p2 - artigo mauricio candido da silva

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Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo: Arquitetura, Museografia e História

Mauricio Candido da Silva

Mestre e doutorando em Arquitetura pela FAU/USP. Especialista em Museologia pelo MAE/USP.

Atualmente é o Coordenador do Museu de Anatomia Veterinária da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo.

Abstract

This is a study constituted in the fields of the History of Architecture and Museology. It is based in the analysis of the architectonic project and the formal elements of the building that shelters the Museum of Zoology of the University of São Paulo. Its development is structured in the re-establishment of the architectonic project based on the historical process this Museum belongs to. It is associated to the Natural History Museums tradition which means that they are scientific organized and hold research and study collections. The Museum of Zoology of USP is recognized as an institution dedicated to the preservation of the heritage references of South American Zoology and it maintains natural collections that are dated beginning from the second half of XIXth Century. The author of the architectonic project of this Museum, Christiano Stockler das Neves, received a program of needs historically settled and constructed a building totally devoted to the accomplishment of the requirements of the final of the 1930's museology. Because of that this construction becomes a heritage reference and being so it can be understood as a holder of meanings in the study of architecture and museology.

Keywords: History of Architecture. Museology. Museums. Neves, Christiano Stockler das.

Apresentação

O objetivo deste trabalho é o de analisar a idealização dos espaços museográficos em um Museu com coleções científicas, a partir de seu projeto arquitetônico. Busca-se com isso compreender não só o estabelecimento de princípios arquitetônicos-museológicos, como também a própria noção de Museu, em um dado momento histórico. Para isso, selecionamos o projeto arquitetônico para o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, desenvolvido em 1939, edifício existente até hoje e com a mesma função original. O projeto arquitetônico é de Cristiano Stockler das Neves, sendo o programa efetuado e conduzido pelo zoólogo Olivério Mario de Oliveira Pinto e a obra fiscalizada pelo Engenheiro Antenor da Silveira. Com esse estudo, parte integrante da minha dissertação de mestrado, foi possível observar o desenvolvimento de um projeto arquitetônico para um determinado tipo de museu, seu andamento até a sua conclusão.

O Museu de Zoologia da USP

Criado em 1894, transformado em uma instituição especializada em 1939, instalado em seu atual edifício em 1941 e incorporado à Universidade de São

Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo: Arquitetura, Museografia e História Mauricio Candido da Silva

Paulo em 1969, o Museu de Zoologia, estruturado em coleções de pesquisa (Clercq 2003), preserva as referências patrimoniais da Zoologia da região Neotropical1, com registros históricos que englobam o período que vai da segunda metade do século XIX até os dias atuais. As origens dessas coleções remontam ao Museu Provincial, pertencente à Sociedade Auxiliadora do Progresso da Província de São Paulo, à pouco conhecida Coleção Peçanha, e ao Museu Sertório, de propriedade de Joaquim Sertório, localizado na Rua da Consolação, região central da cidade paulistana, em franca expansão em meados do século XIX. Posteriormente, a colina do Ipiranga foi o local escolhido, por 45 anos, para o estabelecimento de dessas coleções no prédio do Museu Paulista, e, nos últimos 70 anos, no edifício projetado por Christiano Stockler das Neves.

A constituição do programa arquitetônico do Museu de Zoologia tem um momento especial no ano de 1894, após a construção do Monumento do Ypiranga, projetado pelo arquiteto italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi, quando o naturalista alemão Hermann von Ihering assumiu a direção do Museu Paulista e começou a trabalhar na implantação de um Museu de História Natural do Estado de São Paulo. Os reflexos do seu trabalho ainda são sentidos até hoje, por conta da organização de uma instituição com caráter fortemente científico no planalto paulista.

