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MARIA GORETH CUNHA BANDEIRAMARIA GORETH CUNHA BANDEIRAMARIA GORETH CUNHA BANDEIRAMARIA GORETH CUNHA BANDEIRA
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ENFERMAGEM DO ENFERMAGEM DO ENFERMAGEM DO ENFERMAGEM DO 2007200720072007

Fundação Gianna Beretta

Av. Jerônimo de Albuquerque, 10 – Bequimão – São Luís - MA Tel.: (98) 3246 2126 - w.gianna.com.br

1 SUMÁRIO

1. Introdução2
2. Relacionamento trabalho – saúde - adoecimento3
4. Análise preliminar de risco I - APR4
5. Riscos Ocupacionais6
7. Segurança do Trabalho8
8. Análise preliminar de risco I - APR9
9. Etapas técnicas do Programa de Segurança10
10. Análise de Risco do Trabalho1
1. A enfermagem do trabalho15
12. O Processo de Enfermagem do Trabalho15
13. Visita aos locais de trabalho23
14. A consulta de Enfermagem do Trabalho27
15. Fatores Básicos na Avaliação30
16. Técnicas de Avaliação31
17. Histórico de Enfermagem35
18. Diagnóstico de Enfermagem36
19. Competências do Enfermeiro do Trabalho39
APÊNDICE41

3. Níveis de aplicação de medidas preventivas na área da saúde 3 6. Condições para que se produza uma doença ocupacional 8 REFERÊNCIAS 50

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1. INTRODUÇÃO

As origens da saúde do trabalhador remontam, segundo os historiadores da medicina, Henry Sigiriest e

George Rosen (apud Mendes, 1996), dos tempos de Hipócrates, passando, na idade média, por Georgius Agricola.

Porém, o impacto mais forte das necessidades do trabalhador ter sua condição física preservada começa a surgir após a revolução industrial, ocorrida na Inglaterra, França e Alemanha. a movimentação social da época consegue fazer com que políticos e legisladores introduzam medidas legais do controle das condições e ambiente de trabalho (Hunter, 1974 apud Mendes, 1996).

No Brasil, um país colônia por mais de três séculos, não houve preocupações com sua mão-de-obra, por esta ser facilmente conseguida através do tráfico de escravos negros e aprisionamento dos índios. essa preocupação surgia apenas quando ocorriam graves epidemias, pois estas geravam prejuízos devido à alta mortandade desses escravos (lima, 1961; franco, 1969 apud Mendes, 1996).

Por influência do modelo de medicina social (no século XIX) que utilizava-se na Europa, em que fortalecimento do estado, proteção da cidade e a atenção aos pobres e força laboral passara a ter valor, aqui começaram a surgir preocupações que determinadas instituições como hospitais, fábricas e outros pudessem oferecer riscos devido a sua localização desordenada. começa a se falar em planejamento urbano (Nunes, 1989 apud Mendes, 1996).

Iniciam-se trabalhos que associam certas patologias com a função exercida pelo indivíduo; por exemplo, os problemas respiratórios, que, em geral, acometiam mais gravemente os mineradores. mais tarde, as doenças e outras ocorrências devido ao trabalho passariam a ter conotações de "doenças do trabalho" e mais adiante seriam equivalentes aos "acidentes de trabalho" . a partir destas constatações, ao longo dos anos, medidas foram tomadas no sentido de tentar prevenir essas manifestações clínicas nos trabalhadores (Milles, 1985 apud Mendes,1996).

Assim, aos poucos, a saúde do trabalhador foi conquistando o interesse dos profissionais, e gerando nos trabalhadores o sentimento de reinvidicações por melhores condições de trabalho.tudo isso fez com que a área médica e a área de enfermagem desenvolvessem amplamente projetos com o objetivo de promover a melhor qualidade de saúde dos trabalhadores.

