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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE CIÊNCIAS EXATAS E NATURAIS

FACULDADE DE COMPUTAÇÃO

CURSO DE BACHARELADO EM CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO

DISCIPLINA: METOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

SOFTWARE LIVRE

Evolução e Benefícios para a Sociedade em Geral

Alunos:

Carlos Gustavo Resque dos Santos

Thiago Sylas Antunes da Costa

Professora:

Marianne Kogut Eliasquevici

Belém

2010

Carlos Gustavo Resque dos Santos

Thiago Sylas Antunes da Costa

SOFTWARE LIVRE

Evolução e Benefícios para a Sociedade em Geral

Pesquisa bibliográfica apresentada ao Curso de Bacharelado em Ciência da Computação como requisito parcial para obtenção de avaliação da disciplina Metodologia do Trabalho Científico sob orientação da professora Marianne Kogut Eliasquevici

Belém

2010

RESUMO

Software Livre está entrando no mercado e na sociedade. Aplicativos com código aberto estão se popularizando, porém a sua evolução é bem mais complexa que a de um software proprietário. Desde a primeira movimentação, com a criação do GNU/Linux, houve várias modificações no mercado, nas universidades, nas empresas e na sociedade. O software livre proporcionou uma grande acessibilidade, e com isso pode-se ampliar projetos de inclusão digital. O desenvolvimento da educação com a informática agora se torna uma realidade mais próxima.

ABSTRACT

Free software is entering the market and in society. Open source applications are growing in popularity, but its evolution is much more complex than proprietary software. Since the first movement, with the creation of GNU/Linux, there have been several modifications in the market, universities, businesses and society. Free software has provided a great accessibility, and with this you can zoom in digital inclusion projects. The development of education with computing now becomes a reality.

SUMÁRIO

RESUMO 3

1 INTRODUÇÃO 5

2 O QUE É SOFTWARE LIVRE? 7

3 SOFTWARE LIVRE NA EDUCAÇÃO E INCLUSÃO DIGITAL 10

3.1 A INCLUSÃO DIGITAL NO CONTEXTO BRASILEIRO 10

3.2 A INCLUSÃO DIGITAL NO PROCESSO EDUCACIONAL 11

3.3 RESISTÊNCIA À MUDANÇA 12

4 APLICAÇÕES 14

5 CONCLUSÃO 17

REFERÊNCIAS 18

1 INTRODUÇÃO

Logo após o advento do computador e da internet, o valor comercial do acesso a informática através desses dispositivos estava associado somente aos hardwares, pois um sistema operacional era único de cada computador, retraindo o comércio e o desenvolvimento de softwares.

O comércio de computadores de softwares únicos encarecia o produto e dificultava a sua disseminação para usuários comuns, pois demandava um alto custo de aquisição do produto e frequentes manutenções, tanto no sistema quando no hardware. E como cada computador tinha seu próprio sistema e peças, o preço dos serviços era ainda mais caro.

Pesquisas foram desenvolvidas com o intuito de gerar um sistema operacional que tivesse o poder de portabilidade de hardware, ou seja, o sistema poderia ser facilmente instalado e utilizado em diversos computadores, de marcas e modelos diferentes. O primeiro projeto ao ser lançado foi bem sucedido. Ele foi desenvolvido nos laboratórios da AT&T em 1969 e foi chamado de UNIX.

O sistema operacional UNIX, inicialmente tinha uma licença paga para usuários comercias, no entanto era distribuído gratuitamente no universo acadêmico, tornando-se muito popular neste ambiente. Muitos softwares e avanços da internet se desenvolveram baseados neste sistema.

No início dos anos 80, a AT&T, restringiu a política de modificação do código fonte do UNIX. E o termo UNIX passou a ser utilizado somente para a versão distribuída pela empresa. A Resposta das grandes empresas de hardware como IBM, HP, Sun e Digital, veio. Elas desenvolveram sistemas operacionais baseados em suas máquinas. Com o desenvolvimento de novas máquinas com tecnologias distintas, eliminaram a portabilidade de sistemas em seus computadores.

Em meio à disputa comercial gerada, um programador, chamado Richard Stallman, iniciou o desenvolvimento um projeto para a criação de uma versão livre de restrições do UNIX, ou seja, um novo sistema baseado no UNIX que não tivesse restrições comerciais com o código fonte de seu kernel (núcleo). Publicou um manifesto chamado de GNU ( Gnu is Not Unix), que posteriormente seria dado como o nome do novo sistema. Esse nome gera um acrônimo recursivo e em português fica: “Gnu Não é Unix”.

Stallman, posteriormente fundou uma associação chamada de Free Software Foundation – FSF. Seus adeptos juntamente com Stallman construíram todos os recursos necessários para um sistema operacional exceto o kernel do sistema, que ainda estava em construção. Entretanto, Linus Torvald, um jovem finlandês, havia construído um kernel baseado no UNIX, que atendia perfeitamente as necessidades do GNU. E foi o passo final do sistema.

O sistema denominado GNU/Linux, tinha a licença previamente elaborada por Stallman: a GPL. A licença garantia o direito de qualquer software, com essa GPL, ser copiado, modificado, estudado, distribuído livremente e quando modificado deveria retornar as modificações para a sociedade que o utiliza. E ainda garantia que qualquer outro software baseado em um software GPL, também deveria seguir essa política.

