Comunicação, linguagem e fala

Comunicação, linguagem e fala

(Parte 1 de 4)

nicação

Linguagem

F ala

Fundament os omunicação , inguagem eL F

P erturbações Específicas de Linguagem em cont exto escolar

Comunicaçã

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Linguagem F

Lisboa, 2003 MEINISTÉRIO DA DUCAÇÃOMEINISTÉRIO DA DUCAÇÃO omunicação , inguagem e ala L

Fundament os

P erturbações Específicas de Linguagem em cont exto escolar

Colecção APOIO S EDUCATIVOS n.º1 n.º2 n.º3 n.º4 n.º5 n.º6 n.º7

Jovens com Necessidades Educativas Especiais

A especifidade da Criança Surda Estratégias de Intervenção em Contexto Escolar

Guia para educadores n.º8 n.º9 -F undamentos -

Transição para a Vida Adulta

Organização e Gestão dos Apoios Educativos

O Aluno Surdo em Contexto Escolar

Os Alunos com Multideficiência nas Escolas de Ensino Regular

Aprendizagem Activa na criança com Multideficiência

Contributos para o estudo da Intervenção Precoce em Portugal

Compreender a Baixa Visão

Normas de Acessibilidade na Informática

Comunicação, Linguagem e Fala Perturbações Específicas de Linguagem em contexto escolar

Ficha Técnica

Editor

Departamento da Educação Básica Coordenação e Organização

Título

Autores

Colaboração Especial

Concepção Gráfica

Composição eImpressão

Depósito Legal nº

Tiragem

Ministério da Educação

Vasco Alves

Núcleo de Orientação Educativa e de Educação Especial Filomena Pereira

Domínio da Comunicação, Linguagem e Fala

Perturbações Específicas de Linguagem em contexto escolar - Fundamentos -

Maria da Graça Franco

Maria João Reis Teresa Maria Sousa Gil

Isabel Amaral Teresa Leite

Maria Lúcia Carvalhas

Dezembro 2003

Agradecimentos

Um agradecimento muito especial à Professora Doutora

Isabel Amaral e à Mestre Teresa Leite, da Escola Superior de Educação de Lisboa, por uma constante disponibilidade e pela supervisão científica deste trabalho.

Editorial Introdução

1. Comunicação, Linguagem e Fala

1.3. 2. Perturbações Específicas de Linguagem

Referências Bibliográficas

Comunicação Linguagem 16

Linguagem Oral 17 Linguagem Escrita

Problemas Específicos de Linguagem Oral Problemas Específicos de Linguagem Escrita

Índice

Editorial

A procura de respostas adequadas à generalidade dos alunos que frequentam hoje as nossas escolas constitui, certamente, o grande desafio que se coloca aos profissionais de educação. É nesta perspectiva que devemos olhar para a problemática das perturbações específicas de linguagem, área que se insere numa outra, mais vasta e de difíceis contornos para a generalidade destes profissionais, a da .

Segundo dados do Observatório dos Apoios Educativos relativos ao ano lectivo 2002/2003, a população identificada neste domínio corresponde a 9% do total dos alunos com necessidades educativas especiais de carácter prolongado que beneficiam de apoio educativo.

Neste sentido, o Ministério da Educação, através do Núcleo de Orientação Educativa e de Educação Especial, do Departamento de Educação Básica, pretende que a presente publicação seja um auxiliar pedagógico, posto à disposição dos docentes que desenvolvem asua actividade junto de alunos que apresentam perturbações específicas de linguagem.

A presente publicação é o primeiro de três volumes dedicados a esta problemática. Neste primeiro volume clarificam- se conceitos à luz dos actuais referenciais teóricos e u m segundo terá como finalidade apetrechar os docentes com instrumentos de avaliação e de caracterização das problemáticas relativas às competências linguísticas, no âmbito da oralidade e da escrita. Oterceiro e último volume focalizará a prática educativa em contexto escolar .

