livroaeromodelismo - (08) capitulo VIII (materiais de constru??o)

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CAPÍTULO VIIICAPÍTULO VIIICAPÍTULO VIIICAPÍTULO VIII

127 MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO

MADEIRAS A construção de aeromodelos subordina-se a princípios de simplicidade, leveza e robustez.

Assim, a balsa, dada a sua baixa densidade, e a enorme facilidade com que pode ser trabalhada, é hoje o material básico na construção de modelos voadores.

A madeira de balsa, cuja árvore é oriunda das florestas equatoriais da América Central, depois de trabalhada por máquinas e processos especiais, é posta no mercado, para uso dos aeromodelistas, em três tipos distintos: dura, média e mole.

A balsa dura emprega-se quase exclusivamente em longarinas, ou então em peças que tenham de oferecer grande resistência. A sua densidade varia entre 0,25 e 0,40.

A balsa média é de emprego geral, usando-se particularmente em nervuras, cavernas e longarinas secundárias. Densidade de 0,15 a 0,25.

A balsa mole, que é menos densa (0,08 a 0,15) e a menos consistente também, utiliza-se em peças e regiões que não exijam resistência especial, como revestimento de asas, bordos marginais, preenchimento de ângulos formados por duas superfícies, etc.

A balsa, em relação a outras madeiras, é pouco robusta e muito porosa (tanto mais quanto menor for a sua densidade), pelo que se torna necessário empregá-la de forma racional, atendendo à sua reduzida resistência, e submetê-la a acabamentos apropriados.

Na construção empregam-se ainda outras madeiras, como: casquinha, spruce, faia, freixo e contraplacado.

A casquinha e o spruce usam-se em longarinas centrais, peças resistentes e calços, espigões, etc.

A faia, o freixo e a nogueira, dada a sua enorme robustez, empregam-se em hélices para motores de explosão e bancadas para assentar motores.

É muito raro utilizar estas madeiras noutras peças, em virtude da sua elevada densidade.

O contraplacado é constituído por três ou mais chapas de madeira coladas e prensadas, de modo que a direcção da fibra de cada chapa forme com a fibra da seguinte um ângulo de 90º. É isto que confere ao contraplacado a sua extraordinária resistência.

Encontra-se no mercado contraplacado de tola, bétula, faia e ocomé; todavia, são os dois últimos os mais usados em Aeromodelismo: o de faia, pela sua excepcional resistência e dureza, e o de ocomé, por ser o mais leve.

O contraplacado tem uma vasta aplicação na construção de aeromodelos. O de maior espessura (5 e 3 m) usa-se em cavernas e, por vezes, em bancadas de motor. O de 2 m serve para cruzetas de comando, reforços, cavernas, calços, etc. O de 1,5 e 1 m usa-se em nervuras e reforços e o mais fino (0,6 e 0,4 m) em revestimentos.

AÇO – Varetas de 1 a 3 m, para trens de aterragem, ganchos, transmissões, veios de hélices de «borrachas», patins, etc.

Fio de 0,2 a 0,4 m, simples ou entrançado, para cabos de controlo.

ALUMÍNIO – Fundição de bancadas de motor. Em chapa, usa-se na .carenagem de motores, spinners, etc.

O dural (liga de aço e alumínio) emprega-se em cruzetas de comando, asas de modelos de velocidade, etc.

LATÃO – Em chapa (0,2 e 0,3 m) e em tubo (de 2 e 3 m), utiliza-se na construção de depósitos de combustível.

CHUMBO – Quer em chapa, quer em grão, constitui o lastro ideal para centragens, em virtude da sua elevada densidade.

COLA CELULÓSICA – Existe no mercado grande variedade de colas celulósicas, mais ou menos fluídas, mais ou menos rápidas na secagem. Este tipo de cola é o mais recomendável para a maior parte dos trabalhos de Aeromodelismo, por ser muito resistente, praticamente insensível aos agentes atmosféricos e de secagem quase imediata.

Em casa, pode facilmente fabricar-se cola celulósica, dissolvendo celulóide puro em acetona. Juntando ainda um pouco de acetato de amilo evita-se que a cola, assim preparada, tenha a tendência de embranquecer.

COLAS BRANCAS – Uma cola excelente para madeiras, tanto ou mais resistente do que a celulósica, todavia, mais lenta a secar, é a cola de caseína. Resiste aos combustíveis e emprega-se com vantagem em colagens de grandes superfícies.

Existe ainda no comércio grande número de boas marcas de colas sintéticas para madeira. Algumas delas, porém, não resistem ao combustível diesel, devendo, por isso, ser bem protegidas com pintura ou verniz apropriados.

Qualquer destas colas, tanto celulósicas como sintéticas, pode servir para a entelagem de modelos, depois de devidamente diluída. No entanto, há colas apropriadas para papel e tecido, que se usam com vantagem neste género de trabalho.

Sob o nome genérico de dope, existe nas casas da especialidade grande variedade de vernizes estrangeiros, próprios para Aeromodelismo.

No entanto, o verniz mais usado pelos aeromodelistas portugueses é o vulgar verniz celulósico para unhas, que, depois de se lhe haver adicionado umas gotas de óleo de rícino, apresenta boas propriedades. É transparente, impermeabiliza bem o papel, mesmo o mais poroso, estica-o suficientemente, não se torna muito quebradiço e dá bons acabamentos.

Pode também obter-se um verniz razoável, da mesma forma que a indicada para a fabricação caseira de cola celulósica; todavia, com uma maior percentagem de acetona.

Em modelos equipados com motores de glow-plug há que atender que o combustível ataca todos os vernizes e tintas de base celulósica, pelo que, a empregarem-se, é necessário dar, no final, uma ou duas demãos de dope antimistura ou de um verniz sintético resistente àquele combustível.

Além dos materiais descritos, comuns a quase todas as modalidades e espécies de construções, muitos outros são usados em Aeromodelismo.

Assim, desde os papéis especiais (Modelspan, Japão, etc.), até à fibra de vidro, passando pela borracha para meadas-motor e respectivo lubrificante, tintas, tecidos para entelagem e reforços, película microfilme, fios e linhas, parafusos, tubo de plástico, etc., usa o aeromodelista, de acordo com o trabalho a realizar, inúmeras espécies de produtos, alguns deles concebidos especialmente para o Aeromodelismo, outros adaptados e muitas vezes transformados com engenho ( * ) .

( * ) Nota de Edição Digital: Mais uma vez se chama a atenção que este texto tem 40 anos. Embora todos os materiais referidos neste capítulo se continuem a usar, muitos outros apareceram nos tempos mais recentes, onde se incluem as técnicas de construção com fibra de carbono, diversos tipos de materiais plásticos, tanto estruturais como de revestimento, e ainda novos tipos de colas como as epóxidas, os cianoacrilatos, etc.. Tudo isso só vem confirmar a afirmação do Autor de que o aeromodelista usa quase todos os materiais que o mercado pode oferecer, de acordo com a sua necessidade e imaginação.

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