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~a Agricultura e do Abastecimento

AVALIAÇÃO DA APTIDÃO AGRíCOLA DAS TERRAS DO MUNiCíPIO

Documentos No 21Dezembro, 1999

ISSN 1517-2201

João Marcos Lima da Silva José Raimundo Natividade Ferreira Gama Moacir Azevedo Valente Raimundo Silva Rêgo Tarcísio Ewerton Rodrigues Paulo Lacerda dos Santos Emanuel Queiroz Cardoso Júnior Paulo Roberto Oliveira da Silva

Documentos, 21 Exemplares desta publicação podem ser solicitados à: Embrapa Amazônia Oriental Trav. Dr. Enéas Pinheiro, s/n Telefones: (91) 276-6653, 276-6333 Fax: (91) 276-9845 e-mail: cpatu@cpatu.embrapa.br

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Tiragem: 200 exemplares

Comitê de Publicações Leopoldo Brito Teixeira – PresidenteJoaquim Ivanir Gomes Antonio de Brito SilvaMaria do Socorro Padilha de Oliveira Antonio Pedro da S. Souza FilhoMaria de N. M. dos Santos – Secretária Executiva Expedito Ubirajara Peixoto Galvão

Revisores Técnicos Antonio Carlos da C. P. Dias – FCAP Benedito Nelson Rodrigues da Silva – Embrapa Amazônia Oriental Orlando dos Santos Watrin – Embrapa Amazônia Oriental

Expediente Coordenação Editorial: Leopoldo Brito Teixeira Normalização: Silvio Leopoldo Lima Costa Revisão Gramatical: Maria de Nazaré Magalhães dos Santos Composição: Euclides Pereira dos Santos Filho

SILVA, J.M.L. da; GAMA, J.R.N.F.; VALENTE, M.A.; REGO, R.S.;

RODRIGUES, T.E.; SANTOS, P.L. dos; CARDOSO, JÚNIOR, E.Q.; SILVA, P.R.O. Avaliação da aptidão agrícola das terras do município de Colares – Estado do Pará. Belém: Embrapa Amazônia Oriental, 1999. 26p. (Embrapa Amazônia Oriental. Documentos, 21).

ISSN 1517-2201

1. Aptidão agrícola – Brasil-Pará-Colares. 2. Uso da terra. 3. Solo

– Mapa. I. Gama, J.R.N.F., colab. I. Valente, M.A., colab. II. Rego, R..S., colab. IV. Rodrigues, T.E., colab. V. Santos, P.L. dos, colab. VI. Cardoso Júnior, E.Q., colab. VII. Silva, P.R.O. da, colab. VIII. Embrapa. Centro de Pesquisa Agroflorestal da Amazônia Oriental (Belém, PA). IX. Título. X. Série.

CDD: 631.478115

INTRODUÇÃO5
DISCRIMINAÇÃO DAS ATIVIDADES6
TRABALHO DE CAMPO6
TRABALHO DE ESCRITÓRIO7
CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA7
VEGETAÇÃO8
GEOLOGIA10
RELEVO1
HIDROGRAFIA12
CLIMA13
RESULTADOS E DISCUSSÃO18
AVALIAÇÃO DAS CLASSES DE APTIDÃO AGRÍCOLA18
CARACTERIZAÇÃO DOS SUBGRUPOS MAPEADOS19
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES21
ANEXO23

SUMÁRIO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................ 25

João Marcos Lima da Silva1 José Raimundo Natividade Ferreira Gama2 Moacir Azevedo Valente1 Raimundo Silva Rêgo Tarcísio Ewerton Rodrigues2 Paulo Lacerda dos Santos1 Emanuel Queiroz Cardoso Júnior3 Paulo Roberto Oliveira da Silva4

Este trabalho visa avaliar as condições agrícolas das terras do município de Colares, Estado do Pará, levando em consideração as características do meio ambiente e das propriedades físicas e químicas das diferentes classes de solos. Para que tais ações pudessem ser determinadas, foi necessário proceder a utilização do levantamento de solos em nível de reconhecimento de alta intensidade do município, desenvolvido anteriormente para servir de elemento básico na avaliação da aptidão agrícola das terras da região. Esta avaliação servirá como ferramenta indispensável na elaboração do zoneamento agroecológico municipal, a ser elaborado posteriormente.