O ano de 1939 simboliza o fim do Museu (Enciclopédico) de História

Natural e o início do Museu (Especializado) de Zoologia. Símbolos que, ao mesmo tempo que representam, denotam as mudanças e as transformações que definiram a trajetória histórica desta instituição museológica. O processo de desvinculação das coleções zoológicas do Museu Paulista deixou marcas de rupturas e de continuidades entre duas importantes instituições museológicas paulistas. No conjunto, esses fatores compõem uma importante marca no processo histórico do programa arquitetônico do Museu de Zoologia, num movimento aparentemente linear, mas que, quando detalhado, se mostra complexo e com inúmeros caminhos. Tudo isso refletido na forma traduzida e criada pelo arquiteto que, como artista, se torna um vetor cultural de seu tempo e de seu espaço.

O Museu de Zoologia da USP

Embora houvesse inúmeras discordâncias ideológicas entre Christiano

Stockler das Neves e os modernistas, aqui, tomou-se a liberdade de citar uma conceituação sobre a arquitetura de Lúcio Costa, por ser considerada abrangente, abordando a questão da permanência da arquitetura, questão de grande interesse para este estudo:

“A mais tolhida das artes, a arquitetura é, antes de mais nada, construção; mas construção concebida com o propósito primordial de organizar e ordenar o espaço para determinada finalidade e visando a determinada intenção. [...] É nesse processo fundamental de organizar, organizar e expressar-se ela se revela igualmente arte plástica, porquanto nos inumeráveis problemas com que se defronta o arquiteto desde a germinação do projeto até a conclusão efetiva da obra, há sempre, para cada caso específico, certa margem final de opção entre os limites – máximo e mínimo – determinados pelo

Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo: Arquitetura, Museografia e História Mauricio Candido da Silva cálculo, preconizados pela técnica, condicionados pelo meio, reclamados pela função ou impostos pelo programa, cabendo então ao sentimento individual do arquiteto – como artista, portanto – escolher, na escala dos valores contidos entre tais limites extremos, a forma plástica apropriada a cada pormenor em função da unidade última da obra idealizada.” (COSTA, 2005: 20).

O período em que o Museu de Zoologia foi projetado e construído foi extremamente dinâmico para a arquitetura de forma geral, mas, em especial, para os novos museus. Sob a influência da arquitetura moderna, principalmente após a abertura do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, em 1939, dez anos após a sua fundação, é possível observar uma maior ocorrência de projetos para Museus com um estilo de arquitetura moderna, que, cada vez mais, se tornavam especializados:

“Podemos considerar que as idéias modernas de museus concretizam-se, no final dos anos 30 e início dos anos 40, em quatro modelos: a idéia de museu de crescimento ilimitado, definido em 1939 por Le Corbusier como uma forma retilínea que se enrosca; a idéia de museu para uma pequena povoação (1942), projetado por Mies van der Rohe como platônico museu de planta livre, o museu de Guggenheim de Nova Iorque (1943-1959), criado por Frank Lloyd Wright como forma orgânica e singular gerada por seu percurso helicoidal; e a exigência de Marcel Duchamp de total dissolução do museu, com seus objects trouvés surrealistas e com suas propostas de um minúsculo museu portátil, a Boîte en valise (1936-1941), que abriu novos caminhos para as exposições e para os museus.” (MONTANER, 2003: 10).

Os museus, consolidados como instituições, passam a expandir suas variações e ainda mais seu público. Primeiro conquistaram (séculos XVII – XVIII), depois consolidaram (séculos XVIII – XIX), por fim, diversificaram-se por meio de sua especialização (séculos XIX – X). A arquitetura foi fundamental nesse processo. Ao mesmo tempo que estimula, ela reflete um processo de crescimento e amadurecimento dessas instituições:

“Cada novo museu surge como uma interpretação daqueles que o precederam, gerando obras que partem da redefinição dos elementos essenciais da tradição – como vestíbulos, salas e clarabóias – e que comportam edifícios de uma estrutura definida e compartimentada.” (Montaner 2003: 62).

