Solos e Avaliação da Aptidão Agrícola das Terras do Município Castanhal,estado do do Pará

Solos e Avaliação da Aptidão Agrícola das Terras do Município Castanhal,estado do...

(Parte 1 de 3)

.;~ Ministério da Agricultura, ~ Pecuária e Abastecimento

ISSN 1517-2201 Setembro, 2001

Solos e A'v'a1i-aiâo\da Aptidão

Agrícola das Terras do Município

Castanhal, ~'ita:dodo Pará

Fernando Henrique Cardoso Presidente

Marcus Vinícius Pratini de Moraes Ministro

Conselho de Administração

Márcia Fortes de Almeida Presidente

Alberto Duque Portugal Vice-Presidente

Dietrich Gerhard Quast José Honório Accarini

Sérgio Fausto

Urbano Campos Ribeiral Membros

Diretoria-Executiva da Embrapa

Alberto Duque Portugal Diretor-Presidente

Dante Daniel Giacomelli Scolari

Bonifácio Hideyuki Nakasu José Roberto Rodrigues Peres Diretores

Embrapa Amazônia Oriental

Emanuel Adilson de Souza Serrão Chefe Geral

Miguel Simão Neto Chefe Adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento

Antonio Carfos Paula Neves da Rocha Chefe Adjunto de Comunicação, Negócios e Apoio

Célio Armando Palheta Ferreira Chefe Adjunto de Administração

ISSN 1517-2201 Documentos Nº 119 Setembro, 2001

Solos e Avaliação da Aptidão

Agrícola das Terras do Município de Castanhal, Estado do Pará

Moacir Azevedo Valente

João Marcos Lima da Silva Tarcísio Ewerton Rodrigues

Eduardo Jorge Maklouf Carvalho Pedro Alberto Moura Rolim Eduardo Santos Silva Izabel Cristina Bergh Pereira

Os autores e demais integrantes do projeto GPE-018, Convênio SudamiEmbrapa, dedicam este trabalho ao companheiro Eng. Agrônomo, M.Sc., Raimundo Silva Rêgo, falecido no exercício da função de gerente do projeto.

Sumário

INTRODUÇÃO 7 DESCRiÇÃO GERAL DA ÁREA 8

EXTENSÃO TERRITORIAL E LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFiCA 8

GEOLOGIA EGEOMORFOLOGIA 8 CLIMA 9 CLASSIFICAÇÃO CLIMÁTiCA 10 VEGETAÇÃO 1 HIDROGRAFIA ; 12 METODOLOGIA 12 CARACTERIZAÇÃO DAS CLASSES DE SOLOS 14 ARGISSOLO AMARELO 14 ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO 17 ESPODOSSOLO FERROCÁRBICO 17

GLEISSOLO HÁPLlCO 18 NEOSSOLO FLÚVICO 18

APTIDÃO AGRíCOLA DAS TERRAS 19

NíVEIS DE MAN EJO 2 CONSIDERAÇÕES GERAIS 23

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 24 ANEXOS 27

AGRíCOLA DAS TERRAS DO MUNiCíPIO DE CASTANHAl, ESTADO DO PARÁ 1

Moacir Azevedo Valente- João Marcos Lima da Silva-

Tarcísio Ewerton Hodriques" Paulo Lacerda dos Santos-

Eduardo Jorge Maklouf Carvalho" Pedro Alberto Moura Rolirn" Eduardo Santos Silva" Izabel Cristina Bergh Pereira" o conhecimento das características intrínsecas e extrínsecas dos solos é de fundamental importância para avaliação da sua aptidão agrícola com base na interpretação do grau de intensidade dos fatores limitantes do uso da terra.

Através da caracterização morfológica dos solos, da interpretação dos resultados analíticos, do conhecimento das características climáticas e das condições de relevo da região, é possível a indicação de técnicas de manejo e conservação mais adequadas, com vistas ao melhoramento das condições dos solos e das lavouras.

Com base nos resultados da avaliação da aptidão agrícola das terras, é possível a localização de áreas com melhores possibilidades de utilização agropecuária e uma estimativa criteriosa da potencialidade do município em termos de qualidade e extensão dos seus solos.