A Secretária de Estado de Educação comunicação, linguagem e fala

(Mariana Cascais)

Introdução

Os alunos com perturbações da linguagem constituem um dos grandes desafios que se colocam à escola e aos professores. Em muitos casos essas perturbações têm consequências nas aprendizagens da leitura e da escrita, sendo frequentemente responsáveis pelo insucesso escolar desses alunos.

Na ausência de outras perturbações evidentes, eventualmente mais fáceis de caracterizar e encaminhar ,tais como problemas de visão, audição ou de motricidade, o aluno com problemas específicos de linguagem é, frequentemente, considerado como um caso problemático para o qual os professores não encontram solução eficiente. No entanto, otempo que os alunos passam na escola bem como as tarefas que aí lhes são solicitadas constituem uma ocasião única de desenvolvimento de capacidades de comunicação elinguagem que tem repercussões não só na sua capacidade de uso da linguagem oral mas também, e sobretudo, na aprendizagem da leitura e da escrita. Cabe assim à escola um papel importante tanto na identificação e caracterização destas problemáticas como na definição de processos educativos adaptados às necessidades daí decorrentes.

Esta brochura apresenta uma revisão de conhecimentos relativos às perturbações específicas da linguagem, tanto na sua vertente oral como escrita, contribuindo para a clarificação do conceito e fornecendo informação que auxilia os professores no enquadramento e na compreensão das dificuldades apresentadas por alunos com esse tipo de perturbações.

Isabel Amaral (Escola Superior de Educação de Lisboa)

Comunicação, Linguagem e Fala Comunicação, Linguagem e Fala

1 OMUNICAÇÃO , LINGU AGEM E FALA

Os termos são, frequentemente, utilizados de forma indiscriminada. Importa, portanto, na abordagem deste domínio, clarificar estes conceitos.

é u m processo complexo de troca de informação usado para influenciar o comportamento dos outros (Olswang , 1987, cit. in: Bloom, 1990).

Comunicar é u m processo interactivo, desenvolvido em contexto social, requerendo um emissor que codifica ou formula a mensagem e um receptor que a descodifica ou compreende. Implica respeito, partilha ecompreensão mútua (F iadeiro, 1993, cit. in: Nunes, 2001).

Requerendo uma complexa combinação de competências cognitivas, motoras, sensoriais e sociais, a comunicação encontra- se relacionada com todas as áreas do desenvolvimento.

comunicação, linguagem e fala

Comunicação 1.1 COMUNICAÇÃO

O comportamento motor pode ser tão subtil como uma piscadela de olho ou uma expressão facial, ou ser tão explícito como a palavra falada. Os “skills” cognitivos envolvidos na comunicação incluem a memória de curto e longo termo e a capacidade para estabelecer associações entre o símbolo e o seu representante. Quanto às capacidades sensoriais (audição, visão, tacto...) estas permitem que a criança perceba as tentativas de comunicação do outro, mostram-lhe a existência de outras pessoas com quem comunicar e que qualquer evento pode servir de tópico para conversar , para além de facilitar a compreensão das relações entre o símbolo e o seu referente (Nunes, 2001).

Num processo de comunicação poder -se-ão utilizar , para além da linguagem oral materializada pela fala, outros modos de comunicação, nomeadamente a linguagem escrita, o desenho, o gesto codificado, outros. A selecção individual do modo a usar dependerá do contexto, das necessidades e capacidades do emissor e do receptor e da mensagem que se pretende transmitir .

Alguns aspectos poderão reforçar ou distorcer o código linguístico utilizado. Destacam- se os aspectos paralinguísticos (suprasegmentais), nomeadamente a entoação, a enfatização, a acentuação, o ritmo/velocidade, os quais expressam emoções e atitudes que, de alguma forma, complementam a informação linguística. Adicionalmente, realçam- se os processos não linguísticos que também contribuem para o processo comunicativo. Incluem- se nestes, os gestos, os movimentos do corpo, o contacto visual e as expressões faciais que poderão adicionar ou restringir algo à mensagem linguística.

