Amor restaurado

Amor restaurado

(Parte 1 de 11)

Mário Bergner

AMOR RESTAURADO Esperança e cura ao homossexual

Dedicatória

Para Annlyse DeBellis e Leanne Payne, duas mulheres cujo amor por Jesus e por mim converteram-me em um homem melhor.

Publicado em inglês com o título Setting Love in Order. 1ª impressão, dezembro 2000 (Brasil)

Esse Livro foi digitalizado com permissão da Editora Palavra, que contém os direitos autorais da obra.

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Apresentação04
Agradecimentos05
1. Escolha06
Enfrentando o Mal e a Rejeição19
O desenvolvimento da Homossexualidade3
4Estabelecendo ordem no amor
Desvencilhando-se da Confusão dos Símbolos4
A Esperança da Glória59
6Amor pelo mesmo sexo..................................................70
7A mulher odiada..............................................................85
8Amando o sexo oposto....................................................9

Sumário 2.Um basta para a negação 3.O amor em desordem 5.Cristo em nós 3

Apresentação

Amor Restaurado – Esperança e Cura Para o Homossexual é um livro importante por diversos motivos. Antes de mais nada, porque muitos que necessitam de libertação e cura das neuroses sexuais as encontrarão enquanto ainda o estiverem lendo. Ele indica um caminho bastante seguro a todos que se disponham a percorrê-lo.

Não existe livro que retrate melhor (do ponto de vista de alguém que sofreu intensa perturbação) o que significa assumir seus verdadeiros problemas – nem até que ponto, as barreiras que as pessoas erguem para se proteger da maldade e das privações contribuem para o desenvolvimento de uma sexualidade distorcida e da homossexualidade. Mário Bergner descreve sua neurose sexual como a ambivalência do “mesmo sexo” e a homossexualidade como de fato é: o modo pelo qual a sentia e via, sob a perspectiva de alguém que se encontrava do lado de dentro e como a deixou. Descreve-a também como um transtorno relacionado aos símbolos e conta o que fez para se desvencilhar dos símbolos doentios e substituí-los por outros, sadios, que o Senhor lhe deu. O capítulo sobre misoginia (aversão às mulheres) é extraordinário, incomparável no modo de tratar a questão da ambivalência do “sexo oposto”, bem como, a luta necessária para que uma pessoa do sexo masculino se liberte das transferências para a figura da mulher.

A sinceridade de Mário para com Deus, consigo próprio e com os outros, por si só, já bastaria para conduzi-lo à cura. Nunca conheci ninguém que se expusesse como ele. Ao fazê-lo, aqueles que Têm necessidades semelhantes ouvem a própria história. Muitos percebem, pela primeira vez, que “não sou o único que tem esses sentimento”, ou essas “fantasias”, ou esses “receios de resvalar pelas frestas do não-ser”. Muita gente, depois de ler este livro, pela primeira vez se dará conta do que realmente é a “ansiedade causada pela separação” e saberá que existe um bálsamo capaz de curar até esta ferida, de todas a mais profunda. Da atitude de compartilhar tudo isso, brota a alegria do Senhor.

Mário teve de enfrentar muito cedo a maldade humana, sua expressão, suas conseqüências. Uma vez identificado e classificado o mal que o afligia, ele não se esquivou da necessidade de reconhecê-lo dentro de si mesmo. Pelo contrário, chamou-o pelo nome, tão logo o viu. Você está se perguntando por que algumas pessoas recebem tão grande porção de cura, enquanto outras, tão pequena? Observar ou ler a história de Mário é saber o porquê. No momento em que toma consciência do pecado em sua vida, ele o confessa e lhe dá as costas, com todas as suas forças. Mário ama o Santo, o belo, o justo, o verdadeiro e sabe que fazem parte da busca, da jornada mais emocionante que podemos empreender: a que visa a estabelecer ordem no amor.