'Trabalho executado através do projeto GPE - 018, Convênio Sudam/Embrapa. 2Eng. Agrôn., M.Sc., Pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, Caixa Postal 48, CEP 66017-970, Belém,PA. E-mail: mvalente@cpatu.embrapa.br

jmarcos@cpatu.embrapa.br lacerda@cpatu.embrapa.br 3Eng. Agrôn., Ph.D., Pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental. E-mail:

tarcisio@cpatu.embrapa.br 4Eng. Agrôn., Técnica da Sudam. 5Eng. Ftal., Técnico da Sudam.

6Téc. Recursos Hídricos e Analista de Sistema, Técnico da Sudam.

Este trabalho foi executado através do acordo de cooperação técnica celebrado entre a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia - Sudam e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa através da Embrapa Amazônia Oriental, e servirá como subsídio para a elaboração do Zoneamento Agroecológico do Município de Castanhal, Estado do Pará.

DESCRiÇÃO GERAL DA ÁREA

O Município de Castanhal, com uma extensão territorial de 1.044,18 krn", localiza-se na mesorregião 03- metropolitana de Belém, microrregião 008-Castanhal, entre as coordenadas geográficas 01 e 01 de latitude sul e e de longitude oeste de Greenwich. Limita-se ao norte com os municípios de Terra Alta, Vigia e São Caetano de Odivelas; ao Sul com Inhangapi, São Miguel do Guamá e Santa Maria do Pará; à Leste com São Francisco do Pará; e, à Oeste com os Municípios de Santo Antônio do Tauá e Santa Izabel do Pará. Sua sede municipal possui as coordenadas geográficas 01 de latitude sul e longitude oeste de Greenwich.

A área do município é constituída, dominantemente, por sedimentos antigos da Formação Barreiras, compostos de arenitos finos e grosseiros, siltitos e argilitos caulínicos, pertencentes ao período geológico Terciário (Brasil, 1973). Em menor proporção são encontrados os depósitos de sedimentos recentes do Quaternário constituídos por cascalhos, areias e argilas inconsolidadas que ocorrem nas faixas estreitas e descontínuas acompanhando os cursos d'água. A feição geomorfológica do Município de Castanhal é dominantemente de tabuleiros ou baixos platôs pediplanados bem conservados. Ocorrem, também, colinas de topos aplainados, moderadamente dissecadas, principalmente às proximidades da sede municipal e acompanhando as margens do Rio Apeú e seus pequenos afluentes, e, na margem do Rio Inhangapi. De um modo geral, o relevo do município é plano, com declividade que varia de 0% a 3% . Todavia, ocorrem setores com relevo suave ondulado a ondulado com declividade variando de aproximadamente 3% a 15% (Embrapa, 1999).

Com base nos dados da Estação Climatológica de Castanhal - EMBRAPA (1973 a 1987), Tabela 1; e nos Postos Pluviométricos de Castanhal -.ANEEL (1972 a 1999L Tabela 2; Macapazinho (1965 a 1972) e Boa Vista (1968 a 1972), realizou-se uma série de análises estatística / climatológica, o que possibilitou a caracterização climática do Município de Castanhal (Tabela 3).

Tabela 1. Resumo estatístico mensal dos parâmetros da Estação Climatológica de Castanha!- Embrapa 00147012.

Me s e sAbr. Ago. S.t. Out.

Tabela 2. Resumo estatístico mensal do posto pluviométrico

Tabela 3. Balanço hídrico da Estação Climatológica de Castanhal, PA. 00147012.

Mês Temp. Tab. Corr. EP P Neg. Ann. Ak. ER Def. Ele.

Jan.

Fev. Mar. Abr. Maio

Jun. Jul.

Ago. Set.

Out.

Nov. Dez.

o O

O O O O -6

O O 6 O

CLASSIFICAÇÃO CLIMÁTICA = 83 r A' A'

A classificação climática, segundo Thornthwaite &

Mather (1955), é baseada na série de índices a seguir: índice Hídrico ou índice Efetivo de Umidade - 1M, índice de Aridez - IA e índice de Umidade - IH. Com base nestes índices, foi identificado para o Município de Castanhal-PA, a seguinte classificação climática: B3 r A' a' - Clima Úmido com pequeno ou nenhum déficit de água no período seco (menos chuvoso - junho a novembro), megatérmico e com vegetação durante o ano todo. Segundo Kõppen, comparando-se ao estudo da Sudam (1984), foi identificado somente o subtipo Af que pertence ao clima tropical chuvoso (úmido), caracterizando-se por apresentar temperatura do ar média de todos os meses maior que 18 DC (megatérmico) e se diferencia pela quantidade de precipitação pluviométrica média mensal do mês mais seco maior ou igual a 60,0 m (Tabela 4).