A avaliação da aptidão agrícola, em síntese, consiste no posicionamento das terras dentro de seis grupos, de acordo com a metodologia do sistema de interpretação desenvolvido por Bennema et al. (1964) e ampliada por Ramalho

Eng.-Agr., M.Sc., Embrapa Amazônia Oriental, Caixa Postal 48, CEP 66017-970,

Belém, PA.Eng.-Agr., Doutor, Embrapa Amazônia Oriental.In memorian.Eng.-Agr., Bolsista do CNPq/Embrapa Amazônia Oriental.Eng.-Agr., Bolsista da CAPES/FCAP, Caixa Postal 917, CEP 66077-530, Belém, PA.

Filho et al. (1978),visando mostrar as alternativas de uso de uma determinada extensão de terra, em função da viabilidade de melhoramento das cinco qualidades básicas e da intensidade de limitação que persistir após a utilização de práticas agrícolas inerentes aos sistemas A,B e C.

Os trabalhos necessários à avaliação da aptidão agrícola das terras do município de Colares foram desenvolvidos em duas etapas distintas, compreendendo os trabalhos de campo e de escritório, segundo Ramalho Filho et al. (1978).

Durante a execução dos trabalhos de campo para a realização do mapeamento de solos e uso das terras do município, foram observados, coletados e avaliados dados sobre o aspecto e comportamento de várias culturas, vegetação natural, topografia, declividade, comprimento das pendentes, erosão, pedregosidade, rochosidade, profundidade efetiva, variação sazonal do lençol freático, risco de inundação, uso agrícola e pecuário, além de observações sobre o período de utilização e a manutenção das diversas classes de solo.

No decorrer dos trabalhos de campo, além dos perfis representativos das várias classes de solos, foram também coletadas amostras extra-superficiais para se avaliar a disponibilidade de nutrientes necessários ao desenvolvimento das culturas (Reunião, 1979).

O estudo e a ordenação dos dados coletados durante o mapeamento dos solos no campo, associados aos resultados das análises dos perfis e amostras superficiais e subsuperficiais, serviram de base para as interpretações das propriedades químicas, físicas e mineralógicas das diversas classes de solos.

Posteriormente, foi elaborada uma tabela em função dos graus de limitações referentes à deficiência de água, deficiência de oxigênio, susceptibilidade à erosão e impedimentos ao uso de implementos agrícolas, para cada classe de solos.

Finalmente, depois do estabelecimento dos subgrupos de aptidão agrícola, foi elaborada a legenda do mapa de aptidão agrícola das terras. No caso em que as unidades de mapeamento são constituídas por associações de classes de solos, foram representados no mapa, a aptidão dominante, todavia considerando-se todos os componentes da associação. O mapa final foi confeccionado na escala 1:100.0 com base em imagem de Satélite TM-5, WRS 223/061, 5R4G3B de 1995.

O município de Colares é uma ilha com cerca de 250 km2, separada do continente pelo Furo-da-laura. A sede do município localiza-se à margem da baía do Marajó, distando 93,9 km da capital do Estado do Pará, com acesso pelas rodovias BR-316, PA-140 e PA-238, onde na localidade de Penha-Longa é feita a travessia por meio de balsa. Seus limites naturais são: ao norte com a baía de Marajó; ao sul com o município de Santo Antônio do Tauá; a leste com o município de Vigia; e a oeste a baía do Sol. O mapa de localização (Fig. 1) mostra a sua posição em relação ao Estado.

FIG. 1. Mapa de localização do município de Colares, Estado do Pará.

A cobertura do município de Colares, segundo a classificação adotada pela Embrapa (1988), está composta por três formações florestais bem distintas: Floresta Equatorial Subperenifólia, Floresta Equatorial Subperenifólia hidrófila e higrófila de várzea e os Campos Equatoriais Higrófilos.

As características desses ecótipos representam subsídios importantes, no tocante a suprir a falta de dados referentes às condições térmicas e hídricas dos solos ocorrentes. Estas condições, além do significado pedogenético, têm grande aplicação ecológica, o que permite o estabelecimento de relações entre as unidades de solos e sua aptidão agrícola, aumentando pois a utilização dos levantamentos de solos.