Leanne Payne Pastoral Care Ministries (Ministérios de Amparo Pastoral)

Agradecimentos

À equipe Pastoral Care Ministries, minha família em Cristo – Leanne Payne, rev. William Beasley e rev. Anne Beasley, Ariane de Chambrier, rev. Conlee e Signa Bodishbaugh, rev. Bob e Connie Boerner, Patsy Casey, Denis Ducatel, John Fawcett, Jean Holt, Jonathan Limpert, Val McIntyre, dr. Jeffrey Satinover, Ted e Lucy Smith. Juntos, temos percorrido o mundo glorificando a Deus, maravilhando-nos com Seu poder de cura e acumulando lembranças felizes para o céu.

Aos amigos e colaboradores do ministério de redenção sexual – Exodus

International em San Rafael, Califórnia; rev. Andy Comiskey e equipe da Desert Streams, Los Angeles; rev. Michael Lumberger e equipe Dunamis Ministries, Pittsburgh r Katheribe Allen e equipe Sought Out Ministries, Virginia Beach – por uma unidade em Cristo que proclama que Jesus perdoa e cura do homossexualismo.

À faculdade, aos alunos e à equipe da Escola Episcopal Trinitariana para o

Ministério de Ambridge, Pensilvânia, por suas orações, incentivos, apoio e flexibilidade em relação a minha agenda de viagens. Ao dr. Stephen M. Smith, conselheiro durante meus anos de seminário, pelo incentivo e a Patrícia Miller por graciosamente me instruir na redação e revisão deste livro. A Hal B. Schell, rev.David Brown e a meu antigo grupo de bairro em Milwaukee, por me amarem e encorajarem desde o início do meu processo de cura.

A amigos especiais ao redor do mundo: rev. Jim e Donna Adkins, rev. Norman e Jackie Arnold, rev. David e Jô Blackledge, Ron e Lin Button, dr. Stuart e Marilyn Checkley, Cliff e Lyn Davis, Kathleen Demien, rev. Larry e Claudia Evans, Jenny Flanagan, rev. Joseph Garlington, John r Susan LeCornu, Artemis Limpert, Christiane Mack, rev. Clay e Mary McLean, Mary Pomrening, rev. Gerry Soviar, dr. Daniel Trobisch e dr. Roland e Elke Werner – por enriquecerem minha vida com suas orações, amor e amizade.

Àqueles do ramo editorial que sempre acreditaram neste livro: Lila Bishop, minha editora, pela amizade e tempo, Steve Griffith, nosso agente, pela marca Hamewith da Baker Books e a Jan Denis por me incentivar a publicar este livro.

A todos que citei,

“O Senhor te abençoe e te guarde;

O Senhor faça resplandecer o Seu rosto sobre ti

E tenha misericórdia de ti;

O Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz.” Números 6:24-26

“Escolha” 1

“O Senhor o sustentará no leito da enfermidade e o restaurará da sua cama de doença.

Eu disse: senhor, tem compaixão de mim, sara a minha alma, pois pequei contra ti.” (Salmo 41. 3,4)

Na sala de radiologia do hospital, preparando-me para um raio X do peito, a enfermeira me pediu:

- Por favor, tire a correntinha e a medalha que o senhor está usando no pescoço.

Tratava-se, na verdade, de uma bela cruz com o rosto de Jesus gravado por cima. A enfermeira deve ter notado a apreensão nos meus olhos, enquanto eu carinhosamente esfregava o precioso presente que recebera de meus pais, anos antes.

- Se a envolvermos com fita, o senhor poderá mantê-la durante o raio X – disse ela.

- Obrigado. Aquele símbolo de Jesus pendendo do meu pescoço era o último vestígio da fé cristã que, um dia, eu enxergara como uma fonte de esperança.

Mais tarde, já no hospital, deitado na cama, senti-me vazio e com medo enquanto relembrava os acontecimentos dos anos mais recentes. Minha saúde, nos últimos treze meses, se debilitara drasticamente. Da primeira doença venérea, em janeiro de 1982, até minha presente internação (fevereiro de 1983) no Hospital Municipal de Boston, por causa de herpes, meu corpo apresentara doze sintomas assustadores. Na minha cabeça, o fato de tudo isso estar acontecendo dois anos depois de me tornar sexualmente ativo na cidade de Nova Iorque, apontava para uma direção – AIDS.

