Dislexia - como reconhecer

Dislexia - como reconhecer

Psicopedagogia Aplicada – Profª. Silvana Reis 1

A dislexia é certamente um obstáculo difícil, mas não barreira intransponível. Em primeiro lugar, o importante é que o obstáculo deve ser reconhecido.

Se os pais e professores compreenderem exatamente quais são as dificuldades que uma criança com dislexia apresenta, eles poderão ser muito úteis, não somente mostrando simpatia e encorajamento, mas principalmente buscando uma didática mais adequada.

A criança com dislexia difere das outras de mesma idade de várias maneiras. Estas diferenças não são evidentes em todas as crianças com dislexia e elas ocorrem em diversas combinações.

O nível das dificuldades também varia muito. Pais e professores poderão reconhecer se as dificuldades são devidas a dislexia, fazendo a si próprios as perguntas que se seguem.

A dislexia ocorre mais em meninos, porém pode aparecer também em meninas.

Se tiver cerca de 8 anos e meio ou menos

• Ainda tem dificuldade de leitura ainda tem dificuldade para soletrar • Atividades não relacionadas com leitura e soletração é esperto e inteligente

• Inverte os números, por exemplo, 15 por 51 ou 2 por 5

• Escreve "b" ao invés de "d"

• Necessita usar blocos ou dedos ou anotações para fazer cálculos

• Tem alguma dificuldade incomum em lembrar a tabuada

• Demora a responder

• Confunde a esquerda com a direita

• É desajeitado (algumas crianças com dislexia são, mas não todas).

• Tem dificuldade em pegar ou chutar bola

• Tem dificuldade em atar os sapatos, fazer nó numa gravata, vestir ou trocar de roupa.

Se tiver de 8 1/2 a 12 anos:

• Ainda comete erros negligentes na leitura • Ainda comete erros esquisitos na soletração

Psicopedagogia Aplicada – Profª. Silvana Reis 2

• Omite algumas letras nas palavras • Não tem bom senso de direção , confundindo às vezes esquerda com direita

• Às vezes confunde "b" com "d"

• Ainda acha a tabuada difícil

• Ainda utiliza os dedos das mãos, dos pés e sinais especiais no papel para fazer cálculos. • a compreensão de leitura é mais lenta do que esperada na idade dele

• Leva mais tempo do que a média para fazer trabalhos escritos na escola ou em casa • Lê muito por prazer

• O tempo que leva para fazer as quatro operações aritméticas, parece ser mais lento do que o esperado para sua idade

Demonstra insegurança e baixa apreciação sobre si mesmo Se ele tiver 12 anos ou acima:

• Há ainda erros na leitura • Quando faz soletração, notam-se ainda algumas incorreções.

• As instruções, os números de telefone, etcTem às vezes de ser repetidos

• Atrapalha-se pronunciando palavras longas (faca experiência com palavras como: preliminarmente, filosoficamente, paralelepípedo) • Confunde-se, às vezes, com lugares, horários e datas.

• Muita verificação tem de ser feita antes de poder copiar corretamente

• Ainda tem dificuldade com as tabuadas mais difíceis

• Na forma tradicional de recitar as tabuadas , se perde e pula alguns números, esquecendo em que ponto esta

• Diga-lhe quatro números, por exemplo, 4 - 9 - 5 - 8, pronunciados em intervalos de um segundo, e, peça-lhe para dizer em ordem inversa. • Ainda volta aos hábitos da idade anterior quando se cansa

• Tem dificuldades em planejar e fazer redações

Todas as Idades:

• Há alguém mais na família com o mesmo problema • Você tem a impressão que existe anomalias e inconsistências na performance dele; que é esperto e inteligente em alguns aspectos mas parece ter um bloqueio parcial o total em outros, difícil de explicar .

Psicopedagogia Aplicada – Profª. Silvana Reis 3

Dicas que podem ajudar:

1. Não o chame simplesmente de preguiçoso ou de desleixado. 2. Não faca comparações com outros membros da família ou com colegas de classe. 3. Não exerça pressão sobre ele a ponto de amedrontá-lo com a perspectiva de não passar de ano ou de deixar você desapontado 4. Não exija que ele leia em voz alta perante seus colegas (sem seu consentimento). 5. Não espere que aprenda a soletrar uma palavra após escrevê-la repetidas vezes, com a finalidade de lembrá-la. Certamente não se lembrara. 6. Não fique surpreso se facilmente se cansar ou desanimar. 7. Não se surpreenda se a caligrafia for irregular ou feia. Boa caligrafia e muito difícil. 8. Não se surpreenda se o desempenho for incongruente; se em algumas ocasiões se sair bem e em outras não. 9. Não diga somente "tente esforçar-se", incentive nas coisas que gosta e faz bem feito.

Leia em voz alta.

1. Manifeste sua apreciação pelo esforço, como por exemplo, elogiando por tentar escrever uma estória. Mesmo que ela contenha muitos erros, diga que a maioria das palavras estavam certas. 2. Estimule a olhar as palavras detalhadamente, poucas letras de cada vez. 3. Fale francamente sobre dificuldades dele. 4. Ajude a reconhecer que há muitas coisas que pode fazer bem. 5. Motive a ir devagar, dando tempo ao tempo.

O mais importante

Procure ensino especial (possivelmente no sistema individual, através de alguém que seja especialista em dislexia)

Pais e Escolas: Se seu filho freqüenta uma escola, fale com o diretor, afim de que haja perfeito entendimento entre vocês, e para que você possa estar certo de que os professores de seu filho estão conscientes das dificuldades que ele enfrenta e bem informados sobre o assunto. Se você tiver interesse em escolas especializadas em dislexia ou profissionais que possam ser consultados sobre problemas especiais de crianças com dislexia, ABD - Associação Brasileira de Dislexia poderá colocá-lo em contato com os mesmos.

Psicopedagogia Aplicada – Profª. Silvana Reis 4

Provas

Se ele se submeter à provas escritas, um atestado sobre as suas dificuldades poderá ser remetido para o conselho examinador , através do diretor da escola. Isto é aceitável somente pelo psicólogo escolar e somente depois de feita uma avaliação detalhada.

ASSOCIACAO BRASILEIRA DE DISLEXIA Av. Angélica, 2.318 - 12º andar CEP 01228-200 - São Paulo - SP Tel: 258- 7568 (Entidade sem fins lucrativos que tem por objetivo o estudo e a pesquisa da dislexia (distúrbios específicos de aprendizagem).

“O segredo dos segredos é a autodisciplina diária”. Caschmitt

Comentários