Os aneis de Saturno Roberto Ortiz

Este ano comemora se o aniversário de 400 anos das primeiras observações astronômicas do céu com telescópio, feitas pelo astrônomo italiano Galileu Galilei. Dentre suas descobertas podemos citar: os satélites de Júpiter, as fases de Vênus, a composição (estelar) da Via Láctea, etc. Galileu também foi o primeiro a examinar o planeta Saturno ao telescópio, que registrou essas observações sob a forma de desenhos (Fig. 1) onde pode se ver nitidamente um pequeno disco rodeado por anéis. Apesar de seu desenho mostrar nitidamente os anéis de Saturno, aparentemente Galileu parece não ter acreditado muito em sua descoberta e assinalou em seu diário que observara “o planeta mais alto sob a forma tríplice”. Por “planeta mais alto”, Galileu certamente quis dizer que se tratava do planeta mais distante da Terra, fato já conhecido na época. No entanto é no mínimo curioso que Galileu tenha atribuido o caráter “tríplice” ao planeta. Provavelmente ele acreditou que observara Saturno ladeado por duas estrelas, muito próximas, acompanhando o.

A luneta que Galileu utilizou não era muito boa: ampliava apenas 20 vezes e a imagem carecia de qualidade. É provável que Galileu tenha pensado que os anéis que ele observara constituiam se, na realidade, de algum tipo de aberração ou defeito óptico produzido por sua luneta primitiva. Foi preciso esperar mais de 40 anos até que o astrônomo holandês Christiaan Huygens confirmasse a descoberta de Galileu, ao observar Saturno com um telescópio de melhor qualidade.

Sabe se hoje que os anéis de Saturno são constituídos de fragmentos de rocha e gelo, que giram em torno do planeta em órbitas, de maneira semelhante aos seus demais satélites (Fig. 2). É a grande distância de Saturno ao Sol (cerca de 1,4 bilhões de quilômetros) que permite que essa mistura de rocha e gelo resista ao calor produzido pelo Sol. Além de Saturno, Júpiter, Urano e Netuno também possuem anéis, semelhantes aos de Saturno, que foram descobertos por sondas espaciais enviadas a esses planetas na década de 1980.

Fig. 2

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