12

Aspectos vocais do cantor erudito - 17.12.12

(Parte 1 de 7)

ASPECTOS VOCAIS DO CANTOR ERUDITO: estudo bibliográfico

TERESINA 2012

ASPECTOS VOCAIS DO CANTOR ERUDITO: estudo bibliográfico

Monografia apresentada ao Centro Universitário do Piauí – UNINOVAFAPI, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel de Fonoaudiologia.

Orientador(a): Profª. Ms. Méssia Pádua Almeida Bandeira.

TERESINA 2012

A148a ABI-ACKEL, Keity Farias.

Aspectos vocais do cantor erudito: estudo bibliográfico / Keity

Farias Abi-Ackel. Orientador (a): Prof. Msc. Méssia Pádua Almeida Bandeira: Centro UNINOVAFAPI, 2012. 47. f.

Monografia (Bacharelado em Fonoaudiologia) – Centro

I. Titulo

UNINOVAFAPI, Teresina, 2012. 1. Fonoaudiologia; 2. Técnica vocal; 3. Escolas Nacionais de canto. CDD. 616.855

ASPECTOS VOCAIS DO CANTOR ERUDITO: estudo bibliográfico

Monografia apresentada ao Curso de Fonoaudiologia Centro Universitário do Piauí – UNINOVAFAPI, para obtenção do grau de Bacharel em Fonoaudiologia.

Data de aprovação _ /_/_. BANCA EXAMINADORA

Profª Ms. Méssia Pádua Almeida Bandeira Orientadora

Profª Ms. Thaíza Estrela Tavares 1º Examinador

Prof Esp. Cláudio Correia Lima 2º Examinador

Para Neuza Farias, Kelly e Anacer Abi-Ackel; Para Bruno Cardoso.

Educa o terreno e terás o pão farto. Educa a árvore e recolherás a bênção do fruto. Educa o minério e obterás a utilidade de alto preço. Educa a argila e plasmarás o vaso nobre. Educa a inteligência e atingirás a sabedoria. Educa as mãos e acentuarás a competência. Educa a palavra e colherás simpatia e cooperação. Educa o pensamento e conquistarás a ti mesmo. Sem o alfabeto anoitece o espírito. Sem o livro falece a cultura. Sem o mérito da lição a vida seria animalidade. Sem a experiência e a abnegação dos que ensinam, o homem não romperia as faixas da infância. Em toda parte, vemos a ação da Providência Divina no aprimoramento da Alma Humana Aqui, é o amor que edifica. Além, é o trabalho que aperfeiçoa. Mais adiante é a dor que regenera. Meus amigos, a Terra é nossa escola milenária e sublime. Jesus é o nosso Divino Mestre. O espiritismo, sobretudo, é obra de educação. Façamos, pois, da educação com o Cristo, o culto de nossa vida, para que a nossa vida possa educar-se e educar com o Senhor, hoje e sempre.

EMMANUEL (Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier)

Introdução: O cantor erudito é completamente diferente do cantor popular, ele desenvolve uma consciência vocal particular, geralmente conhecendo a fisiologia básica da produção da voz, e valorizando as regras de higiene vocal. Objetivo: Conhecer as escolas nacionais de canto erudito, suas principais características e técnicas utilizadas, bem como a atuação do fonoaudiólogo no aperfeiçoamento vocal de cantores eruditos. Metodologia: Foi escolhida uma pesquisa de caráter bibliográfico utilizando informações presentes, principalmente em livros, artigos, monografias e métodos de canto, disponíveis na biblioteca do Centro Universitário Uninovafapi, acervo pessoal e banco de dados virtual. Foram cruzados resultados utilizando os descritores Fonoaudiologia, Técnica Vocal e Escolas Nacionais de canto. Resultados: Após terem sido excluídos resultados que abordassem o canto popular ou reabilitação vocal, foram escolhidos 25 textos. Apesar das diferenças de ano de publicação, nacionalidade e atuação (cantores, preparadores vocais, fonoaudiólogos), todos os autores lidos concordam que o canto deve ser produzido da forma mais natural possível e com mínimo de esforço, sempre se deve atentar para fisiologia vocal, aquecimento e desaquecimento, postura, respiração e estilo musical. Os autores relataram a importância de o cantor buscar o profissional fonoaudiólogo para atenção individual à sua voz e evitar o abuso ou mau uso vocais. Conclusão: Os autores convergem para a indiscutível necessidade de o cantor manter hábitos vocais saudáveis e buscar o acompanhamento fonoaudiológico desde o aprendizado ao treino vocal e apresentação a fim de aumentar a longevidade e qualidade de sua voz.

