Apostila Tecnologia Aplicação de Defensivos

Apostila Tecnologia Aplicação de Defensivos

(Parte 1 de 8)

TECNOLOGIA PARA APLICAÇÃO DE DEFFEENNSSIIVVOOSS AGRÍCOLAS Prof. Dr. Suedêmio de Lima Silva

1 APLICAÇÃO DE DEFENSIVOS4
1.1 INTRODUÇÃO4
1.2 CONSIDERAÇÕES GERAIS4
1.3 VOCABULÁRIO BÁSICO5
1.4 FATORES QUE AFETAM A PULVERIZAÇÃO6
1.5 TIPOS DE PERDAS7
1.6 COBERTURA DO ALVO7
1.7 DENSIDADE DE COBERTURA8
1.8 MOMENTO8
1.9 EFICÁCIA8
1.10 COMPOSIÇÃO DAS FORMULAÇÕES8
2 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI’S)9
2.1 USO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL9
3 MEDIDAS GERAIS PARA MANUSEIO DE AGROTÓXICOS10
4 GOTAS1
4.1 ESPECTRO DE GOTAS1
4.2 DIÂMETRO MEDIANO VOLUMÉTRICO (DMV) E DIÂMETRO MEDIANO NUMÉRICO (DMN)1
4.3 DENSIDADE DE GOTAS12
4.4 DINÂMICA DAS GOTAS13
4.5 EFEITO DAS CONDIÇÕES CLIMÁTICAS14
5 BICOS PULVERIZADORES15
5.1 PRINCIPAIS TIPOS DE BICOS PULVERIZADORES15
5.2 CARACTERÍSTICAS QUE INFLUENCIAM A FORMAÇÃO DAS GOTAS15
5.3 CARACTERÍSTICAS DOS PRINCIPAIS TIPOS DE BICOS HIDRÁULICOS - FORMAÇÃO DAS GOTAS15
5.3.1 Bico leque16
5.3.2 Bico cone:16
5.4 BICOS PARA APLICAÇÃO EM ÁREA TOTAL16
5.5 BICOS PARA APLICAÇÃO EM FAIXAS E JATO DIRIGIDO16
5.6 RECOMENDAÇÕES ÚTEIS PARA APLICAÇÕES EM FAIXAS16
5.7 BICOS DE ENERGIA GASOSA17
5.8 BICOS DE ENERGIA CENTRÍFUGA17
5.9 BICOS DE ENERGIA CINÉTICA17
5.10 BICOS DE ENERGIA TÉRMICA17
5.1 AVALIAÇÃO DA PERFORMANCE DOS BICOS17
6 PULVERIZADORES DE BARRAS17
6.1 TANQUE18
6.2 BOMBA19
6.3 BICOS HIDRÁULICOS19
6.3.1 Bico de jato em leque19
6.3.2 Bico de jato em cone vazio21
6.3.3 Bico de jato em cone cheio2
6.3.4 Bico de impacto ou deflexão23
6.6 REGISTROS DE ACIONAMENTO DAS SEÇÕES DA BARRA25
6.7 BARRAS DE PULVERIZAÇÃO25
6.8 AJUSTE PARA O TRABALHO26
6.8.1 Acoplamento26
6.8.2 Montagem das barras e bicos26
6.8.3 Pressão de trabalho26
7 OPERAÇÃO NO CAMPO27
7.1 SOBREPOSIÇÃO DAS PASSAGENS27
7.2 REABASTECIMENTO27
8 CALIBRAÇÃO DO PULVERIZADOR27
8.1 ESCOLHA DO TIPO DE BICO27
Parâmetros:27
8.2 ESCOLHA DA FAIXA DE PRESSÃO PARA O TRABALHO27
8.3 VERIFICAÇÃO DO ESPAÇAMENTO ENTRE BICOS27
8.4 DETERMINAÇÃO DA VELOCIDADE DE TRABALHO27
8.5 CÁLCULO DA VAZÃO NECESSÁRIA POR BICO28
8.6 LOCALIZAÇÃO DO BICO NA TABELA28
8.7 CALIBRAÇÃO28
8.8 PREPARO DA CALDA28
8.9 DETERMINAÇÃO DE OUTROS FATORES28
8.10 EXEMPLO: APLICAÇÃO DE UM HERBICIDA EM PRÉ-EMERGÊNCIA28
9 SISTEMAS DOSADORES29
9.1 SISTEMAS COM VAZÃO PROPORCIONAL A VELOCIDADE DE DESLOCAMENTO30
9.2 SISTEMA CONTROLADORES DA DOSE DE APLICAÇÃO30
10 REGULAGEM DE PULVERIZADORES DE BARRA – ROTEIRO PRÁTICO31
10.1 COMO EFETUAR A CALIBRAÇÃO DO PULVERIZADOR31
10.2 CÁLCULO31
10.2.1 Método teórico31
10.2.2 Método prático31