Tabela 4. Classificação Climática Segundo Kõppen.

Código Nome da estação Prpa Te Tf A R a' Tipo Clima A (m) ('C) ('C) Mês (m) Mes Clima Sub.Categ.

A vegetação é composta, predominantemente, pela floresta equatorial subperenifólia densa (Embrapa, 1999). Caracteriza-se por apresentar fisionomia e estrutura variadas, com algumas espécies que perdem parcialmente a folhagem na época de maior estiagem. Normalmente, este tipo de revestimento florístico é denominado de floresta densa de terra firme ou floresta tropical úmida (Sudam, 1988). De acordo com a classificação adotada pelo IBGE (Veloso & Goes Filho, 1982) esta vegetação é classificada como floresta ombrófila densa. Vale ressaltar, no entanto, que estas classificações referem-se à vegetação primária. Atualmente, em decorrência de derrubadas sucessivas para uso agropecuário contínuo durante várias décadas, apare- cem as sucessões secundárias em diversos estágios de desenvolvimento, denominadas regionalmente de capoeiras que, embora com características de floresta equatorial subperenifólia, apresenta diferenças marcantes da vegetação primitiva, sobretudo no que diz respeito à considerável diminuição de espécies de valor econômico.

Em menor proporção ocorre a floresta equatorial higrófila de várzea, que ocorre margeando os cursos d'água. Caracteriza-se por apresentar espécies que não perdem folhas em nenhuma época do ano. Neste tipo de cobertura vegetal, é marcante a grande concentração de espécies de palmeiras como o açaizeiro (Euterpe olerácea, Mart.) e buritirana (Mauritia aculeata, H.E.K.). A classificação do IBGE para este tipo de vegetação é floresta ombrófila densa de planície aluvial.

Os principais rios do município são o Inhangapi, que serve de limite parcial entre Castanhal e o Município de Inhangapi, ao Sul, que deságua no Rio Guamá, e, o seu maior afluente da margem direita, o Rio Apeú, que nasce a Noroeste da sede municipal e percorre grande extensão (cerca de 30 km) paralelamente ao Município de Santa Izabel do Pará até alcançar o leito do Rio Inhangapi. Ao Norte, fazendo limite com os Municípios de Vigia e Terra Alta, e, a Nordeste, fazendo limite com o São Francisco do Pará, encontra-se o Rio Braço Direito do Marapanim.

O mapa de solos foi elaborado a partir da interpretação visual da imagem colorida obtida pela composição 5R4G3B do TM LANDSAT-5 de órbita/ponto WRS 223/061 N de 21.06.94 na escala 1:100.0. As unidades de mapeamento foram deli- mitadas com base nas características dos elementos de interpretação (padrão de relevo, padrão de drenagem, tonalidade da imagem, vegetação natural e textura fotográfica) que serviram para seleção das áreas de amostragem para execução dos trabalhos de campo e para extrapolação de resultados durante a confecção do mapa final. O trabalho de campo constou inicialmente de um reconhecimento geral da área, efetuando-se prospecções para classificação taxonômica preliminar dos solos com base nas suas características morfológicas, dando-se ênfase a cor, textura, drenagem interna e fases de pedregosidade, e, nas feições das formas de relevo. Simultaneamente, foram feitas observações quanto a aferição dos limites das unidades de mapeamento e da legenda preliminar. Em seguida efetuouse a abertura de trincheiras em áreas representativas para caracterização morfológica completa dos solos e coleta de amostras para análise em laboratório. A descrição morfológica e coleta de amostras de solos foram feitas de acordo com os procedimentos adotados pela Embrapa (Embrapa, 1988a; 1988b). As análises físico-químicas de solos foram realizadas no laboratório da Embrapa Amazônia Oriental de acordo com a metodologia

constante no Manual de Métodos de Análises de Solos (Embrapa., 1997). Para classificação taxonômica definitiva dos solos adotou-se o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos - 5a Aproximação (Embrapa, 1999). Para definição da modalidade do levantamento de solos e da sua escala de publicação adotou-se as normas e critérios da Embrapa (Embrapa, 1995).