Floresta equatorial subperenifólia

Esta formação cobria a maior parte da região estudada, tendo sido subsidiada através de processo antrópico por revestimento florístico, do tipo “capoeiras latifoliadas”, com várias idades e pouca incidência da vegetação primária, a qual foi moderadamente preservada, somente em pequenas manchas esparsas, todavia com varias essências da vegetação primitiva (Silva et al., 1994). As espécies mais comuns são: Cecropia sp. (imbaúba); Chimanis turbinata (pau- -mulato); Eschweilera odorata (matá-matá branca); Vismia spp. (lácre); Couratari sp. (tauari); Bertholetia excelsa (castanha-do-brasil) e núcleos de palmeiras, principalmente o buriti (Mauritia flexuosa); açaí (Euterpe oleracea) e bacaba (Oenocarpus bacaca) (Brasil, 1973).

Floresta equatorial subperenifólia hidrófila e higrófila de várzea

Regionalmente conhecidas como mata de várzea, são bastante significativas na área.

Caracterizam-se por permanecerem permanentemente e periodicamente inundadas, respectivamente, porém sem interferência de água salina e compõe-se de espécies florestais de porte mediano e ocorrência de alguns indivíduos de menor porte, e presença de palmeiras e bambus no sub-bosque.

Essas formações são caracterizadas em grande proporção por madeiras moles, sem valor comercial, com exceção da andiroba (Carapa guianiensis); açacu (Hura creptans); breu-branco-de-várzea (Protium unifolium); louro- -de-várzea (Nectandra amazonicum); tapereba (Spondea lutea); samaúma (Ceiba pentandra) e buriti (Manritia flexuosa); genipapo (Genipa americana); ingá (Inga distia). A vegetação hidrófila encontra-se nas áreas permanentemente alagadas e cobrindo os corpos d’água nas margens.

Campos equatoriais higrófilos

Não representam grande expressão na área, localizam-se próximos da cidade de Colares; na confluência do ramal da fazenda com a PA-238 e uma pequena ocorrência no ramal para Genipaúba. Apresentam uma fisionomia campestre com a presença de capim barba-de-bode (Aristia sp.); piripomonga (Laersia lexandra); buriti (Mauritia flexuosa) e caranã (Mauritia caranã); vegetal característico neste ecossistema. Os solos dominantes neste ambiente são o Podzol Hidromórfico e as Areias Quartzosas Hidromórficas situadas em relevo plano.

A geologia da região foi baseada em trabalhos realizados pelo projeto RADAMBRASIL e por observações realizadas durante os trabalhos de campo. Assim, no município de Colares, foi possível identificar dois períodos geológicos bem distintos, representados pelo Quaternário e Cretáceo/Terciário, conforme descrição a seguir, evidenciando esses períodos com sua distribuição na área (Brasil, 1973).

Quaternário

Representado por depósitos aluvionares recentes, constituídos por areias, siltes e argilas inconsolidadas. Aparecem como faixa estreita e, às vezes, descontínuas, ao longo dos rios mais importantes como o Curuparé, Tauapará, Tupinambá e Furo Boca-Larga, onde são presentes os solos aluviais e gleis. Ocorrem também em todo o litoral da área, constituindo as praias e várzeas, nesses locais são desenvolvidos os solos aluviais e gleis com fertilidade natural mais alta, sob cobertura de Floresta Subperenifólia higrófila de Várzea com relevo plano.

Cretáceo/terciário

Está representado pela Formação barreiras, que é constituída por sedimentos clásticos, mal selecionados, variando de siltitos a conglomerados. As cores predominantes são o amarelo e o vermelho, porém variam muito de local para local. Os arenitos, em geral, são caulínicos, com lentes de folhelhos. Os sedimentos Barreiras formam, na região, um relevo bem suave, indo de plano a suave ondulado, terminando em determinadas áreas, como em frente à cidade de Colares, em falésias para a baía de Marajó, seguindo em direção sul do litoral até o Furo Boca-Larga. Esta formação geológica ocupa aproximadamente 50% da área e compõe os materiais formadores dos Latossolos Amarelos sob cobertura da Floresta Equatorial Subperenifólia, que representa os solos dominantes do município.