O movimento FSF e o trabalho desenvolvido por Stallman foram o pontapé inicial para o surgimento de inúmeras outras modalidades de softwares livres. O trabalho bibliográfico pretende mostrar algumas dessas modalidades e as vantagens de sua utilização tanto no meio acadêmico quanto no meio social.

Foto de Stallman.Figura 1.

Disponível em <http://br-linux.org/linux/faq-softwarelivre>

  1. O QUE É SOFTWARE LIVRE?

O termo software livre foi discutido por muito tempo nos EUA, onde o movimento teve seu início, devido à primeira escolha do nome do movimento: “Free Software”. Como no inglês americano a palavra “free” é utilizada tanto para liberdade quando para gratuidade, o termo era muito confuso deixando uma ambiguidade quanto ao seu verdadeiro propósito. O termo free software em outros idiomas como espanhol, português e francês não geraram esse tipo de confusão, porque esse termo, traduzido, obedece perfeitamente seu propósito: o de liberdade apenas.

Em outras palavras, software livre é atribuído ao programa computacional que disponibiliza sua versão binária ou executável junto com seu código fonte, o algoritmo do programa escrito em alguma linguagem de programação, com nenhuma ou pequenas restrições, dependendo da licença utilizada. O conceito de livre se opõe ao conceito de software restritivo (software proprietário), que disponibiliza apenas o código binário do programa, impossibilitando o estudo, a modificação e os ajustes do software proprietário.

Assim como o software proprietário, o livre tem que vir acompanhado de uma licença. O conceito de liberdade não que dizer que não haja regras para sua utilização. O fato do ser humano ser livre não quer dizer que ele tem o direito de fazer o que bem entende, existem leis e regras de boa conduta que formam uma espécie de organização, para os seres humanos poderem viver em harmonia. Não é diferente no mundo dos softwares, existem regras para que não haja atritos quanto sua política de utilização.

As licenças são as regras para a utilização de um determinado programa. Quanto ao software livre existem inúmeras licenças, que dizem como: um determinado programa dever ser distribuído; quais as políticas para a modificação do código fonte; quanto à divulgação de modificações no código; quanto sua migração para outras modalidades de licença; e inúmeras outras políticas de utilização.

O grupo GNU, desenvolvido por Stallman, foi o primeiro a lançar uma licença para software livre: a GPL. Conforme a definição criada, o software pode ser executado (usado), copiado, estudado, modificado (aperfeiçoado), redistribuído sem restrição. E com a disponibilização do seu código-fonte, para que tais liberdades sejam possíveis. Porém exige certas medidas como a publicação de qualquer modificação do código fonte e a impossibilidade da migração para outro tipo de licença.

Mascote da GNU. Figura 2.

Disponível em:<http://www.gnu.org/philosophy/free-sw.html>

O trecho do texto em português da Definição de Software Livre publicada pela FSF esclarece sua política de utilização. Segundo ele:

  • A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade nº 0)

  • A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade nº 1). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.

  • A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade nº 2)

  • A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade nº 3). Acesso ao código-fonte também é um pré-requisito para esta liberdade.

O software livre tem maior popularidade no meio acadêmico e empresarial, devido ao grande número de profissionais da área de informática, em empresas e universidade. Porém, essa popularidade está gradativamente se expandindo graças à necessidade da informática para fins de usuários comuns. Como usuários comuns não tem a capacidade de compreender o código fonte de um software, não tem interesse pela disponibilização do código. Usuários comuns preferem softwares que atendem suas necessidades sem conhecer como eles fazem isso.

A aquisição do software livre por usuários comuns está começando a ocorrer pela facilidade em adquirir esses softwares e o baixo custo que ele tem, quando se tem algum custo. Pois existem licenças que são gratuitas podendo haver apenas a comercialização da mídia, onde está armazenado o programa, e não do programa em si. O que faz os preços serem baixíssimos em relação aos softwares proprietários, que além da mídia vendem o direito autoral de utilização do programa.

Quando um consumidor adquire um software ele está comprando os direitos autorais para a utilização do produto e não o produto em si, essa modalidade de comércio tem o nome de Copyright. O que justifica a proibição de distribuição de cópias afinal o programa não é de quem o comprou e sim de um proprietário. Algumas licenças gratuitas utilizam o mesmo conceito só que de forma inversa, como o nome diz: Copyleft. Ao invés de proibir que o usuário distribua cópias, ele exige que o usuário sempre o deixe livre para distribuição. Concluindo, proíbe a proibição de copias.

Símbolo do Copyleft. Figura 3.

Disponível em <http://br-linux.org/linux/faq-softwarelivre>

Copyleft é uma extensão das quatro liberdades básicas, e ocorre na forma de uma obrigação. Segundo o site da FSF, “O copyleft diz que qualquer um que distribui o software, com ou sem modificações, tem que passar adiante a liberdade de copiar e modificar o programa. O copyleft garante que todos os usuários tem liberdade.” – ou seja: se você recebeu um software com uma licença livre que inclua cláusulas de copyleft, e se optar por redistribui-lo (modificado ou não), terá que mantê-lo com a mesma licença com que o recebeu.

Nem todas as licenças de software livre incluem a característica de copyleft. A licença GNU GPL é o maior exemplo de uma licença copyleft. Outras licenças livres, como a licença BSD ou a licença ASL (Apache Software License) não incluem a característica de copyleft.

3 SOFTWARE LIVRE NA EDUCAÇÃO E INCLUSÃO DIGITAL

3.1 A INCLUSÃO DIGITAL NO CONTEXTO BRASILEIRO

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