A fonoaudiologia e as disfunções da articulação temporomandibular

A fonoaudiologia e as disfunções da articulação temporomandibular

(Parte 1 de 7)

Stela Maris Szuminski

São Paulo 1999

Essa monografia é um estudo sobre a Articulação Temporomandibular

(ATM) e suas disfunções.

A ATM é uma articulação bilateral, complexa e com movimentos peculiares.

Este tema está sendo pauta de estudo por vários profissionais da área de saúde, inclusive pelos fonoaudiólogos.

Neste trabalho descreveremos a ATM, sua anatomia, seus movimentos normais e suas disfunções. Relatamos, ainda, a anamnese, avaliação, diagnóstico, tratamento e encaminhamento a outros profissionais. Procuramos discorrer sobre como cada profissional envolvido atua com pacientes com Disfunções Temporomandibulares. Enfocamos, principalmente, de que forma o trabalho fonoaudiológico pode ser realizado de modo benéfico e positivo para com esses pacientes.

Pretendemos, com este estudo, mostrar aos fonoaudiólogos a importância da saúde das ATMs para o bom funcionamento do Sistema Estomatognático.

This monography is a study about Temporomandibular Joint (TMJ) and its disfunctions.

The temporomandibular Joint is a bilateral articulation, complex and with pealiar movements.

This theme has been studied for many professionals of health area including speech pathologiests.

In this work (study) we describe Temporomandibular Joint is, and its anatomy, simple movements and its disfunctions. We also relate, anamnesis, evaluation, treatment and the guide to other professionals.

We try to consider about how each professional envolved works with their patients with Temporomandibular Joint Disfunctions. We enfocate, mainly how the threatment can be done in a beneficial and positive way. We intend with this study to show how the health of the Temporomandibular

Joint is important for the good function of the Sthomatognathic System.

1. INTRODUÇÃO5
2.1 Definição7
2.2 Componentes9
2.3 Movimentos normais das Articulações Temporomandibulares19
3DISFUNÇÕES DAS ARTICULAÇÕES TEMPOROMANDIBULARES 21
4ANAMNESE 28
5AVALIAÇÃO 30
6DIAGNÓSTICO 3
7TRATAMENTO 34
8ENCAMINHAMENTO 43
9CONSIDERAÇÕES FINAIS 43

SUMÁRIO 2. ANATOMIA DAS ARTICULAÇÕES TEMPOROMANDIBULARES ( ATMs) 7 10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 46

Ao analisarmos a evolução humana e o seu sistema estomatognático, verificamos a ocorrência de profundas modificações no decorrer dos tempos. Uma importante mudança surge na função da mastigação.

O homem primitivo era obrigado a fazer maior uso funcional do seu aparelho mastigatório , pois sua alimentação era basicamente de alimentos rígidos e não utilizavam utensílios domésticos para cortá-los. O aparelho mastigador era arma de ataque e de defesa. O mesmo não ocorre na vida atual já que os alimentos passam por fases preparatórias, apresentando-se, com mais freqüência, em forma pastosa ou pré - triturados, tornando cada vez menos necessária a trituração fisiológica. Com isso, o sistema mastigatório é cada vez menos utilizado, causando uma decadência anatomofisiológica e aumentando as possibilidades de perturbações e adaptações.

Bianchini (1998) relata que a mastigação é a única função estomatognática consciente, corresponde à fase inicial do processo digestivo e é dependente de inúmeros fatores.

A mastigação é iniciada aos sete meses, com a erupção dos primeiros dentinhos, e continua até o fim da vida.

Marchesan (1993) acredita que a textura e a natureza dos alimentos têm influência direta nas características mastigatórias e que se adaptam de acordo com o tipo de alimento que introduzimos na boca.

Para uma boa alimentação são necessários dentes sadios e dispostos de forma regular. Existe uma crença de que com a idade avançada é normal a perda dentária, que se inicia com o primeiro molar e ocasiona perda da dimensão vertical posterior, além de distalizar a mandíbula. Este fator pode resultar em problemas das Articulações Temporomandibulares (ATMs) (Marchesan, 1998). O sistema estomatognático identifica um conjunto de estruturas que são:

ossos, maxilar e mandibular, articulações, dentes, músculos, ligamentos, língua, lábios, espaços orgânicos, mucosas, vasos e nervos. Estas estruturas, atuando em conjunto e controladas pelo Sistema Nervoso, realizam as funções estomatognáticas que são: respiração, postura, sucção, mastigação, deglutição e fala.

Todas essas funções têm como característica a participação do único osso móvel do esqueleto crâniofacial, a Mandíbula (Bianchini, 1998).

A mastigação tem sua movimentação realizada através das ATMs e, por isso, é importante a estabilidade e saúde destas articulações.