Cinco dias de exames de sangue, todos negativos, deixaram-me uma só opção: biópsia da medula óssea. Era o único exame que faltava para descobrir por que a contagem de minhas células T apresentava resultados tão baixos. Meu médico dera essa sugestão anteriormente, porém eu recusara, sabendo que seria o teste final pra o diagnóstico da AIDS. Temia também a dor a que teria de me submeter. Ainda assim, sem outra alternativa a minha frente e no mais completo desespero, concordei em fazê-lo no dia seguinte.

Aquela noite, deitado na cama, mais uma vez acariciei a cruz que pendia do meu peito. Seu nome formou-se em meus lábios: - Jesus..., Ó, Jesus – orei - , o que foi que eu fiz? Eu te busquei aos quatorze anos e de novo aos dezoito, mas em nenhuma daquelas ocasiões recebi a cura de que precisava para ser liberto do homossexualismo. Por quê, Senhor? Por que algumas pessoas conseguem ir até o Senhor e participarem da vida da igreja, enquanto outras, como eu, apesar de minha evidente necessidade, não encontram qualquer auxílio?

Não ouvi resposta alguma. Mas tive uma visão. Surpreso com a cena que se desenrolava a minha frente, sentei-me na cama. A princípio, pensei, “Você está delirando, Mário. Feche os olhos que passa!” Porém, mesmo com os olhos fechados, a imagem continuava ali. Abri de novo os olhos e limitei-me a assistir, como a um filme que estivesse sendo projetado aos pés da cama.

Cenas distintas eram exibidas simultaneamente em duas telas suspensas em pleno ar. A tela à esquerda me mostrava na condição homossexual, recebendo tratamento para a AIDS, em um quarto de hospital. A tela à direita apresentava o contorno da cabeça e ombros de Jesus, enquanto uma luz muito forte brilhava às Suas costas. Então o Espírito do Senhor disse:

Quero curá-lo por inteiro, não apenas o seu corpo. Escolha. Como minha única preocupação no momento era ser curado fisicamente, não compreendi muito bem o que significava me “curar por inteiro”. Ainda assim, sabia que algo extraordinariamente real estava acontecendo, de forma que escolhi a tela que mostrava o Senhor. No mesmo instante, a outra tela foi perdendo nitidez até desaparecer por completo. Em seguida, tive a impressão de que todo o quarto era sugado para dentro da tela que restara. Até que me encontrei na presença de Deus. E sem palavras.

Esperei em silêncio a Sua frente. No início, imaginei que me encontrasse diante de um anjo. A luz que brilhava por detrás era tão clara que me impedia de fitar-lhe o rosto. Mas hoje estou convencido de que aquela presença no meu quarto era, na verdade, de Jesus. Depois do que me pareceu um longo tempo, o Espírito do Senhor levou-me a orar por mim mesmo. Levantou-me os braços e conduziu-me em oração, impondo minhas próprias mãos sobre meu corpo. Adormeci com as mãos sobrepostas, pousadas sobre a clavícula esquerda.

Uma vez adormecido, sonhei com uma colega dos tempos de faculdade, em

Milwaukee (naquela época, eu sempre pensava que, se fosse heterossexual, ela seria o tipo de garota com quem me casaria). No sonho, nos casávamos de fato. Meses mais tarde, quando Jesus começou a me curar da neurose homossexual, o sonho voltou a minha mente diversas vezes. Interpretei-o como uma promessa de Deus, de que um dia eu desejaria uma mulher e com ela me casaria.

Na manhã seguinte, bem cedo, uma enfermeira entrou no quarto e colheu material para um último exame de sangue antes a biópsia da medula óssea, já agendada. Passaram-se algumas horas. Afinal meu médico, um jovem residente, veio me ver. Perplexo, disse que o exame de sangue daquela manhã revelara um surpreendente aumento dos glóbulos brancos, Por esse motivo, adiaria a biópsia até poder fazer nova contagem das células T, dentro de poucos dias. Eu soube então que recebera uma cura de Jesus!

Depois de mais cinco dias em observação no Hospital Municipal de Boston, recebi alta. Meu médico estava aturdido. Lembro-me de seu ar pasmado, a testa cheia de rugas, balançando a cabeça e atribuindo minha miraculosa recuperação ao tipo de vírus, com certeza ainda não diagnosticado, que me atacara.