Descritores: Fonoaudiologia. Técnica Vocal. Escolas Nacionais de Canto.

Introduction: The classical singer is completely different from the popular once he/she develops a particular vocal conscience, usually by knowing a basic physiology of the voice and worshiping the rules of vocal hygiene. Purpose: Get to know the national schools of singing, its main characteristics and tecniques, as well as the action of the Speech and Voice Therapist on the vocal enhancement of classical singers. Methodology: A bibliographic research was chosen mainly over books, scientific papers, thesis and singing methods available on the library of the Universitary Centre Uninovafapi, private library and virtual data bases. The key-words Speech and Voice Therapy, Vocal Tecnique and National Schools of Singing were crossed. Results: After excluded the results on popular singing or vocal rehab, 25 papers were chosen. Even though the differences on the publication year, nationality and field of action of the authors were great, they all agree about certain points: singing should be natural and the least effort should be made, always be aware of the vocal physiology, warm ups and work outs, posture, breathing and musical style. They all talk about the importance of the singer to find a Speech and Voice Therapist and pay special attention to his/her voice and avoid vocal abuse or vocal malfunction. Conclusion: The authors all agree that the singer should have healthy vocal habits and seek for the Speech and Voice Therapy since the beginning of the practice to the presentation in order to enlarge his/her vocal age and vocal quality.

Key-Words: Speech and Voice Therapy. Vocal Tecnique. Nacional Schools of Singing.

1 INTRODUÇÃO8
2 OBJETIVOS1
2.1 OBJETIVO GERAL1
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS1
3 REFERÊNCIAL TEÓRICO12
3.1 VOZ12
3.2 FISIOLOGIA DA FONAÇÃO12
3.3 VOZ PROFISSIONAL14
3.4 VOZ NO CANTO ERUDITO16
3.5 AS ESCOLAS NACIONAIS DE CANTO ERUDITO
3.5.1 ESCOLA ITALIANA (OU BEL CANTO)
3.5.2 ESCOLA ALEMÃ (OU GERMÂNICA)
3.5.3 ESCOLA FRANCESA (OU BARROCA)
3.6 TÉCNICAS VOCAIS PARA O CANTO
3.6.1 AQUECIMENTO
3.6.2 DESAQUECIMENTO
3.6.3 TÉCNICA ALEXANDER
3.7 ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NO CANTO ERUDITO27
4 METODOLOGIA31
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO32
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS39
REFERÊNCIAS41
ANEXO46
PESQUISA47
APÊNDICE48

1 INTRODUÇÃO

A voz é a maneira pela qual os seres humanos exprimem seus pensamentos, ideias e sentimentos, assim, muitas características da voz refletem nada menos que nossa alma, nosso jeito de ser e agir.

A fascinação pelo estudo da voz tem sido demonstrada por séculos. Hipócrates (séc. V a. C.) citou especulações sobre a importância dos pulmões, traqueia, lábios e língua na fonação. Galeno (131 à 201 d.C.) descreveu as cartilagens da laringe e comparou a fonação com o som da flauta. Manuel Garcia (1805), interessado em compreender o mecanismo vocal no canto, contribuiu enormemente com seus estudos sobre a fisiologia laríngea, sendo sugerido por diversos pesquisadores ainda hoje.

