Mata Atlântica

Mata Atlântica

MATA ATLÂNTICA

Originalmente - 12% território Nacional – 1,3 milhões de quilômetros quadrados.

HOJE – 7,8% DA FLORESTA ORIGINAL - 100.000 km2

A área de domínio (área cuja vegetação clímax era esta formação vegetal) abrangia total ou parcialmente dezessete estados.

A Constituição Federal de 1988 conferiu à Mata Atlântica o status de patrimônio nacional, fato que proporcionou a ampliação da discussão sobre a sua conservação e uso.

Em 1992 o Conama reconheceu, legalmente, como Domínio da Mata Atlântica. O conceito Domínio da Mata Atlântica proporcionou, assim, uma visão mais fiel da complexidade de fauna e flora deste bioma.

Em 2006 o Governo Federal sancionou a lei 11.428 que dispõe sobre a proteção da Mata Atlântica.

Decreto Federal no. 750/93 – A Mata Atlântica é composta por:

Domínio Atlântico

  • Floresta Ombrófila do litoral (Serra do Mar)

  • Floresta Semidecídua do Planalto

  • Floresta com araucária dos estados sulinos

  • Manguezais

  • Restingas

  • Campos de altitude

Características topográficas

Áreas planas nível mar à até 700m -1000 m altitude

Profundas variações nas condições ambientais (temperatura, solo, chuvas, luz)

Alta diversidade à riqueza espécies

FORMAÇÕES DA MATA ATLÂNTICA

1 - Floresta Ombrófila do litoral

  • Floresta Pluvial Tropical, sempre verde

  • Ombrófilo (grego), pluvial (latino) = amigo da chuva

  • Situa - se nas planícies costeiras – faixa litorânea até a cota 1000m

  • Originalmente à 3000 Km Costa brasileira

  • Ocorre sob um clima ombrófilo sem período seco durante o ano e com até dois meses de umidade escassa.

Temperatura alta, chuvas freqüentes (1800mm anuais)

  • Árvores de grande porte, lianas e epífitas

  • 2 subunidades florísticas : Mata de Planície e Mata de Encosta

a) Mata de Planície

  • Cresce no solo arenoso e pobre das áreas costeiras, lençol freático pouco profundo, aflorando em áreas de lagoas e alagadiços

  • Vegetação arbustiva densa

  • Alta densidade de samambaias, bromélias e rubiáceas

  • Estrato arbóreo – 15 a 20 m, com predomínio de figueiras, palmiteiros, mirtáceas, melastomatáceas e lauráceas

  • Mais comum em São Paulo e Paraná

b) Mata de Encosta

  • Mais luxuriante

  • Maior precipitação

  • Dossel mais baixo e mais denso

  • Maior incidência de luz (devido à inclinação do terreno)

  • Maior diversidade florística

  • Árvores com 20-30m

  • Declividade terreno à deslizamentos à clareiras

  • Alguns representantes: orquídeas, aráceas, piperáceas

2- Floresta Semidecídua (árvores que perdem parcialmente suas folhas na estação seca)

  • Ocupa áreas de planalto, principalmente no Sudeste

  • Áreas de altitude média acima de 600m

  • São “sombreadas” pelas Serras ao longo da Costa

  • Barreira de montanhas retém ar úmido e restringe volume de água (principal fator pela diferença de fisionomia)

  • Temperaturas mais baixas

  • Estação seca e fria bem definida – em geral abril a setembro na região sudeste

  • O conceito ecológico dessas florestas relaciona-se ao clima de duas estações, uma chuvosa e outra seca.

  • Dependendo do local – árvores no inverno perdem folhas - 20-50%

  • Muitas epífitas e samambaias

  • Porte vegetal e riqueza menor que Floresta Omrófila

  • Solo com fertilidade variada

3- Floresta Ombrófila Mista – Mata com Araucária

  • Floresta Ombrófila Mista ou Floresta de Araucárias

  • Árvores com 25 a 30 metros de altura

  • Ocorre principalmente nos planaltos dos estados da Região Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná) e nos maciços descontínuos de São Paulo e Rio de Janeiro (Serra da Mantiqueira)

  • Ocorre sob um clima ombrófilo, com temperatura média de 18 °C, mas com alguns meses bastante frios, ou seja, 3 a 6 meses com médias inferior aos 15 °C.

  • Espécie arbórea dominante à Pinheiro-do-Paraná (Araucaria angustifolia)

  • Outras: erva-mate, mirtáceas e lauráceas (sassafrás, imbuia)

4-Campos de altitude

  • Ocorrência – altitude entre 1.800 – 2.000 m

  • Predominam rochas expostas e vegetação rasteira formada, principalmente, por gramíneas e muitos liquens.

  • Vegetação de caráter xerófito (ambiente seco)

  • São espécies herbáceas e arbustivas das famílias poáceas, ciperáceas, asteráceas e mimosáceas.

  • Freqüentemente as espécies arbustivas baixas ocorrem esparsamente em meio ao denso tapete de gramíneas.

  • O caráter disjunto e o isolamento geográfico deste ecossistema constituem fatores relevantes para a ocorrência de um alto grau de biodiversidade e endemismo.

Ex. Parque Nacional Itatiaia – 500 espécies plantas vasculares (1/3 endêmcias).

