Discalculia

Discalculia

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DISCALCULIA Dificuldade na realização dos cálculos mentais ou escritos, devido à fatores variados, como: ensino inferior ou falta de maturação.

HISTÓRICO DA DISCALCULIA: HENSCHER Foi o 1º a utilizar o termo ACALCULIA para designar um transtorno do cálculo, produzido por uma lesão focal do cérebro. Este termo surgiu com 2 subdivisões:

A 1ª relacionada com a DISLEXIA, pois se trata, fundamentalmente, de dificuldades para a leitura e escrita de números.

A 2ª subdivisão refere-se, concretamente, à um transtorno específico do cálculo, já que se trata de uma dificuldade para realizar operações.

Um mesmo paciente pode apresentar as 2 alterações, simultaneamente. A partir deste estudo, diversos estudiosos vêm pesquisando a discalculia.

Segundo estudos de GESTSMANN (1924) A discalculia foi associada à um tipo específico de distúrbio neurológico, chamado Síndrome de Gestsmann, que inclui agnosia digital (não consegue fazer reconhecimentos através do tato); desorientação de direita e esquerda; agrafia (não escreve) e um transtorno na função do cálculo.

Para BOREL A discalculia se relaciona com freqüência a transtorno da linguagem associada à dificuldade na integração numérica.

BERGER, (1926) Classificou a discalculia em primária e secundária.

DISCALCULIA PRIMÁRIA (com lesão: acalculia) Não tem relação com alterações de linguagem ou raciocínio, mas trata-se de um transtorno específico e exclusivo do cálculo e unido à uma lesão cerebral (acalculia).

DISCALCULIA SECUNDÁRIA (sem lesão) É mais freqüente e ocorre associada à outros transtornos, como:

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Dificuldade de linguagem; Desorientação espaço-temporal; Baixa capacidade de raciocínio;

Manifesta-se em uma utilização incorreta dos símbolos e má realização das operações, sem apresentar lesão neurológica

O ser humano desenvolveu símbolos para se expressar através da linguagem falada e escrita, transmitindo pensamentos e sentimentos, mas para expressar determinados tipos de idéias, como: quantidade, tamanho e ordem, ele desenvolveu a Matemática, sendo os números instrumentos convenientes para registrar ou comunicar idéias e relações de intensidade.

A aquisição de um sentido numérico é comparável aos estágios de desenvolvimento da linguagem interna em outra forma de comportamento verbal, principalmente, na capacidade da criança para compreender as experiências, necessárias ao pensamento quantitativo.

Uma criança não adquire a noção de números, simplesmente, através do ensino e, quando os adultos tentam impor conceitos matemáticos, antes dela estar “pronta” sua aprendizagem torna-se, simplesmente, verbal.

O desenvolvimento dos conceitos numéricos começa, mais ou menos, com um ano de idade com a manipulação dos objetos, sendo esse um pré-requisito para a contagem.

Desta forma, a linguagem possui aspectos internos, receptivos e expressivos.

Aspectos Internos Desenvolvem quando a criança assimila e integra as experiências não verbais. (Ex: Tudo o que a criança vê, toca e pega).

Aspectos Receptivos A criança aprende a associar os símbolos às experiências.

Aspectos Expressivos Quando expressa as idéias de quantidade, espaço e ordem, visando a linguagem matemática.

DISTÚRBIOS ARITMÉTICOS Os seguintes distúrbios podem ser encontrados em graus diversos:

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1) Dificuldade para estabelecer correspondência unívoca. (Ex:

Relação: 1X1); 2) Incapacidade ou dificuldade para contar com sentido. (Ex: 1, 2, 3, 4...); 3) Dificuldade para associar os símbolos auditivos aos visuais; 4) Dificuldade para aprender os sistemas de contagem (ordinal e cardinal); 5) Dificuldade para visualizar conjunto de objetos dentro de um conjunto maior; 6) Dificuldade para compreender o princípio de conservação de quantidade; 7) Dificuldade para compreender os significados dos sinais de operação (+, -, X, : ); 8) Dificuldade para compreender as organizações dos números na página; 9) Dificuldade para obedecer e recordar a seqüência dos passos que devem ser dados em operações matemáticas diversas; 10) Dificuldade para compreender os princípios de medidas; 1)Dificuldade para ler mapas e gráficos.

1) Falhas de Pensamento Operatório: (crescente, decrescente, seqüência de maior e menor...);

Falta de noção de maior e menor; Antes e depois nos números; Dificuldade de realizar cálculo mental; Necessidade absoluta de concretizar as operações; Dificuldade para compensar ordens nas operações; Dificuldade para estabelecer uma ou mais operação correspondente, mesmo com o terapeuta lendo o problema (diferença em entender o problema, mesmo sendo explicado o modo de realização). Dificuldade para compreender a multiplicação como abreviação da soma e a divisão como abreviação da subtração.

OBS: Determinar o nível da falha do pensamento e onde ocorreu esta falha, utilizando bastante o concreto e “tirando aos poucos”.

2) Falhas Lingüísticas: Refere-se às dificuldades de captação da estrutura de um problema, através da leitura e seu enunciado por falhas na compreensão da linguagem oral e escrita.

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OBS: Determinar o nível de linguagem, se a falha é apenas na linguagem matemática. Proporcionar o desenvolvimento lingüístico.

3) Falhas de Sobrecarga: Ocorrem em operações extensas ou em problemas de muitas etapas onde começa a surgir falhas de figura-fundo ou erros estranhos.

OBS: Determinar o tempo de atenção útil, seu nível de atenção. O terapeuta não deve realizar muitas atividades numa única sessão.

4) Falhas Mnêmicas : (memória) Ocorre quando não existe estrutura mental para compreensão das operações, pois não se pode memorizar aquilo que não se compreende.

OBS: Está relacionado diretamente com a maturidade.

5) Falhas de Espaço Temporal:

Espelhamento; Rotação; Reversão; Mudança no plano horizontal; Mudança nos planos horizontal e vertical; Mudança no plano vertical; Reversão na ordem das cifras de um número. (Ex: 42 24); Falhas na disposição dos números; Falhas no reconhecimento; Discriminação de figuras geométricas.

OBS: Falhas perceptivas e psicomotoras, relação espacial e esquema corporal.

6) Falhas de Figura-Fundo: Dificuldades e falhas na atenção. Não consegue entender os significados dos sinais:

Somar ao invés de multiplicar ou vice-versa; Dividir ao invés de subtrair ou vice-versa; Pular operações ou etapas de uma operação; Repetir operações em um problema ou etapa da mesma operação; Associar elementos de uma etapa com elementos de outra, criando uma relação, totalmente estranha (mistura as etapas); Têm falhas de figuras-fundo, não vê o todo.

7) Erros Estranhos: São aqueles que chamam a atenção pelas associações absurdas que a criança cria, sendo provável que na

Silvana Reis 5 base desses problemas existam dificuldades de pensamento operatório ou falta de concretização.

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