O sistema único de saúde

O sistema único de saúde

(Parte 5 de 5)

Esse perigoso senso comum que se vai conformando é falacioso e assenta-se no desconhecimento de que a crise da saúde tem caráter universal que deriva do esgotamento do paradigma de atenção médica, e que se manifesta, também, no Brasil.

Dessa forma, as aparentes soluções apresentadas – todas referenciadas pelo modelo médico esgotado – ao desconhecerem esse componente estrutural da crise, mais aprofundarão que resolverão o problema.

Demais, toma-se o SUS como evento discreto, criado pela Constituição de 1988, negando-lhe a característica de um processo social que, apenas, tem, no tempo constituinte, um momento de consolidação jurídica, mas que continua sendo construído no cotidiano da prática social.

Conjunturalmente, mascara-se o fato mais relevante, o da coetaneidade do SUS com a mais grave crise do Estado brasileiro – uma crise orgânica do Estado – que desarticulou o aparato estatal e se manifestou, mais visivelmente, numa crise fiscal que repercutiu, catastroficamente, no financiamento do SUS, no período crítico de implantação. Ao mesmo tempo, desconhecem-se os êxitos incontestáveis do novo sistema e se lhe transforma em espaço social privilegiado de constituição das notícias-espetáculo.

Por tudo isso, há de se analisar o SUS com maior objetividade, entendendo-o como processo em construção permanente que visa, a médio e longo prazos a uma mudança do paradigma de atenção à saúde e a uma busca de um sistema de saúde eficaz, eficiente, de qualidade e eqüitativo.

Para tal, é fundamental reconhecer que o desenho constitucional de 1988 é correto e moderno, mas que carece de condições e tempo para afirmar-se socialmente. E entender que seu desenvolvimento conseqüente vai depender da formulação estratégica de uma agenda para a saúde a ser perseguida, tenazmente, com muito esforço e por muitos anos.

O Brasil já não suporta milagres e milagreiros, articuladores de soluções assentadas em diagnósticos ideológicos ou interessados.

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