Atualmente, o estudo das Disfunções Temporomandibulares (DTMs) está se tornando mais conhecido e de maior interesse entre os diversos profissionais da áreas afins, tais como: odontólogos, ortodontistas, fonoaudiólogos e psicólogos. Alguns pacientes procuram o fonoaudiólogo em busca de uma solução para seus problemas e existe, por parte destes profissionais, certa dificuldade com relação ao tratamento das DTMs.

O trabalho teórico tem por objetivo auxiliar os fonoaudiólogos no estudo das Articulações Temporomandibulares. Esperamos que, através desse estudo, os profissionais compreendam melhor a anatomia, as funções e algumas disfunções das ATMs.

Neste, procuramos enfocar sobre anamnese, diagnóstico, tratamento multidisciplinar, tratamento fonoaudiológico e encaminhamento.

Portanto, esperamos que este estudo possa ser útil ao fonoaudiólogo que, já em muitos casos, faz parte da equipe multidisciplinar.

2.- ANATOMIA DAS ARTICULAÇÒES TEMPOROMANDIBULARES (ATMs).

2.1.- Definição

Tenório-Cabezas (1997) descreve que as ATMs são elementos do aparelho estomatognático constituídos por um sistema dinâmico e classificadas como articulação ou diartrose. Seu mecanismo funcional é baseado nos princípios de uma articulação côncava - convexo na qual, em cada articulação, existem duas articulações: o compartimento superior e inferior e o disco que a divide entre o osso temporal e o côndilo mandibular.

As ATMs ligam a mandíbula, que é o único osso móvel, ao osso temporal. As ATMs possibilitam os movimentos da mandíbula como o de abrir, fechar, lateralizar, protruir, retrair e os movimentos rotatórios que são os próprios movimentos da mastigação (Bianchini, 1998).

As ATMs não constituem uma articulação comum; pois, por se localizarem uma em cada extremidade do osso da mandíbula, cada côndilo impõe limitações de movimentos sobre o outro.

As ATMs têm movimentos próprios para cada lado, porém simultâneos. É como se nós uníssemos as mãos direita e esquerda e, sem dobrar os punhos e cotovelos, realizássemos movimentos com os membros superiores; a articulação do ombro direito não se movimentaria sozinha; isto é, sem a movimentação da articulação do ombro esquerdo.

Há uma relação de interdependência das ATMs com a oclusão dos dentes de ambos os arcos, o que a torna especial e funcionalmente complexa (Madeira, 1999).

As ATMs parecem ser o apoio de todas as questões relacionadas às

Disfunções Temporomandibulares (DTMs) (Rodrigues da Silva e Felício, 1994).

Para Cabezas (1997), a articulação superior localiza-se entre a fossa mandibular do temporal, a eminência articular e o disco. A mesma apresenta um movimento de deslocamento, onde se dá a translação.

A articulação inferior, por ser articulação giratória, apresenta movimento de rotação.

No movimento de translação ocorre o deslizamento do côndilo ao longo da cavidade condilar, até a eminência articular do osso temporal. No movimento de rotação ocorre o giro do côndilo em torno do seu próprio eixo.

Bianchini (1998) comenta o trabalho de Savalle (1996), o qual descreve que no movimento de lateroclusão, também conhecido como movimento de lateralidade, os côndilos executam padrões motores diferentes. Se o movimento for para o lado direito, o côndilo direito realiza um pequeno movimento para fora e um pequeno deslocamento para trás e para cima. O côndilo esquerdo desliza para frente e para baixo e levemente em direção à linha mediana.

As ATMs diferenciam-se das outras articulações por não serem revestidas de cartilagem hialina. Elas são revestidas por uma fina camada de tecido fibroso avascular, sendo resistentes a compressão.

Todas as superfícies articulares e disco são recobertos por fibrocartilagem, não possuindo sistema vásculo nervoso nas áreas que suportam pressão, como o disco.

Bianchini (1998) , Junqueira (1990) e Madeira (1998) definiram as ATMs como articulações duplas e bilaterais com movimentos próprios para cada lado, porém sincronizados como as duas articulações, podendo ser consideradas como uma única articulação.

De acordo com Rodrigues da Silva e Felício (1994), cada côndilo impõe sobre o outro limitações de movimentos.

As ATMs estão posicionadas à frente do Meato Auditivo Externo e são limitadas, anteriormente, pelo processo articular do osso zigomático.

2.2 - Componentes

Segundo Bianchini (1998), Junqueira (1990), Cabezas (1997) , Felício (1994) e Madeira (1998), os componentes das ATMs são: Côndilo mandibular, fossa mandibular, eminência articular, disco articular, cápsula articular, ligamentos, membrana sinovial, vascularização, inervação temporomandibular e músculos.

Os ligamentos, músculos, cartilagem articular e inervação são considerados componentes das ATMs, uma vez que não conseguem desempenhar corretamente suas funções sem a coordenação integral de todos seus elementos.

As articulações temporomandibulares estão relacionadas com as funções do sistema estomatognático.

(Parte 1 de 7)

Comentários