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a) Participar de estudos e pesquisas sobre os riscos de doenças ocupacionais, com o objetivo de diminuir o índice de morbidade e mortalidade; b) Participar de estudos epidemiológicos, com o objetivo de manter atualizado o diagnóstico da comunidade trabalhadora, cujos resultados servirão de base para estabelecer medidas de prevenção e proteção à saúde; c) Participar dos trabalhos de investigação de surtos epidemiológicos no local de trabalho e na comunidade.

12.3 – O PRONTUÁRIO DO TRABALHADOR

É um documento legal, individual, de propriedade do cliente/trabalhador, com disponibilidade permanente das informações que possam ser objeto da necessidade de ordem úbliv]Ca ou privada e permanece sob a responsabilidade técnica e a guarda dos membros da equipe de saúde e das empresas.

Todos os dados referentes aos atendimentos prestados pela equipe de enfermagem do trabalho, registrado pelo processo de enfermagem do trabalho, bem como os registrados dos demais membros da equipe de saúde do trabalhador e exames realizados, devem integrar o prontuário, de forma organizada, legível e com identificação profissional da equipe de enfermagem.

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De acordo com a legislação vigente, os prontuários são arquivados nas empresas por um período mínimo de 20 anos, podendo esse prazo ser estendido a critério das empresas e empregadores.

Além de servir como instrumento de estudo e pesquisa, o prontuário possui finalidade para auditoria do serviço prestado, acompanhamento sistemático e efetivo das ações de saúde realizadas ao trabalhador, para efetivação de aposentadoria e demais benefícios trabalhistas e previdenciários.

O enfermeiro do trabalho, ao elaborar o processo de enfermagem do trabalho, deve arquivá-lo nos prontuários, a fim de efetivar seus registros e pareceres, bem como intervenções e condutas adotadas no decorrer do atendimento aos trabalhadores, como respaldo técnico e legal.

Vale ressaltar que os prontuários podem ser elaborados mediante impressos ou formulários padronizados para cada membro da equipe de saúde ou de forma interdisciplinar, podendo ser impressos ou eletrônicos, de acordo com as normas preconizadas pelas empresas e profissionais que deles farão uso.

12.4 APLICAÇÃO DO PROCESSO DE ENFERMAGEM AO GRUPO DE TRABALHADORES

A maioria dos enfermeiros está familiarizada com a aplicação do processo de enfermagem centrado no individuo. A utilização do processo de enfermagem a um grupo de trabalhadores visa à promoção e proteção da saúde.

As fases do processo de enfermagem do trabalho aplicadas a um grupo de trabalhadores se iniciam com as visitas aos locais de trabalho, identificação dos grupos de trabalhadores e riscos inerentes ao trabalho com as coletas de dados, diagnostico de enfermagem ao grupo de trabalhadores, implantação e desenvolvimento dos programas de saúde e intervenções de enfermagem para o grupo e levantamento dos trabalhadores com maior susceptibilidade para serem encaminhados às consultas de enfermagem.

A identificação do estado de saúde do grupo de funcionários necessita de coleta de dados relevantes, produção de dados e interpretações destes, com auxílio da epidemiologia e estatística.

O objetivo da coleta de dados é adquirir informações úteis acerca da comunidade de trabalhadores e sua saúde.

A coleta sistemática de dados implica em reunir e registrar dados fundamentais e pesquisar os dados faltantes, desta forma proceder à interpretação e diagnosticar os agravos à saúde.

Alguns dados possivelmente já estão computados e descrevem a demografia da empresa e seus funcionários: idade, sexo, distribuição socioeconômicas e raciais, bem como estatísticas vitais com dados de morbimortalidade; encaminhamentos e instituições e organizações de saúde (hospitais, clinicas, postos de saúde, etc) e os procedimentos como exames, consultas e cuidados realizados pela equipe de enfermagem e equipe de saúde.

A produção de dados é o processo de desenvolvimento de dados que ainda não existem por meio de interação com os grupos de trabalhadores. Por ser mais difícil de adquirir esse tipo de informação, é necessário tabulá-la com auxilio da estatística.