Florence Naghtingale, transformou-se em heroína popular da Inglaterra pelo seu desempenho como enfermeira, cuidando dos soldados do seu País, feridos na Guerra da Criméia(1854 – 1856). O prestígio e a notoriedade daí advindos contribuíram decisivamente para o êxito do trabalho que a projetou internacionalmente: a Reforma da Enfermagem, fundamentada prioritariamente, na formação do enfermeiro. Aos 35 anos de idade ela contraiu uma febre que lhe minou energias, deixando-a quase inválida para toda a vida. Dessa forma então, ela foi vítima de doença ocupacional.

No Brasil, a precursora da enfermagem do trabalho foi Ivone Bulhões (1963).

O processo de enfermagem dentro da saúde do trabalhador consiste em promoção de cuidados e proteção aos trabalhadores, torná-los conscientes dos riscos a que estão expostos e fazer com que participem do seu auto-cuidado. com isso pretende-se minimizar os riscos ocupacionais (Bulhões,1986).

A relação entre o enfermeiro e o trabalhador é a de ajuda mútua, assim o enfermeiro atende às necessidades do trabalhador e este se responsabiliza no que for possível pelo seu próprio cuidado e é livre para aceitar ou rejeitar as recomendações de saúde propostas, desde que isso não afete terceiros. a presença do enfermeiro junto a serviços de saúde do trabalhador é obrigatória, segundo "a declaração dos direitos do

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2. RELACIONANDO TRABALHO – SAUDE- ADOECIMENTO

De acordo com a 8º Conferencia Nacional de Saúde (1986), saúde é resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, emprego, lazer liberdade, acesso a posse de terra e acesso aos serviços de saúde. É assim, antes de tudo o resultado das formas de organização social da produção, as quais podem gerar desigualdades aos níveis de vida ( Brasil, 1988).

Conforme Nardi (1995), cabe salientar que existe um movimento mundial de modificação nas legislações de saúde e segurança no trabalho. Esta modificação encontra respaldo nas políticas da Organização Internacional do Trabalho – OIT e da Organização Mundial de Saúde - OMS. Verifica-se que na Espanha, Itália, França e mesmo na OMS e na OIT existe uma outra nomenclatura, em que os serviços, antes denominados de Higiene, Segurança, Medicina Ocupacional, Industrial e do Trabalho, passam a ser chamados de Serviços de Saúde do Trabalhador ou de Saúde do Trabalho. Esta modificação é reflexo de uma maior participação dos trabalhadores e de mudanças de enfoque, deixando de centrar as atenções nos riscos do ambiente de trabalho para centrá-las na saúde do trabalhador, dentro de um conceito mais amplo e participativo.

A saúde do trabalhador é um campo específico da área de Saúde Pública, que procura atuar através de procedimentos próprios, com a finalidade de promover e proteger a saúde das pessoas envolvidas no exercício do trabalho, segundo Pereira Junior (1994).

A saúde dos trabalhadores implica em uma atuação multidisciplinar e interdisciplinar, em que a enfermagem está inserida onde vários profissionais especializados atuam na preservação e na promoção da saúde de uma população específica, através de medidas de alcance coletivo.

Essa atuação está na interface de três aspectos básicos, que envolvem “o legal”, as leis que disciplinam o cumprimento das normas de segurança e saúde no trabalho; “o educacional”, que envolve o preparo e a instrução dos trabalhadores para o controle dos fatores nocivos e para a prevenção dos agravos; e “o técnico”, que abrange a aplicação de conhecimentos de Engenharia e do comportamento humano para a obtenção de condições favoráveis à segurança e saúde dos trabalhadores.

Podemos dizer que o processo saúde-adoecimento do trabalhador resulta da complexa dinâmica interação das condições gerais de vida, das relações de trabalhado, do processo de trabalho e do controle que os próprios trabalhadores colocam em ação para interferirem nas suas próprias condições de vida e trabalho.

