Texto: Crotalus

Texto: Crotalus

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Sinônimos: Cascavel, boicininga, marambóia, cascavel quatro ventas, maracá. Classe: Animal Peçonhento

Sumário:

Apresentam como característica um guizo, ou chocalho, na ponta da cauda. O veneno crotálico possui ação neurotóxica, miotóxica e coagulante. Efeitos Clínicos : As manifestações locais são pouco importantes. Podem estar presentes manifestações de dor, parestesias, edema discreto ou eritema no local da picada. As manifestações gerais estão relacionadas com mal-estar, prostração, sudorese, náuseas, sonolência ou inquietação e secura da boca. Vômitos e variações da pressão arterial. As manifestações neurológicas surgem nas primeiras 6 horas após a picada e são caracterizadas por facies miastênicas ou neurotóxicas caracterizadas por ptose palpebral uni ou bilateral, flacidez da musculatura da face, alteração no diâmetro da pupila (midríase), incapacitação do movimento ocular, dificuldade de acomodação e/ou diplopia. As manifestações hemorrágicas são raras e restritas a gengivorragia.

Tratamento : Os acidentes são avaliados de moderados a grave. O tratamento específico é o Soro Antibotrópico-crotálico ( SABC ), que deve ser administrado endovenosamente. O tratamento deve ser realizado com anti-histamínicos e corticóides. Manter a hidratação adequada.

Composição: Veneno crotálico, de ação neurotóxica, miotóxica e coagulante.

Características:

Estes ofídios são agressivos e , quando excitados, denunciam sua presença pelo ruído característico do guizo ou chocalho.

Possui fosseta loreal ou lacrimal; a extremidade da cauda apresenta guizo ou chocalho e cor amarelada. Cobra com corpo robusto, comprimento médio acima de um metro, hábitos terrestres, vivendo em áreas abertas, quentes e secas. São encontradas em campos abertos, áreas secas, arenosas e pedregosas e raramente na faixa litorânea. Tem por hábito atacar e, quando excitadas, denunciam sua presença pelo ruído característico do guizo ou chocalho.

Morfologia :

Possui fosseta loreal ou lacrimal; a extremidade da cauda apresenta guizo ou chocalho e cor amarelada. O guizo é um órgão formado de matéria córnea e se compõe de anéis paralelos articulados entre si. Quando o animal se excita, um impulso nervoso aciona o guizo, que fica ereto e vibra, entrechocalhando os anéis semi-soltos, produzindo um som semelhante ao de sementes dentro de vagens secas. Apresenta porte médio com aproximadamente 1,5 metros de comprimento, com corpo muito grosso, escamas superiores fortemente quilhadas, focinho truncado e sobre a cabeça há, na zona do focinho, escudos em vez de escamas pequenas como nas Bothrops. A cor predominante é parda, com desenhos em forma de losangos.

Classificação: Família Viperidae

Habitat:

Encontram-se geralmente em locais secos, quentes, abertos; de hábitos terrestres.

São encontradas em campos abertos, áreas secas, arenosas ou pedregosas e raramente na região litorânea. Não ocorrem em florestas, nem no pantanal.

Distribuição geográfica

O continente sul-americano pode ser caracterizado por um clima semi-úmido com duas estações bem marcadas, uma quente e chuvosa e outra seca e fria. A cascavel (C. durissus) é um ofídio de ampla distribuição geográfica no continente sul-americano, apresentando atividade marcadamente sazonal no sudeste do Brasil. Assim, este ofídio é ativo nos meses quentes e chuvosos, recolhendo-se em abrigos durante a estação seca e fria. Não há informações sobre a temperatura dos abrigos ocupados pelas cascavéis na natureza, durante o período de inatividade.

Crotalus durissus trigonicus,C. durissus ruruima e C. durissus terrificus: Encontrada na região Norte do Brasil;

Crotalus durissus cascavela: Encontrada na região Nordeste do Brasil;

Crotalus durissus collilineatus, C. durissus cascavela e C. durissus terrificus: Encontrada na região Central e Sudeste do Brasil;

Crotalus durissus terrificus: Encontrada na região Sul do Brasil. Esta subespécie ocorre mais comumente na região dos Campos de Cima da serra, no Estado do Rio Grande do Sul. É um animal muito agressivo.

Mecanismos de ação O veneno crotálico tem ações: neurotóxica, miotóxica e coagulante.

• Neurotóxica: produzida pela fração crotoxina, uma neurotoxina de ação présinaptica que atua nas terminações nervosas inibindo a liberação de acetilcolina. Esta inibição é o principal fator responsável pelo bloqueio neuromuscular do qual decorrem as paralisias motoras apresentadas pelos pacientes. As alterações descritas evidenciam o comprometimento do I, IV e VI pares de nervos cranianos.

• Miotóxica: não foi identificada a fração do veneno responsável por este efeito.

Produz lesões de fibras musculares esqueléticas (rabdomiólise) com liberação de enzimas e mioglobina para o soro, que são posteriormente excretadas pela urina.

• Coagulante: decorre da atividade do tipo trombina que converte o fibrinogênio diretamente em fibrina. O consumo do fibrinogênio pode levar à incoagulabilidade sanguínea. Geralmente não há redução do número de plaquetas. As manifestações hemorrágicas, quando presentes, são discretas

Sinais e Sintomas:

Manifestações locais: são pouco importantes, diferindo dos acidentes botrópico e laquético. Não há dor, ou esta pode ser de pequena intensidade. Há parestesia local ou regional, que pode persistir por tempo variável, podendo ser acompanhada de edema discreto ou eritema no local da picada.