Através do trabalho de Pedro Bloch (década de 1950), consolida-se a Foniatria no Brasil como ciência da Laringologia e Fonoaudiologia. A partir daí, relevantes trabalhos nas áreas de Otorrinolaringologia, Fonoaudiologia e canto, com tecnologia avançada, vem sendo realizados para assegurar o equilíbrio do aparelho fonador possibilitando ao profissional da voz compreender o mecanismo vocal e aperfeiçoar técnicas para o melhor desempenho de sua performance (GRANGEIRO, 1999).

Cantores e atores precisam de exercícios específicos para os músculos que trabalham, a fim de criar resistência e força vocais, assim como os atletas profissionais o fazem em conformidade com seus treinadores e preparadores físicos, a fim de evitar lesões e melhorar seu desempenho profissional.

De fato, Miller (2000) afirma que muitos cantores sofrem de problemas causados por mau uso e hábitos vocais inadequados devido a terem sido instruídos a cantar dessa ou daquela forma por profissionais não qualificados para tal.

Alguns destes hábitos vocais incorretos advêm principalmente de grupos vocais populares, alguns baseados principalmente em práticas vocais lucrativas, porém destrutivas. É sabido que cantores jovens, e alguns não tão jovens, com treinamento vocal limitado podem se tornar estrelas no mundo do entretenimento da noite para o dia. Seu sucesso pode não ser baseado em sua beleza vocal, habilidade ou talento musical incomum, mas em critérios de marketing. Muitos se envolvem frequentemente em atividades vocais que exigem participação ativa do músculo vocal. (MILLER, 2000, p. 30).

Mesmo que o cantor assuma hábitos vocais corretos, depois de algum tempo, ele sofrerá algumas lesões causadas pelo mau uso vocal prolongado e levará muito tempo em treinamentos e tratamentos para minimizar os efeitos de tal abuso.

O trabalho fonoaudiológico junto a cantores pressupõe alguns conhecimentos básicos e outros específicos, tanto da fonoaudiologia como de outras áreas. Este parece ser um ponto comum no campo da fonoaudiologia que pretende conhecer, reabilitar e pesquisar os chamados profissionais da voz.

Para que o fonoaudiólogo possa ser considerado apto para o trabalho com tais profissionais é preciso que desenvolva, ao longo de sua formação e exercício profissional, os conhecimentos teóricos básicos nas áreas de anatomia e fisiologia da laringe; noções de acústica e psicoacústica, de avaliação otorrinolaringológica do aparelho fonador (trato vocal, laringe) e quais exames podem ser realizados pelo médico para avaliar tais estruturas – exame de laringoscopia, indireta e direta, laringologia com o telescópio rígido, endoscópio flexível, e assim por diante; habilitação em avaliação perceptiva da voz; possibilidade de avaliação da respiração, postura, ressonância e articulação, do mesmo modo como são feitas as avaliações da voz falada. Quando o cliente que nos procura é um cantor, no entanto, além de todos esses conhecimentos, devem ser acrescentadas noções, mesmo que superficiais, nas áreas da música, canto individual e coral, entre outros. (CAMPIOTTO, 2012, p. 723).

O fonoaudiólogo passa a lidar não só com termos como constrição laríngea, fenda fusiforme, nódulos vocais, mas também com alguns fisiologicamente estabelecidos, como falsete, voz de peito, apoio, vibrato e outros não, como “ar na voz”, “voz timbrada”, “passagem”, e assim por diante.

O contexto de aprendizado, treinamento e exercício profissional do cantor é, segundo Campiotto (2012), único (no sentido de típico) e variável e é preciso que o fonoaudiólogo conheça tanto as nuances que tornam o universo desse grupo de profissionais homogêneo, como suas variações. Sem dúvida existem constantes comportamentais que se identificam num grupo de cantores evangélicos, do mesmo modo que outras características comuns os diferenciam dos cantores da noite. Cabe ao fonoaudiólogo cercar-se do maior número possível de informações sobre um ou outro grupo, quer pela leitura, supervisão e cursos teóricos, quer pela entrevista ou o convívio com membros de tais grupos.