1 APLICAÇÃO DE DEFENSIVOS

1.1 INTRODUÇÃO

Com a expansão da agricultura surgiu a necessidade de empregarem-se defensivos agrícolas os quais, eventualmente, podem causar danos ao homem e ambiente, além de elevarem o custo de produção.

Evidentemente, o uso adequado desses produtos não é a solução para todos os problemas, mas é a condição básica para a proteção do homem, das culturas, dos animais e do meio-ambiente comum a todos. Além disso, o uso adequado é a melhor forma do produtor usufruir de todos os benefícios que esses produtos lhe proporcionam.

O objetivo da aplicação de defensivos agrícolas é o controle econômico de pragas e plantas invasoras (daninhas), através da distribuição da exata quantidade de defensivo, veiculado em gotas que possibilitem uma distribuição relativamente uniforme colocadas no “alvo” requerido.

A tecnologia de aplicação consiste no emprego do conhecimento científico visando a colocação do produto ativo no alvo sem contaminação, de forma econômica e em quantidade suficiente (MATUO, 1990). A abordagem dos aspectos básicos, afetos às técnicas de aplicação. se faz necessária para a construção de uma sólida base de conhecimentos. A partir dessa base as demais discussões são possíveis e mais produtivas.

Entende-se por tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas, o emprego de todos os conhecimentos científicos que proporcionem a correta colocação do produto biologicamente ativo no alvo, em quantidade necessária, de forma econômica, com o mínimo de contaminação de outras áreas. Agrotóxico, segundo definição em BRASIL (1990), são os produtos químicos destinados ao uso nos setores de produção, armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas nativas ou implantadas e de outros ecossistemas e também de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos, bem como substâncias e produtos empregados como desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores de crescimento.

Da mesma forma, o referido decreto define agente biológico de controle o organismo vivo, de ocorrência natural ou obtido através de manipulação genética, introduzido no ambiente para o controle de uma população ou de atividades biológicas de outro organismo vivo considerado nocivo.

1.2 CONSIDERAÇÕES GERAIS Quando se fala em uso de defensivos agrícolas, é muito comum citarmos as palavras

PULVERIZAÇÃO e APLICAÇÃO e, na maioria das vezes, esses termos são usados como sinônimos. Porém, quando se analisa detalhadamente o aspecto técnico, verificamos que, a princípio, são duas coisas completamente diferentes.

Pulverização: É um processo mecânico de geração de um grande número de pequenas partículas (gotas) de uma calda (mistura, suspensão ou diluição) de uma formulação comercial de produto químico em um líquido, geralmente água, colocada no tanque da máquina. É por isso que essa máquina se chama PULVERIZADOR. A intenção de se produzir pequenas gotas é conseguir o máximo de cobertura da superfície-alvo (solo, folhas da cultura, folha da planta invasoras (daninha), etc.) com o mínimo volume possível de calda. Teoricamente, quanto menores forem as gotas, conseguimos aumentar a cobertura do alvo com o mesmo volume de calda. Por outro lado, para um mesmo grau de cobertura do alvo, gotas menores possibilitam o uso de um menor volume de calda por área tratada.

Aplicação: É o processo de se colocar o produto químico no alvo. Teoricamente, quanto maior a quantidade de produto depositada naquela superfície, maior poderá ser a sua ação. Desta forma, uma aplicação de um determinado produto químico pode ser valorada em termos de eficiência, que é a relação percentual entre a quantidade de produto depositada no alvo e a quantidade de produto emitida pela máquina. De acordo com as definições acima, vemos que elas tem uma ligação bastante íntima com o processo de pulverização. Uma vez que se pretende obter o máximo de efeito do produto, teoricamente, isto será alcançado quando, tudo o que for emitido pela máquina, isto é, toda a pulverização efetuada seja depositada no alvo. Baseada nesse conceito, a técnica para um bom controle das pragas está em se colocar a máxima quantidade de produto no alvo com o mínimo de quantidade possível emitida pela máquina.