é u msistema convencional de símbolos arbitrários e de regras de combinação dos mesmos, representando ideias que se pretendem transmitir através do seu uso e de u m código socialmente partilhado, alíngua.

Comunicando, a criança desenvolve as suas capacidades e competências, em virtude das trocas que mantém e assume com o meio ambiente. Quanto maior for a sua capacidade para comunicar , maior controlo ela poderá ter sobre o seu meio ambiente (Nunes, 2001).

1.2 LINGU AGEM Linguagem

Analisaremos a linguagem verbal nas suas modalidades oral e escrita, cada uma com as suas características, símbolos e regras próprias.

A linguagem oral integra regras complexas de organização de sons, palavras efrases com significado. Para além da sua estrutura e significado exige, também, um propósito e uma intencionalidade. No processo de desenvolvimento da linguagem vão -se adquirindo conhecimentos acerca da da língua, do , através do qual a mensagem pode ser expressa, e da da mesma.

A aquisição da linguagem oral érealizada através de um processo interactivo que envolve a manipulação, combinação eintegração das formas linguísticas e das regras que lhe estão subjacentes, permitindo o desenvolvimento de capacidades de perceber a linguagem (linguagem compreensiva) e capacidades para formular/produzir linguagem (linguagem expressiva). Este processo é determinado pela interacção entre factores ambientais, psicossociais, cognitivos e biológicos.

Um conhecimento implícito das regras da linguagem é designado por . Um conhecimento explícito/metalinguístico permite detectar , analisar ,julgar e explicar os fenómenos linguísticos.

Segundo Bloom e Lahey (1978, cit. in: Bernstein,

Tiegerman,1993), alinguagem oral é uma combinação complexa de várias componentes, categorizadas a 3 níveis: Forma; Conteúdo e Uso.

1.2.1 LINGU AGEM ORAL estrutura código função competência linguística

FormaConteúdo - Nesta componente incluem- se as regras de organização dos sons e as suas combinações (fonologia); as regras que determinam a organização interna das palavras (morfologia) e as regras que especificam a forma como as palavras serão ordenadas e a diversidade nos tipos de frases (sintaxe).

- Esta componente envolve o significado. Este significado poderá ser extraído de forma literal ou não literal, dependendo de contextos linguísticos ou não linguísticos.

Incluem- se, nesta componente, as regras semânticas de organização que se estabelecem entre as palavras, os significados e suas ligações, bem como os mapas conceptuais individuais que se vão criando. Este conhecimento provem das experiências de cada indivíduo eresulta do seu próprio desenvolvimento cognitivo.

- É uma componente que engloba as regras reguladoras do uso da linguagem em contextos sociais (pragmática). Há dois aspectos que fazem parte dessas mesmas regras, que são: as funções/intenções comunicativas e a escolha de códigos a utilizar .

Relativamente às funções da linguagem, estas correspondem às intenções comunicativas do indivíduo, i.e., se pretende perguntar/responder; obter uma informação; ser clarificado, etc. No que se refere à escolha de códigos, os interlocutores utilizam o mesmo código para que a descodificação da mensagem se torne efectiva.

Nesta componente há que ter em conta alguns factores inerentes às regras de uma conversação, nomeadamente a organização das

Uso conversações, as iniciativas comunicativas e o manter a conversação, o aprender a “tomar e dar a vez”, oresponder apropriadamente eter uma narrativa coesa. Também éimportante saber se ointerlocutor conhece ou não o tópico da conversação, bem como se detém informação sobre o contexto, por forma a seleccionar as palavras e frases a utilizar no discurso.

No quadro seguinte apresentam- se as componentes da linguagem oral e os sub -sistemas/domínios linguísticos enquadrados na componente respectiva:

As componentes da linguagem não são entidades distintas, existindo uma verdadeira inter -relação entre elas ( Bloom e Lahey , 1978, cit., in: Bernstein, Tiegerman,1993).