Esta talvez seja a maneira mais eficiente de adquirir conhecimento numa área de formação e atuação diferente da nossa, ou seja, pensamos que se torna muito importante, e até fundamental, muitas vezes, que o fonoaudiólogo submeta a si próprio a aulas de canto, solfejo, piano, ou ainda, se lhe for prazeroso, participe de grupos corais. Nenhuma leitura substituirá tal vivência (CAMPIOTTO, 2012).

Não queremos dizer com isso que o fonoaudiólogo deva ser um cantor, ou mesmo um bom cantor, para que possa desenvolver um trabalho bom com tais profissionais da voz. Acreditamos, no entanto, que a possibilidade de emitir uma determinada nota com volume e cor adequados serve como um ótimo modelo para o cliente e, como em qualquer outro caso, o modelo parece ser um ponto facilitador no desenvolvimento de um trabalho terapêutico. Além do que, o fonoaudiólogo só poderá compreender, avaliar e corrigir questões de respiração, apoio e colocação da voz no canto, se ele mesmo tiver experimentado as diferentes possibilidades de execução e os resultados obtidos em cada uma delas (CAMPIOTTO, 2012).

Cantores eruditos, mais especificamente, são instruídos seguindo regras e técnicas diversas, conforme as escolas (ou correntes) que escolham seguir. Cada uma dessas escolas trabalha aspectos diferentes da respiração, projeção, apoio, tipos de voz e exercícios, assim como cada uma enfoca um ou mais desses aspectos em detrimento de outros. E a forma como eles utilizam suas vozes depende intimamente da escola onde eles aprenderam e mesmo de suas preferências musicais, de acordo com a inferência que se faz do exposto em sequência:

O sucesso dos alunos se encontra na noção pré concebida que eles têm de som e técnica vocal associada ao gosto pré concebido por uma escola ou outra. É inevitável que o professor de técnica vocal, quando explicando sua metodologia e o mecanismo de produção vocal, encontre olhares de incompreensão ou mesmo raiva, enquanto seus alunos pensam “…., mas meu professor diz…” ou, como todos sabem, um professor de técnica vocal ouve, de vez em quando: “oh, eu simplesmente odeio música francesa”. Atravessar essas dificuldades é possível se formos sensíveis e compreensivos (HOLLAND, 2008, p. 2).

Tendo em vista essas questões e a necessidade de atuação profissional, este estudo analisa as escolas nacionais de canto erudito e suas características, descrevendo-as e identificando seus usos, bem como a atuação fonoaudiológica, já que a inserção deste na equipe multidisciplinar de preparação artística é premente, pois é o profissional habilitado para treinar sua técnica, respiração, articulação, ressonância, projeção, postura, e expressão musical, preocupando-se principalmente com a fisiologia da emissão vocal e impedindo o mau uso dessas estruturas.

1 2 OBJETIVOS

2.1 Objetivo Geral

Conhecer as escolas nacionais de canto erudito, suas principais características e técnicas utilizadas, bem como a atuação do fonoaudiólogo no aperfeiçoamento vocal de cantores eruditos.

2.2 Objetivos Específicos

Descrever as características das Escolas Nacionais de Canto Erudito; Investigar as técnicas vocais utilizadas pelo cantor erudito;

Discutir sobre a atuação fonoaudiológica na preparação vocal do cantor erudito.

3 REFERENCIAL TEÓRICO

3.1 A Voz

A voz está presente em todas as atividades que o ser humano exerce e, por meio dela, exprime mensagens de alegria, tristeza, raiva, dor, medo, entre outros. Ela reflete nosso gênero, idade, posição social, nível de escolaridade e até nossos gostos.

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