3 NÍVEIS DE APLICAÇÃO DE MEDIDAS PREVENTIVAS NA ÁREA DA SAÚDE OCUPACIONAL

Prevencionismo: segundo Aurélio – “ato ou efeito de prevenir-se”, “vir antes”, “tomar a dianteira”.

Todos os anos no mundo inteiro, ocorrem milhões de acidentes de trabalho. Estes acidentes resultam em mortes, ferimentos de gravidades variada, afastamento do empregado, interrupção do processo produtivo, prejuízos de ordem física, psicológica e financeira. Os acidentes provocam para suas vítimas e familiares perda de tempo e de dinheiro e para as empresas efeitos negativos na produtividades econômica do país.

Uma forma de amenizar estes problemas é a prevenção.

Muitas técnicas foram desenvolvidas com o correr do tempo, porém ainda continuam sendo bastante insipientes.

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Programas de Segurança – a necessidade de um programa de segurança eficiente, constante e integrado, nasce primordialmente do fato de que um esforço de segurança, deve ter um resultado final compatível com o custo e exigências dessa missão, pois de outra forma sua própria existência não teria sentido.

Uma das formas de se analisar o comportamento de um sistema de segurança é através da simulação.

Cria-se um modelo e a partir deste modelo adequado a uma realidade é possível prever certas características do sistema representado e sua possível evolução dentro de condições especificas. Dessa forma pode-se predizer como irá o sistema reagir em situações críticas e quais serão os efeitos resultantes, antes que tais condições se apresentem na realidade.

O sistema representante é utilizado com o principal intuito de se analisar cada variável em sua possibilidade de produzir danos humanos, materiais ou econômicos. Todas as variáveis envolvidas num particular processo, operação ou situação, deverão ser enumeradas e analisadas de forma a se conseguir a organização lógica de seu comportamento e inter-relacionamento. Podemos definir três tipos de modelos: Icônicos (maquetes, kit de montagens); Analógicos (mapas); Simbólicos (criar situações para serem analisadas).

4 ANALISE PRELIMINAR DE RISCO I – APR

Risco - é uma ou mais condições de uma variável, com o potencial de causar dano (pessoas ou equipamentos).O risco é a possibilidade.

Perigo – expressa uma exposição relativa a um risco, que favorece a sua materialização em danos.

Dano – é a severidade da lesão, ou a perda física funcional ou econômica, que podem resultar se o controle sobre o risco for perdido.O perigo é a exposição.

OBS. Existem níveis de perigos e severidade de dano

Ex. 1. Um risco pode estar presente, mas pode haver níveis de perigo, devido as precauções tomadas. Assim um banco de transformadores de alta voltagem possui um risco inerente de eletrocussão, uma vez que esteja energizado. Há um alto nível de perigo se o banco estiver desprotegido, no meio de uma área com pessoas. O mesmo risco estará presente quando os transformadores estiverem trancados num cubículo sob o piso. Entretanto, o perigo agora será mínimo para o pessoal.

Ex.2. Um operário desprotegido pode cair de uma viga a 3 metros de altura, resultando um dano físico, por exemplo uma fratura. Se a viga estiver colocada a 90 m de altura ele com certeza poderá morrer. O risco (possibilidade)e o perigo (exposição)de queda são os mesmos porém os danos serão diferentes.

4.1 Categoria ou Classe de Riscos:

I – Desprezível – a falha não irá resultar numa degradação maior do sistema, nem irá produzir danos funcionais ou lesões ou contribuir com um risco ao sistema. É aceitável;

I – Marginal (ou limítrofe) – a falha irá degradar o sistema numa certa extensão, porém sem envolver danos maiores ou lesões, podendo ser compensada com um risco ao sistema. Aceitável esporadicamente;

I – Crítica – a falha irá degradar o sistema causando lesão, danos substanciais, ou irá resultar num risco aceitável, necessitando ações corretivas imediata. Não aceitável;

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