A obra de Tommaso Gaudenzio Bezzi certamente teve influência no programa arquitetônico do Museu de Zoologia. É possível ainda identificar alguns elementos, tais como peristilo, hall central, escadaria, corredores de distribuição, vestíbulo, rotunda e recepção como espaços determinantes na estruturação espacial do Museu. Contudo, há duas diferenças a serem assinaladas de que, acredita-se, Christiano das Neves tinha plena consciência. As influências do Museu Paulista eram limitadas, pois ele não fora construído para ser um espaço museológico, mas, sim, um edifício-monumento. O Museu Paulista tinha cerca de

Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo: Arquitetura, Museografia e História Mauricio Candido da Silva dois terços do seu espaço dedicado às exposições. O Museu de Zoologia é projetado para ter um terço do seu espaço dedicado às exposições.

Considerando que a história da organização e das formas de representação tem o potencial de revelar aspectos importantes da história da arquitetura dos museus, é importante levar-se em conta os pressupostos informativos dos objetos para sua incorporação nas coleções científicas. Clercq e Lourenço apresentam cinco critérios para a formação (CLERCQ, 2003). Aqui, esses critérios são admitidos como elementos integrantes do programa arquitetônico para o Museu de Zoologia. São eles:

1° Se os resultados de pesquisa foram interessantes, a coleção deverá ser preservada. 2° Se alguns objetos são considerados representativos, eles integrarão uma coleção de referência. 3° Alguns objetos particularmente ilustrativos comporão a coleção pedagógica. 4° Outros poderão ser mostrados devido a uma atração estética ou por ter características impressionantes. 5°. Coleções também podem ser colocadas à disposição por não serem relevantes ou por simples falta de espaço (CLERCQ 2003, p. 5).

Christiano das Neves parece ter levado em consideração critérios semelhantes a esses para a elaboração do projeto arquitetônico do Museu de Zoologia. Essas informações tornaram-se importantes elementos de composição do programa arquitetônico. O arquiteto teve a incumbência de traduzi-los em forma de um espaço museológico, para o desempenho das atividades museográficas (DESVALLÉES, 1998).

A construção do novo edifício, iniciada em 1939 e concluída em 1941, foi muito aguardada pelo diretor do Museu Paulista (Afonso D’Escragnolle Taunay) e pelo novo diretor interino do Museu de Zoologia (Olivério Mário de Oliveira Pinto). No discurso do lançamento da pedra fundamental, Olivério Pinto evidenciou a trajetória da nova instituição, que não era totalmente nova, mas um reforço da linha de pesquisa adotada há muito pelo Museu Paulista, quando este ainda se definia como um Museu voltado para a pesquisa de animais da América do Sul:

“[...] tem como fins o inventário metódico de nosso imenso patrimônio faunístico, a determinação da área de dispersão de seus componentes, das relações que mantém entre si ou com a vida humana, com animais domésticos, ou as plantas cultivadas. [...] a sua função, antes de tudo, a Zoologia taxonômica, o que vale dizer a sistemática [...].” (Relatório apresentado pelo Diretor em 15 de janeiro de 1941 a José Levy Sobrinho, digno Secretário da Agricultura, Indústria e Comércio de São Paulo).

A realização dos programas arquitetônico e museológico alcançou sua maior expressão no projeto (do Museu), vértice de anseios e necessidades que se constituíram ao longo de quase meio século. Naquee momento, o projeto era mior que a obra. Os aspectos construtivos do Museu de Zoologia tornaram-se codificadores de um sistema, configurando este processo como linguagem

Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo: Arquitetura, Museografia e História Mauricio Candido da Silva arquitetônica e museológica. Esta obra torna-se, assim, um edifício representativo da história da arquitetura e da museologia.

A obra

aspecto da fachada principal do Museu de Zoologia. autor: Ronaldo Aguiar data: novembro de 2004 fonte: Acervo iconográfico do STM/DDC/MZUSP

A análise dessa obra arquitetônica toma como pressuposto que a arquitetura possui enunciados que são vinculados por suas formas. Ao enunciar, ela se constitui linguagem: “Ela possui a capacidade de representar para pessoas algo mais que a sua simples presença.” (COLIN, 2000). Isso é possível porque ela possui uma forma, volumétrica, inserida em um espaço urbano. Essa distinção é importante porque o Museu de Zoologia foi constituído no ‘locus histórico’ do Ipiranga. Planejado para ser construído em um espaço urbano constituído pelo Eixo Monumental, local da Proclamação da Independência, vale a pena retomar a análise de Huet para os espaços urbanos, principalmente porque ele, assim como Christiano das Neves, foi muito crítico em relação às soluções modernas para esses espaços.