Manifestações sistêmicas:

Gerais: mal-estar, prostração, sudorese, náuseas, vômitos, sonolência ou inquietação, secura da boca ou variações da pressão arterial podem aparecer precocemente e estar relacionadas a estímulos de origens diversas, nos quais devem atuar o medo e a tensão emocional desencadeados pelo acidente.

Neurológicas: decorrem da ação neurotóxica do veneno, surgem nas primeiras 6 horas após a picada e caracterizam o facies miastênica evidenciadas por ptose palpebral uni ou bilateral, flacidez da musculatura da face, alteração do diâmetro pupilar (midríase), incapacidade de movimentação do globo ocular (oftalmoplegia), podendo existir dificuldade de acomodação visual (visão turva) e/ou visão dupla (diploplia). Como manifestações menos freqüentes, podese encontrar paralisia velopalatina, com dificuldade a deglutição, diminuição do reflexo do vômito, alterações do paladar e olfato.

Pode ocorrer ainda insuficiência respiratória aguda, fasciculações e paralisia de grupos musculares.

Musculares: dores musculares generalizadas que podem aparecer precocemente. A fibra muscular esquelética lesada libera quantidades variáveis de mioglobina que é excretada pela urina (mioglobinúria), conferindo-lhe uma cor avermelhada clara até uma tonalidade mais escura (marrom).

Distúrbios da coagulação: pode haver incoagulabilidade sanguínea (TC incoagulável – observado em até 40% dos pacientes) ou aumento do tempo de coagulação. As manifestações hemorrágicas são raras (gengivorragia, melena e hematêmese)

LEVE: sinais e sintomas neurotóxicos discretos, de aparecimento tardio, sem mialgia ou alteração da cor da urina ou mialgia discreta.

MODERADO: caracteriza-se pela presença de sinais e sintomas discretos, de instalação precoce, mialgia discreta e a urina pode apresentar coloração alterada.

GRAVE: sinais e sintomas evidentes e intensos (facies miastênica, fraqueza muscular), a mialgia intensa e generalizada, urina escura, podendo haver anúria ou oligúria. A IRA manifesta-se geralmente por oligúria, urina escurecida devido ‘a moiglobinúria.

As complicações mais graves do acidente crotálico são a Insuficiência Respiratória Aguda, transitória, rara, e a IRA freqüente nos casos graves tratados tardiamente ou de forma inadequada. A IRA manifestase geralmente por oligúria, urina escurecida devido ‘a moiglobinúria, cuja exceção deve contribuir como umas das possíveis causasda necrose tubular aguda (NTA), substrato anatomo-patológico geralmente encontrado nestes pacientes. O quadro tóxico sistêmico, a desidratação e mesmo a possível ação nefrotóxica direta do veneno crotálico, devem contribuir para essa etiologia.

Locais: raros casos de parestesia duradouras, porém reversíveis.

Sistêmicas: insuficiência renal aguda, com necrose tubular geralmente de instalação nas primeiras 48 horas (oligúria ou anúria)

Podem apresentar dores no local da picada, equimoses e sufusões hemorrágicas, salivação, hiperpnéia, taquicardia e midríase. Pode ocorrer infecção secundária.

Formas de Tratamento:

Soro anticrotálico (sac) deve ser administrado intravenosamente, podendo ser diluído em solução glicosada ou fisiológica (250ml). Instalar gotejamento rápido. Observar em pacientes (tanto humanos quanto animais) com menos de 10kg o volume administrado, para evitar alterações cardiorespiratórias.

A dose varia de acordo com a gravidade do caso, devendo-se ressaltar que a quantidade a ser ministrada a criança é a mesma do adulto. Na falta deste, poderá ser utilizado soro antibotrópico-crotálico na mesma quantidade.

LEVE: 5 AMP ; MODERADA: 10 AMP ; GRAVE: 20 AMP

Reações ao soro são raras, mas pode ocorrer urticária, hipotensão arterial, espasmo brônquico, edema de glote e até choque. Nestes casos, devem ser tomadas medidas terapêuticas imediatas com adrenalina, anti-histamínicos (Prometazina) e corticóides (hidrocortisona), se necessário assistência respiratória como intubação endotraqueal, oxigenação; medidas gerais para combater o choque. Tardiamente poderá ocorrer "Doença do Soro" com febre, urticária, artralgias, linfoadenopata, proteinúria (glomerulonefrite) e neuropatias. O tratamento deve ser realizado com antihistamínicos e corticóides. Manter hidratação adequada a fim de prevenir a insuficiência renal aguda (IRA).

GERAIS: A hidratação adequada é de fundamental importância na prevenção da insuficiência renal aguda e será satisfatória se o paciente mantiver o fluxo urinário de 1 a 2 ml/kg/hora na criança e 30 a 40 ml/hora no adulto. A diurese osmótica pode ser induzida com o emprego de solução de manitol a 20% (5ml/kg na criança e 100 ml no adulto). Caso persista a oligúria, indica-se o uso de diuréticos de alça tipo furosemida por via intravenosa (1mg/kg/dose na criança e 40 mg/dose no adulto).

O ph urinário deve ser mantido acima de 6,5, pois a urina ácida potencia a precipitação intratubular de mioglobina. Assim, a alcalinização da urina deve ser feita pela administração parenteral de bicarbonato de sódio, monitorizada por controle gasométrico.

No caso de IRA deve-se optar por métodos dialíticos, como hemodiálise.

A limpeza e a desinfecção do local devem ser cuidadosas. Profilaxia antitetânica deve ser considerada

O tratamento é o mesmo para animais. EXAMES COMPLEMENTARES:

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