1.3 VOCABULÁRIO BÁSICO Alvo: organismo escolhido para ser atingido pela pulverização (planta ou parte, inseto, solo, etc.)

Calda: líquido homogêneo na concentração para pulverização resultante da mistura de um produto fitosanitário e um diluente (água). Calibração: determinação da taxa de aplicação de um equipamento.

Cobertura: parte da área-alvo coberta pelo produto aplicado, expressa em porcentagem. Deriva: desvio da trajetória das gotas pulverizadas, da faixa pretendida para a pulverização.

Diluente: Gás, líquido ou sólido, usado para reduzir a concentração do ingrediente ativo de uma formulação para aplicação. Dosagem: relação ou razão entre uma dose, expressa em quantidade de material por unidade de peso, comprimento, área ou volume. Dose: quantidade de qualquer produto fitosanitário, expresso em peso ou volume.

Depósito: quantidade de defensivo agrícola coletado pelo alvo.

Endoderiva: movimento de partículas distribuídas dentro da área a ser intencionalmente atingida.

Exoderiva: movimento de partículas distribuídas fora da área a ser intencionalmente atingida. Eficácia: capacidade de produzir um efeito desejado.

Faixa de aplicação: largura da área tratada relativa a uma passada do equipamento aplicador.

Faixa tratada por bico: faixa de terreno coberta com calda por bico em cada passagem do

Taxa de aplicação: quantidade de qualquer material aplicado por unidade de comprimento, superfície ou volume. Tratamento fitossanitário: operação envolvendo uma ou mais aplicações de produtos ou processos químicos, físicos, mecânicos ou biológicos, para defesa fitossanitária.

Vazão: quantidade em volume de defensivo e solvente (mistura) aplicada por unidade de tempo

(l/min). Volume de pulverização: correspondente ao volume total da mistura do produto fitossanitário mais solvente, aplicado por unidade de área (l/ha).

1.4 FATORES QUE AFETAM A PULVERIZAÇÃO Alvo Biológico: Considera-se como alvo biológico, o agente causal de doenças (bactérias, vírus, fungos, etc.), a planta invasora/daninha (incluindo sementes) que competem ou prejudicam o manejo da cultura e o inseto ou animal que se alimenta da planta, causando dano econômico. É fundamental para a adoção e eficácia de um método de controle o conhecimento da espécie de organismo que pretende-se atacar. Os patógenos, plantas invasoras (daninhas) e pragas possuem hábitos ou características de desenvolvimento que em determinado momento são mais sensíveis ao método de controle adotado. O potencial de dano e de proliferação do agente prejudicial, associado a capacidade de reação das plantas e efeito de elementos climáticos são úteis para a escolha do método de controle a ser adotado.

Alguns agentes são estáticas como as plantas invasoras (daninhas), outros como insetos, movimentam-se ativamente (lagartas, percevejos e ácaros) ou infestam as plantas como os patógenos e nematoides.

Solo: Tipo de solo, textura, granulometria, relevo, teor de água, características químicas, restos vegetais e nível de infestação por plantas invasoras (daninhas). Insetos: Estágio de desenvolvimento, hábito (noturno/diurno, isolados, coletivos, etc.) localização

(folha, caule, raízes, solo, voadores, etc.) e nível de infestação. Doenças: Forma de propagação, estágio de desenvolvimento da doença e nível de infestação.

Folhas e outros órgãos da planta (invasora/cultura): Estágio de desenvolvimento, cerosidade, pilosidade, rugosidade, face (superior/inferior) e posição das folhas. (Ex. fototropismo, deflexão em função do fluxo de ar do pulverizador, etc.). Relação defensivo / alvo: Tamanho das partículas (sólidos), tamanho de gotas, tensão superficial, ângulo de incidência da gota, forma de ação (sistêmico/contato – translocação/redistribuição), presença de espalhantes, etc. Volume de aplicação: Volume de calda aplicada por hectare deve estar relacionado com o tipo de alvo a ser atingido, cobertura necessária, forma de ação dos defensivos e técnicas de aplicação, entre outros fatores.