Ordenou-me que voltasse para uma avaliação mais completa uma semana mais tarde. Dessa vez fez-se acompanhar de seu supervisor. Revisaram juntos meus registros e a alarmante deterioração do meu sistema imunológico, que me levara à hospitalização. Perplexo, o jovem residente contou a seu colega, mais velho e experiente, que eu voltara a trabalhar e estava fazendo ginástica na academia, de novo.

Quando escolhi a vida durante aquela visão no hospital, Deus curou-me da enfermidade física. No entanto, eu ainda ignorava que enveredara por uma estrada que acabaria por me conduzir à renúncia também do homossexualismo. Não dispunha de nenhum indício de que o fato de dizer sim a Jesus transformaria radicalmente todos os aspectos da minha vida. Só sabia que desejava tudo o que Ele tinha para mim. Minha oração é de que todos que lêem este livro digam “Sim, Jesus” e recebam belos presentes.

Nas mãos de Deus

A primeira vez que me entreguei a Cristo, aos quatorze anos, fiquei radiante de alegria ante a idéia de uma vida eterna e me enchi de esperanças quanto ao futuro. Embora não soubesse dar um nome aos confusos sentimentos relacionados ao sexo que brotavam em meu interior, já reconhecia que devia ter alguma coisa muito errada dentro de mim. Infelizmente, a igreja que freqüentava não estava preparada para ministrar a cura de que tanto necessitava. Eles pouco entendiam o poder de Cristo para redimir a sexualidade de uma pessoa e curar-lhe as profundas feridas emocionais.

Apesar de tudo, Deus Se fazia presente naquela comunidade de crentes na

Palavra. Durante, cerca de um ano que freqüentei a igreja, muitas mudanças positivas ocorreram em minha vida. Adotando ensinamentos morais cristãos e a visão bíblica do mundo, comecei a descobrir um estilo de vida pleno de significado. Graças a uma poderosa série de estudos feitos pelo pastor presidente sobre “O Sermão da Montanha”, tornei-me uma pessoa mais solícita e amável, a despeito da dura realidade da vida no meu lar.

Em algum momento daquele ano, deparei-me pela primeira vez com a palavra homossexual em uma revista. Agora tinha um nome para os sentimentos que redemoinhavam dentro de mim. Embora continuasse submisso à pregação daquele excelente pastor, de repente ficou claro para mim que o homossexualismo era incompatível com o Cristianismo. Como o “homossexual” dentro de mim parecia crescer a passos muito mais velozes que o “cristão”, decidi parar de ir à igreja. Ainda assim, continuei acreditando em Jesus e vivendo de acordo com os padrões cristãos que me haviam sido ensinados.

Durante três anos mais, travei uma luta silenciosa por causa dos sentimentos homossexuais e do Cristianismo. No fundo, temia que, se a homossexualidade em mim fosse mais forte que a fé cristã, então, sem dúvida alguma, o Cristianismo era uma religião de expectativas irreais, de promessas vazias e de falsa esperança. Nesse período, começou o declínio do meu zelo por viver de acordo com os padrões cristãos.

Aos dezoito anos, ouvi o extraordinário testemunho de um ex-sacerdote satanista que se convertera ao Cristianismo e minha fé se reacendeu. Pensei: “Se Jesus libertou esse homem, com certeza pode fazer o mesmo comigo”. Entretanto, optei por não voltar à igreja, receoso de não encontrar nenhum tipo de ajuda ali. Orei por mais de seis meses em segredo, pedindo a Deus que me dirigisse a um lugar onde encontrasse a cura para o homossexualismo. Cheguei a ligar para a Associação Psicológica America, em busca do nome de um terapeuta. Sem condições financeiras para pagar a terapia e impossibilitado de pedir o dinheiro a minha família, nunca marquei consulta. Minha fé, renovada, logo se extinguiu. (Nessa época, descobri que a maioria das tentativas isoladas de se abraçar o Cristianismo fracassam quando o novo crente não encontra uma igreja que o acolha e na qual ele se desenvolva.) Sem dispor de outra opção, comecei a aceitar os sentimentos homossexuais como parte de mim mesmo.

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