“O projeto urbano não define a embalagem dos edifícios a serem construídos de uma forma mais ou menos imperativa, mas consiste na individualização de quatro elementos que constituem o tecido urbano: o traçado, as hierarquias monumentais, a subdivisão e, enfim, as regras de organização espacial.” (HUET, 1986: 86).

A construção do Museu de Zoologia no Parque da Independência está situada em um importante momento da História da Arquitetura contemporânea brasileira. Até 1940, a industrialização de materiais de construção era tímida (REIS FILHO, 1970), levando os arquitetos e engenheiros construtores a importarem boa parte dos materiais construtivos. O crescimento vertical da cidade de São Paulo, iniciado no começo do século X, ganhava força nesse momento. A reviravolta decisiva ocorreu em consonância com a aceleração do progresso industrial. Foi em 1936, quatro anos antes do início das obras do Museu de Zoologia, que a produção industrial nacional superou a produção agrícola (BRUAND, 2002). Também é importante frisar que, em 1943, foi concluído o primeiro edifício público moderno na Capital do Brasil, o Ministério da Educação e Saúde. Em função da Guerra que assolava a Europa, grandes transformações políticas e, principalmente, econômicas chegaram até aqui, interferindo em muitos aspectos, inclusive no desenvolvimento e nas formas da arquitetura. Soma-se a

Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo: Arquitetura, Museografia e História Mauricio Candido da Silva isso que vivíamos um Regime de Exceção, com um governador interino no Estado de São Paulo,

Como obra museológica dedicada à preservação das referências patrimoniais da zoologia neotropical, o edifício atualmente ocupado pelo Museu de Zoologia foi erguido na colina do Ipiranga. Dividido em quatro pavimentos, com uma área construída com pouco mais de cinco mil metros quadrados, o edifício ocupa um lote de esquina, entre a Avenida Nazaré e a Rua Padre Marchetti, na parte sul em relação ao Museu Paulista, onde se localizava parte do Horto Botânico projetado e implantado por Hermann von Inherig ainda na primeira década do século X (HOEHNE, 1925). Trata-se de um lote retangular, medindo 62,15 x 81,5 metros, e a edificação construída mede 52 x 52 metros. A menor medida do terreno refere-se à fachada principal, voltada para a Avenida Nazaré e a maior medida refere-se à fachada da Rua Padre Marchetti. As outras duas fachadas voltam-se ao extinto Horto Botânico. Os elementos estruturais do prédio são constituídos por grossas paredes de alvenaria, com cerca de meio metro de largura, por colunas de perfil quadrado e vigas de sustentação com perfil semicircular. Em função de um leve declive, o aproveitamento do terreno gerou quatro pavimentos, na verdade, três e três quartos, pois o primeiro pavimento, considerado subsolo, devido àquela declividade, não ocupa toda a área do edifício, tendo um quarto de sua área subterrada.

No próprio projeto, o arquiteto especificou com detalhes o uso de cada espaço museográfico, destacando-se as áreas de pesquisa agregadas às coleções, biblioteca, administração e exposições. Nessa linha, é possível ainda verificar uma área pública e uma área de uso restrito. Seu programa museológico foi pautado pela lógica organizacional, de distribuição dos espaços, segundo a função a ser desempenhada.