Pelas observações realizadas durante os trabalhos de campo, foi possível constatar a presença de duas formas de relevo bem perceptíveis: o plano e o suave ondulado.

Plano

São presentes nas áreas das planícies aluviais, regiões permanentemente inundadas, representadas pelas várzeas que acompanham o Furo-da-laura e o litoral banhado pela baía do Marajó, assim como, nas várzeas dos igarapés com nascente na parte central da ilha. Nesses locais são encontrados os solos hidromórficos, de origem sedimentar pertencentes ao período Quaternário.

Nas áreas de terra firme, nas extenções superfícies aplainadas dos divisores d’água, dominam os Latossolos Amarelos, desenvolvidos a partir de sedimentos préedafizados da Formação Barreiras (Silva, 1989).

Suave Ondulado

Esta formação topográfica é pouco expressiva no município. É encontrado somente nas áreas próximas aos cursos d’água, ou seja, onde começa a dissecação para as drenagens. Nessas feições topográficas são encontrados os Latossolos Amarelos sob cobertura de vegetação secundária da Floresta Equatorial Subperenifólia.

O município de Colares é formado por uma ilha separada do continente por um único limite natural, o Furo- -da-laura, e toda a sua faixa litorânea banhada pela baía de Marajó.

Este furo, além de ser uma das vias de maior importância do município, no que se refere à locomoção, permite durante todo o ano a navegação de pequenas e médias embarcações contribuindo, nesse sentido, com o transporte dos produtos regionalmente produzidos e destinados aos grandes centros consumidores.

A baía de Marajó, servindo como ponto de partida para toda a Região Norte, possui um papel de extrema relevância em determinados locais da ilha, haja vista, a formação de praias com paisagens litorâneas bastante pitorescas, fato que vem estimulando a implantação de grandes projetos turísticos, melhorando em conseqüência disto a qualidade de vida da população local.

Outros rios de grande importância na economia da região são: o Curuparé, Tauapará, Itajurá e Tupinambá, não pela navegabilidade, mas pelo aproveitamento agrícola de suas margens, bastante utilizadas com culturas de subsistências.

Fazendo parte da rede hidrográfica, encontram-se rios de menor volume d’água, todavia de importância no que diz respeito à pecuária e agricultura do município, é o caso dos igarapés: Iraqueçauá e Tauandeua ao norte; Maracajá, Mirititeua, Piquiateua e Jenipaúba, ao sul; Marajó, Tiririteua e Itajurá, a leste; e Cajueiro, Chacara, Lourenço, Iriri e Boca- -Larga, a oeste.

Os elementos climáticos que caracterizam a ilha de Colares atribuem as mesmas condições gerais de clima quente e úmido expressas sob o tipo climático Af de Köppen.

As condições térmicas e hídricas da referida localidade, elementos decisivos no condicionamento da viabilidade e limitações climáticas das espécies, foram baseados segundo os dados de Balanço Hídrico da ilha do Mosqueiro, que é limite da área e possui as mesmas características climáticas da região estudada.

Temperatura do Ar

A temperatura do ar da ilha de Colares atinge média anual de 26,50 C com pequenas oscilações dos valores médios mensais durante o ano, determinando o ambiente praticamente estável, sem ocorrência de meses quentes e frios (Fig. 2).

A média das máximas e mínimas alcançam 31,90C e 21,10C, respectivamente.

Jan. Fev. Març. Abr . Maio Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez. FIG. 2.’’ Temperatura média anual da ilha de Colares, PA.

Insolação

A insolação representada na Fig. 3, podendo-se notar que a somatória do número de horas de brilho solar está em torno de 2:00h.

A maior concentração de insolação durante o ano verifica-se no período de junho a novembro, e corresponde à época em que as chuvas em geral são menos freqüentes.

Unidade Relativa

A condição normal da localidade é de elevado teor de umidade do ar, expresso em média anual de 82% (Fig. 4).

A distribuição da umidade relativa durante os meses acompanha a da precipitação, ocorrendo no período mais chuvoso as maiores médias de umidade.

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