Todos dados incluem informação acerca dos conhecimentos, valores e crenças, sentimentos, necessidades, processos de resolução de problemas, estruturas de poder/liderança e influencia do grupo.

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Recomenda-se que estes dados sejam coletados por entrevistas e observações, como as visitas aos locais de trabalho.

Posto isto, teremos uma base de dados compostas (dados colhidos e pesquisados) que serão sintetizados e analisados.

São identificados os problemas de saúde da comunidade de trabalhadores ou necessidades de intervenção e as forças ou capacidades dessa comunidade.

Os principais métodos de coleta de dados são: entrevistas (consultas de enfermagem), observação participativa (visita aos locais de trabalho). Rastreio de trabalhadores que não aderem ao grupo, análise secundária de dados existentes (minutas de reuniões, registro de consultas e exames entre outros).

Em seguida são identificados os recursos disponíveis para satisfazer as necessidades. Para obter sucesso nesse momento faz-se necessário a participação ativa do grupo de trabalhadores.

O enfermeiro deve separar problemas individuais de coletivos e realizar interação com o grupo (saber ouvir) sem pré-julgá-lo, desta forma garantindo confiabilidade e confidencialidade no trabalho a ser desenvolvido.

Não podemos esquecer que o levantamento de dos pode identificar diversos problemas de saúde. Cada um desses problemas tem de ser analisados e incluído em uma ordem de prioridade de forma a identificar os mais graves.

Após identificar os problemas de saúde, deve ser apresentado o diagnostico de enfermagem referente ao grupo de trabalhadores.

O diagnostico ajuda a clarificar o problema, sendo percursos do planejamento, pois nessa fase cada diagnóstico será analisado e então estabelecidas as intervenções.

No diagnostico o “risco” ou “ potencia” indica um problema especifico ou risco de saúde enfrentado pelos trabalhadores.

Na análise dos diagnósticos o enfermeiro identifica as origens do problema e seu impacto, os pontos em que cada intervenção pode ser empreendida e os interessados na solução do problema.

É importante saber que os critérios utilizados para determinar a prioridade de um problema identificado incluem:

• Atenção dada pelo grupo ao problema. • Motivação da comunidade para resolver ou lidar com o problema.

• Capacidade do enfermeiro em influenciar soluções para o problema.

• Disponibilidade de outros profissionais da área de saúde e segurança para a resolutividade.

• A gravidade das conseqüências caso não haja solução/resolutividade (risco-benefício).

• O tempo para a solução ser atingida.

No planejamento serão analisados os diagnósticos e estabelecidas metas e objetivos, bem como a identificação das intervenções que permitirão o alcance dos objetivos.

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O alcance das metas e objetivos depende da colaboração entre o enfermeiro, e equipe de saúde e os trabalhadores, bem como suas chefias.

A vantagem desse envolvimento é o interesse, apoio e emprenho do grupo de resolutividade a fim de se obter o êxito na intervenção.

O enfermeiro participa das intervenções, orientando os grupos de trabalhadores, comanda os conhecimentos e capacidades da equipe de enfermagem.

Para tanto, cabe ao enfermeiro agir com profissionalismo, ajudando a comunidade de trabalhadores a selecionar e atingir as metas relacionadas com tarefas.

O conhecimento do enfermeiro do trabalho o faz um agente de mudanças, enquanto dos grupos de trabalhadores pode ser definidos como parceiros dessa mudança.

Caso o grupo tenha pouca capacidade para a resolução de problemas o enfermeiro deve assumir o papel de professor ( educador de saúde) facilitador e defensor.

No grupo capaz de identificar e gerir de forma satisfatória seus problemas, o enfermeiro assume seu papel de orientador e conselheiro.

A mudança social também influencia o papel exercido pelo enfermeiro do trabalho, pois nem todo o grupo é receptivo a mudanças e inovações.

As inovações afetam o grau de aceitação, principalmente quando difundidas de formas compatíveis com a filosofia da empresa, as normas, valores e costumes dos funcionários.

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