Denominação para o volume de calda (l/ha) Culturas Árvores e arbustos Alto volume > 600 > 1000

Médio volume 200 – 600 500 – 1000

Baixo volume 50 – 200 200 – 500 Muito baixo volume 5 – 50 50 – 200

Ultra baixo volume < 5 < 50

Clima: Além de ser um fator limitante para o desenvolvimento de uma cultura, influi diretamente no controle das pragas e moléstias, uma vez que determina as condições ambientais existente. Princípio ativo: É o produto que efetivamente irá agir contra a “praga”, ou seja, biologicamente ativo para o controle do nosso alvo biológico. Normalmente o princípio ativo apresenta-se diluído em algum produto inerte para se obter a distribuição uniforme do mesmo sobre a superfície a ser tratada. Veículo ou Diluente: É o material inerte ao qual é misturado o produto fitosanitário para pulverização. Os veículos podem ser líquidos como a água, óleo, etc. Uma aplicação de defensivo deve procurar utilizar a menor quantidade possível de veículo, uma vez que este é um material inerte, mas tem um custo para o transporte, diluição aplicação, etc. Operador: Operador é o principal fator a ser considerado na aplicação de produtos fitosanitários.

Toda e qualquer agressão desnecessária ao meio ambiente, com aplicação incorreta dos produtos fitosanitários, irá refletir-se no bem estar do próprio ser humano. O homem é o gestor do processo de aplicação. Máquina agrícola: As máquinas agrícolas tem por função levar o defensivo agrícola até o alvo biológico. O sucesso do tratamento realizado medido pelo grau de controle, dependerá da regulagem, manutenção e características operacionais da máquina utilizada. Segundo RUMKER et al. (1974), a perda de defensivos por deriva, volatilização e lixiviação podem chegar a 5%.

1.5 TIPOS DE PERDAS DERIVA: desvio do produto aplicado, fazendo com que este não atingida o alvo da aplicação. O movimento das massas de ar (ventos) e o tamanho das gotas são os fatores que influenciam a deriva. Quanto maior a intensidade dos ventos e menores forem as gotas produzidos, maior será a quantidade de gotas desviadas do alvo. Uma vez que a intensidade dos ventos é um fator não controlado pelo operador, cabe a ele administrar a operação no sentido de produzir uma pulverização que tenha a menor quantidade possível de gotas deriváveis. ENDODERIVA: perda do produto dentro dos domínios da planta (Ex. escorrimento causado por excesso de calda ou gotas muito grandes). EXODERIVA: perda do produto fora dos domínios da planta (Ex. gotas muito pequenas levadas por correntes de ar). EVAPORAÇÃO: a água é usada na maioria das vezes como agente de diluição do produto químico, formando a calda. A água facilmente sofre o processo de evaporação, contribuindo para isso o tamanho da gota e a umidade relativa do ar: quanto menor for a gota e menor o índice da umidade relativa do ar, maior será a quantidade de pequenas gotas que se dispensam (por serem leves) e depois “desaparecem” antes de atingir o alvo. Uma gota de calda é constituída de água, que se evapora, mais uma pequena quantidade de produto químico que ficará em suspensão no ar, sendo arrastadas pelas correntes horizontais e de convecção. Como a intensidade do vento e a umidade relativa do ar influem na quantidade de perdas, é importante que esses fatores sejam monitoradas pelo operador e, em função do tipo de pulverização produzida pela máquina, saber quais os limites tecnicamente permitidos para executar um trabalho eficiente e seguro.

1.6 COBERTURA DO ALVO

Se o resultado do produto químico está ligado à quantidade depositada no alvo, como esse alvo deve ser atingido pela pulverização? Qual a intensidade de cobertura que esse alvo necessita? As respostas, que qualificarão a APLICAÇÃO, serão dadas em função do tipo de produto que estamos usando (seu modo de ação) e do alvo (tamanho, forma, exposição, capacidade de retenção) que se pretende atingir. Quando se trata de uma aplicação de herbicidas de solo (em pré-plantio incorporado ou em pré-emergência), as gotas podem ser maiores e a densidade de cobertura não precisa ser muito grande, pois a água do solo se encarregará da posterior redistribuição. Quando o alvo é uma superfície foliar e o produto tem uma ação de contato, então a densidade de cobertura tem que ser maior. Um produto foliar de ação sistêmica já suporta uma distribuição de densidade um pouco menor, desde que a quantidade depositada nesse alvo seja suficiente para o seu funcionamento. Independentemente da densidade, a cobertura do alvo tem que ser uniforme, isto é, ter a mesma quantidade de produto em toda a superfície desse alvo, seja em uma folha individual, as folhas de uma planta, as plantas de uma cultura ou a superfície do solo de toda a área tratada.