Tendo em conta que no desenvolvimento da linguagem oral, os domínios linguísticos que a mesma integra apresentam características muito próprias, embora interrelacionadas, no quadro que se segue apresenta- se a explicitação dos conceitos (Sim- Sim,1997) referente a cada domínio:

Forma

Conteúdo Semântica

Pragmática Uso

Fonologia Morfologia Sintaxe

No desenvolvimento linguístico existem indicadores que, de alguma forma, nos permitem observar/avaliar os desempenhos linguísticos, paralinguísticos e não linguísticos, que estão presentes nos processos de compreensão (capacidade receptiva) e produção (capacidade expressiva) de linguagem oral, os quais estão descritos no quadro seguinte:

Defin ição de Conceito s

Pr ag mático

Do míni o das regras do us o da língua – capac idade de apreensão e utilização das regr as de uso da língua , visando a ade quação ao cont exto da co munica ção.

F onol óg ico

Do míni o da est rutura dos sons da língua – cap aci dade de apreensão e utilização das regr as referent es aos sons e suas respe ctivas co mbinaçõe s.

Se mântico

Do míni o das regr as de real ização sem ânt ica – capa ci dade de aqui siçã o e utilização de novas pal avr as (léxico) , do estabeleci mento de rede s entre elas e dos si gni ficado srespe ctivos .

- -capac idade de classi fica r palavras agrupan do- as co m base e m atribu tos co muns ( conce itos).

Mo rfologia Do míni o das regr as morfol ógi cas - capaci dade de aqui sição e uso das regr as relativa s àfor maç ão e estruturainterna das pa lavras . Mo rfo-

-S intáctico

Sint ax e Do míni o das regr as si nt áct icas – capac idade de aqui sição e uso das regr as de organ ização das pa lavras e mfrase s.

Do míni o das pr opr iedades e oper ações da língua – capaci dade de pensar sob re a língua , atrav és de u m pr oce sso cogn itivo de nível supe rior, que resul ta nu m conhe ci mento deliberado, reflectido, explícito e siste matizado da s propriedade s e ope raçõe s da língua.

Aspectos supra -segmen tais

Falar com expressividade. Tipo de voz: baixa; alt a; monocórdica. Falar com ritmo acelerado; lento; normal. Acentuar correct amente as palavras. Utilizar diferentes tipos de entoação.

Pragmático

Est abelecer cont acto visual. Utilizar alinguage m para comunicar . Abordar assuntos. Adequar o discurso ao interlocutor e ao contexto. Identificar pist as para tomar a vez. Utilizar diferentes expressões linguísticas de acordo com o contexto.

Receptivo Discriminar os sons da fala e suas combinações.

Fonológico Expressivo Articular os sons da fala isoladamente e e m combinações.

Receptivo

Cumprir ordens. Identificar ( quando nomeadas) represent ações de objectos, pessoas, acções em imagens. Identif icar ( mediante instruções orais) um entre vários objectos, pessoas, acções. Ouvir uma história/texto e: - predizer acontecimentos

- localizar acções

- relacionar as personagens com acções

- definir aideia princip al

- responder a per gunt as com carácter inferencial

- perceber relações causais, temporais, condicionais.

Semântico (lexical; conceptual)

Expressivo

Mencionar acontecimentos. Atribuir rótulos lexicais a: nomes; qualidades; acções. Explicar o significado de: nomes, qualidades; acções. Descrever gra vuras. Cont ar histórias a partir de... Recont ar histórias. Substituir palavras por equivalentes ou opost as.

Receptivo Cumprir ordens.

Morfo - sintáctico

Expressivo

Utilizar frases estruturalmente correct as. Utilizar frases com enunciados simple s, exp andidos, complexos. Utilizar diferentes tipos de frases. Utilizar frases com diferentes formas. Integrar palavras de função, de conteúdo. Usar expressões com verbos concretizáveis, verbos não concretizáveis. Fazer concordâncias.

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