Após levantamento e estudo de cinqüenta e cinco cópias de plantas elaboradas para o Museu de Zoologia, comparando-as com o edifício que de fato foi construído, é possível afirmar que houve pouca alteração entre projeto e execução. Após estudos preliminares, em dois anos, entre 1939 – 1941, praticamente todo o projeto desenhado foi executado, com adaptações significativas apenas nos aspectos ornamentais e da escadaria do hall central. Durante a construção do Museu de Zoologia, surge um personagem que se inseriu de forma determinante na relação programa-projeto-construção. Trata-se do engenheiro Antenor da Silveira, chefe da divisão de engenharia rural, designado como responsável direto pela construção do prédio e fiscalização da obra. Juntamente com Olivério Mário de Oliveira Pinto, sua intervenção garantiu a execução total do programa museológico e do projeto arquitetônico daquilo que havia sido projetado. Manteve com afinco na sua responsabilidade de garantir a “[...] construção deste majestoso edifício que vai servir a um dos mais importantes serviços científicos. [...] e respeito e admiração por Christiano das Neves, cujo nome como profissional e como professor em sua especialidade é sobejamente conhecido e acatado.” (Ofício de Antenor da Silveira para José de Paiva Castro, diretor geral da Secretaría da Agricultura, mais ou menos dois meses após o início das obras, 26 de agosto de 1940). Esse respeito pelo arquiteto tinha fundamento porque Christiano das Neves atuava também como engenheiro, reconhecido pelo já consagrado trabalho com concreto. No item I do contrato com a construtora, como administrador da obra, especificou com detalhes o que

Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo: Arquitetura, Museografia e História Mauricio Candido da Silva deveria ser executado: “O concreto será construído com 3700 kilos por centímetro quadrado.” (Processo AS/ nº 91223/1941). O arquiteto conhecia muito bem a técnica da concretagem, tão comum na composição da arquitetura moderna.

Christiano das Neves foi contratado como arquiteto, engenheiro e administrador da obra. Acumulava três habilidades em um só profissional. Toda a sua exigência também pode ser vista nas especificações para o revestimento das fachadas:

“Será feito com argamassa de cimento branco Atlas ou similar, areia branca, lavada, quartzo, mica, pó de pedra, conforme as amostras feitas pelo Administrador das obras. O cimento branco constituirá uma parte do traço e os demais ingredientes três partes. A espessura será de 0,01m. Este revestimento será lavado a ácido (1:10). O serviço deverá ser executado com perfeição, isento de manchas e outros defeitos. Após a lavagem com ácido o revestimento deverá receber abundante lavagem com água a fim de não serem prejudicados os caixilhos de ferro, peitoris e soleiras. Todas as arestas deverão ser vivas, bem assim os cantos. A mistura de argamassa deverá apresentar coloração uniforme. Os peitoris terão as necessárias pingadeiras, bem assim todas as molduras salientes.” (Processo AS/ nº 91223/1941).

Após dois anos do início das obras, em julho de 1942, o Museu concluiu a transferência de suas coleções, pessoal, biblioteca, exposição e administração para seu novo espaço museológico. Contudo, a obra não estava plenamente pronta. O repasse financeiro ainda não se havia efetivado. Sem as mesmas pompas comemorativas que marcaram o lançamento da pedra fundamental, na abertura pública do Museu de Zoologia, não há registro de um evento festivo; por isso sua data é incerta. Tudo indica que a abertura tenha ocorrido entre julho e setembro de 1942.

Com uma arquitetura datada do final da década de 1930, o edifício do

Museu de Zoologia parece adotar alguns diálogos com o seu entorno, o Eixo Monumental do Ipiranga. Mantendo uma coleção iniciada ainda no final do século XIX, o projeto buscou, por meio de vários elementos figurados dispostos em suas fachadas, mostrar aos transeuntes o que o prédio abriga em seu interior: um programa arquitetônico voltado para a Preservação da Zoologia. Do mesmo modo, evidencia aos usuários internos, por meio de moldes figurados e dos vitrais dispostos em torno da escadaria do hall central, o que se faz em seu interior. Dessa forma, os elementos figurados presentes nas fachadas principais do Museu, juntamente com o hall central, que abriga os moldes figurados e os vitrais, formam o conjunto ornamental que representa a ilustração da zoologia no projeto desse edifício. Podemos entender essa obra como um edifício museografado.

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