O mapa de aptidão agrícola das terras foi elaborado a partir da interpretação dos resultados apresentados no mapa de solos, de acordo com o julgamento do grau de intensidade dos fatores limitantes de uso (deficiência de fertilidade, deficiência de água, excesso de água ou deficiência de oxigênio, susceptibilidade à erosão e impedimento à mecanização), adotando-se a metodologia de Ramalho Filho et aI. (1983). Esta metodologia admite diagnosticar a qualidade das terras nas classes boa, regular, restrita e inapta em três níveis de manejo, considerando-se a utilização de capital e emprego de tecnologias adequadas para o manejo, melhoramento e conservação das condições do solo e das lavouras.

Os solos dominantes no Município de Castanhal são o Argissolo Amarelo Distrófico, o Argissolo Vermelho- Amarelo Distrófico concrecionário, o Neossolo Flúvico Distrófico, o Gleissolo Háplico Distrófico e o Espodossolo Ferrocárbico Hidromórfico, ocupando 817,81 krn": 105,53 krn-: 64,61 krn": 53,64 krn": e, 2,59 krn-, respectivamente (Tabela 5). Outros solos que ocorrem em subdominância nas associações são o Latossolo Amarelo Distrófico, o Neossolo Quartzarênico Hidromórfico e o Latossolo Vermelho-Amarelo Distrófico concrecionário.

São solos minerais, profundos, bem drenados, pouco estruturados, com textura binária arenosa/média, com seqüência de horizontes do tipo A, Bt e C. Possuem cores bruno-escuro (10YR3/3, úmido); bruno-amarelado-escuro (10YR4/4, úmido); bruno-amarelado (1OYR5/4, 5/6 e 5/8, úmido); amarelo-brunado (10YR 6/8, úmido); e, bruno-forte (7,5YR 5/8, úmido).

Apresentam como principal característica a alta relação textural decorrente da marcante diferença no conteúdo de argila nos horizontes A e B textural (Embrapa, 1999). Não há evidência nítida de movimentação de argila ao longo do perfil, o que se verifica pela ausência de cerosidade. Apresentam grande semelhança com os Latossolos Amarelos de textura média, devido as características comuns ao horizonte diagnóstico B latossólico (Embrapa, 1999). Tanto é assim, que na unidade de mapeamento PAd1, de maior extensão dentro do município, a sua classificação taxonômica é Argissolo Amarelo Distrófico latossólico. Solos semelhantes a este foram descritos no Município de Marapanim (Oliveira Júnior et aI. 1997). Possuem teo- res de argila variando de 60 a 180 g/kg de solo no horizonte A e de 160 a 300 g/kg de solo no horizonte Bt (Tabela 6).

Tabela 5. Legenda de identificação dos solos e quantificação das unidades de mapeamento (Município de Castanhal, PA).

Srmbolo das unidades de mapeamento auantificação Classificação dos solos/unidades de mapeamento Área

(km 49,02% PAd1

PAd2

PAd3 PAd4

PVAd1

PVAd2

ESg GXbd

RUbd

ARGISSOLO AMARELO Distrófico latossólico A moderado textura arenosa/média floresta equatorial subperenifólia relevo plano + LATOSSOLO AMARELO Distrófico típico A moderado textura média floresta equatorial subperenifólia relevo plano.

6,19 Total

ARGISSOLO AMARELO Distrófico tlpico A moderado textura 123,61 arenosa/média floresta equatorial subperenifólia relevo plano + LATOSSOLO AMARELO Distrófico típico A moderado textura argilosa floresta equatorial subperenifólia relevo plano.

ARGISSOLO AMARELO Distrófico típico A moderado textura 149,35 média/argilosa floresta equatorial subperenifólia relevo suave ondulado + LATOSSOLO AMARELO Distrófico típico A moderado textura média floresta equatorial subperenifólia relevo suave ondulado.

ARGISSOLO AMARELO Distrófico típico A moderado textura 32,95 arenosa/média floresta equatorial subperenifólia relevo plano + NEOSSOLO QUARTZAR~NICO Hidromórfico típico A fraco floresta equatorial subperenifólia relevo plano + ESPODOSSOLO FERROCÁRBICO Hidromórfico arênico A moderado floresta equatorial subperenifólia densa/aberta relevo plano.

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