1.7 DENSIDADE DE COBERTURA O grau ou a densidade de cobertura necessária é função da integração produto-alvo. Na prática, a densidade de cobertura é dada em gotas por centímetro quadrado, por ser a maneira mais fácil de quantificar, muito embora o correto seja a quantidade de princípio ativo por área.

1.8 MOMENTO

Uma boa aplicação, isto é, maior quantidade no alvo, significa maior eficiência no processo de transferência do produto da máquina ao local de funcionamento. Entretanto, um outro fator de muita importância deve ser levado em conta: o momento dessa aplicação, isto é, quando a praga está mais exposta e mais susceptível ao produto e num grau de infestação que justifique o custo da aplicação pelos danos reais e/ou potenciais causados à cultura. A esse aspecto do momento, pode ser incluída também a condição atmosférica na hora da aplicação, pois não são raras as vezes em que essas condições não são ideais ou se modificam durante o trabalho, exigindo alterações significativas no processo de pulverização.

1.9 EFICÁCIA

A eliminação dos efeitos da praga em uma determinada cultura, que pode ser definida como a EFICÁCIA de um tratamento fitosanitário, é o resultado final do processo que envolve os seguintes aspectos: a identificação e o estudo do comportamento da praga para se determinar o melhor alvo; o conhecimento da máquina para prepará-la a produzir a pulverização adequada em função do tamanho de gota que tenha a menor perda possível e o máximo de cobertura (ou a cobertura mínima que o produto exige).

1.10 COMPOSIÇÃO DAS FORMULAÇÕES

As formulações, quanto à forma de uso, podem ser classificadas em: Formulação pré-mistura: são formulações que necessitam ser diluídas até uma concentração adequada, no ato da aplicação. Via de regra, essa diluição se faz com adição de água (ex. Pó

Molhável, Concentrado Emulsionável). Formulação de pronto uso: são formulações cuja concentração já está adequada para a aplicação em campo, (ex. Granulados, Ultra Baixo Volume).

Os agrotóxicos para serem formulados necessitam ou são compostos basicamente por um princípio ativo, ingredientes inertes e adjuvantes.

Os princípios ativos ou ingredientes ativos são as substâncias químicas ou biológicas que dão a eficácia aos produtos (agrotóxicos ou agentes biológicos de controle), ou, segundo a definição de BRASIL (1990), é a substância, produto ou agente resultante de processos de natureza química, física ou biológica, empregados para conferir eficácia aos agrotóxicos e afins. Os ingredientes inertes são a fração não ativa dos produtos técnicos, são as substâncias utilizadas como diluentes ou veículos para a manipulação dos produtos técnicos ou princípios ativos de um agrotóxico. Podem ser dos mais diversos tipos como, por exemplo, talco, apatita, bentonita, calcita, argila calcinada, enxofre, dolomita, montmorilonita, diluentes vegetais como polpas, farinhas, etc. Adjuvantes são substâncias usadas para imprimir as características desejadas às formulações. Os principais adjuvantes são: a) emulsificantes: substâncias utilizadas para estabilizar uma emulsão, que diminuem a tensão interfacial entre as duas fases líquidas; b) agentes umectantes: tem a função de molhar, umedecer, com a substância que se dilui; c) dispersantes: separar, espalhar, fazer ir para diferentes partes; d) espalhantes adesivos: diminuem a tensão superficial das gotículas, diminuindo o ângulo de contato das gotas com a superfície e, consequentemente, aumentando a superfície molhada com um mesmo volume; ao mesmo tempo promovem a aderência, cola, união do produto ao alvo desejado. e) desodorizantes: ou desodorantes, servem para tirar o odor, ou o mau odor.

f) estabilizantes: tornam estável uma solução; g) antiespumantes: impedem a formação excessiva de espuma na calda; h) surfactantes: substâncias que alteram as propriedades da superfície de um líquido ou da interface de um sólido e de um líquido, para que não reste nenhuma área sem molhamento. i) corantes: servem para detectar a presença do produto tóxico.

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