5 – Manguezal

  • Áreas alagadiças litorâneas, zona de transição entre planície litorânea e o mar

  • Ocorre em áreas baixas das planícies costeiras, que ficam inundadas nas marés altas e emersas nas marés baixas e onde há encontro de água doce dos rios e água salgada do mar.

  • Solo lodoso (argila e matéria orgânica rios + água salgada) e pouco oxigenado

  • Alto teor de nutrientes (decomposição) à ecossistema muito produtivo

  • Espécies vegetais: Rhizophora mangle (mangue- vermelho); Avicennia schaueriana (mangue-preto, siriúba ou seriba) e Laguncularia racemosa (mangue- branco)

6 - Restinga

  • Ocorre em áreas planas e arenosas localizada entre o oceano e as serras (dunas interiores e a mata de planície)

  • Solo formado pelo acúmulo de sedimentos erodidos das rochas cristalinas e depositados pelo mar

  • Alta salinidade, baixa fertilidade, baixo teor umidade

  • Plantas rasteiras, pouco desenvolvidas, xerófitas, caracterizadas por folhas rijas e resistentes, caules duros e retorcidos e raízes com forte poder de fixação no solo arenoso

  • Presença de árvores baixas, arbustos, epífitas, trepadeiras, muitas bromélias de chão e samambaias

  • Área reduzida pela ocupação imobiliária

FAUNA E FLORA MATA ATLÂNTICA

  • O Brasil é um dos países do mundo que apresenta maior riqueza biológica, pois abrange de 15 a 20% da biodiversidade global de fauna e flora (Conservation International et al, 2000).

  • Mata Atlântica se destaca, sendo considerada um dos hotspots

  • Apesar da devastação, a Mata Atlântica é um dos biomas com uma das mais altas taxas de biodiversidade do mundo:

  • Diversidade botânica à 20.000 espécies, sendo que 53% das formas arbóreas, 74% das bromélias e 64% das palmeiras são endêmicas

  • grande riqueza de vertebrados

  • 250/260 espécies de mamíferos, sendo 55/73 endêmicos

  • 1021 espécies de aves, sendo 340/214 endêmicas,

  • 197 espécies de répteis

  • 340/183 espécies de anfíbios, sendo 92% endêmcios (90?)

  • 350 espécies de peixes, sendo 122 endêmicas

  • Do total de 265 espécies de vertebrados ameaçados no mundo, 185 ocorrem na Mata Atlântica, sendo que 100 são endêmicas (IEF, 1994).

  • Mamíferos: anta, cuíca, cutia, gambá, guariba, macaco-prego, morcego, onça, paca, preguiça, porco-espinho, quati, rato e camundongo, sagüi , tatu

  • Aves:

  • Áreas abertas – joão-de-barro, canário-da-terra

  • Borda da floresta à sanhaço, saí-azul

  • Interior da floresta à macucu, araçari, jacu

FLORA DA MATA ATLÂNTICA

Araceae

Bignoniaceae – Tabebuia

Euphorbiaceae - Alchornea

Lauraceae – Aniba (pau-rosa Channel 5)

Leguminosas (Fabaceae) - Inga

Melastomataceae - Tibouchina

Meliaceae – Cedrela (cedro)

Moraceae – Ficus, Cecropia

Myrtaceae - Eugenia

Palmaceae (Arecaceae) - Euterpe

Rubiaceae – Palicouria

Epífitas – Orchidaceae, Bromeliaceae

Lianas

Samambaias – Dicksonia

PROPRIEDADES E DINÂMICA DA FLORESTA

Alta diversidade

Raridade das espécies

“Se o visitante nota uma espécie em particular e deseja achar mais delas, ele pode tornar seus olhos em vão para todas as direções. Árvores das mais diversas formas, dimensões e cores o cercam, mas ele raramente observa a sua repetição” A.R. Wallace

  • Exemplo da Raridade:

20 – 50% espécies da Floresta Ombrófila contêm apenas um indivíduo / hectare (Kageyama & Gandara, 2001)

  • Exemplo da alta diversidade

  • Os dois maiores recordes mundiais para espécies arbóreas encontram-se nessa floresta:

  • Área de Mata Atlântica Sul Bahia à 454 espécies em um hectare

  • Área de Mata Atlântica no norte do Espírito Santo à443 espécies/ hectare

  • O recorde anterior àAmazônia peruana à300 espécies/ hectare

Possíveis causas da diversidade

A diversidade de animais é conseqüência da diversidade de plantas (MacArthur & Mac Arthur, 1961; Kricher, 1997)

CICLAGEM NUTRIENTES / SERAPILHEIRA

  • Fauna edáfica e decompositores

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Ilhas de micro-hábitats formadas em resposta a variação nas condições ambientais locais

Condições edáficas

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Mosaicos de conjuntos florísticos

Esquema  Gradiente de fertilidade e acidez do solo

FUNGOS MICORRÍZICOS

  • Exuberância Mata à depende em parte dos fungos

  • Outros participantes à ratos e camundongos (Ex. Oryzomys capito) dispersores dos esporos dos MA

Ex. FUNGOS MICORRÍZICOS

  • Fósforo à elemento químico essencial

  • Baixa disponibilidade nos solos

  • Fator limitante

  • Plantas absorvem fósforo à sob a forma de fosfato

  • Fósforo altamente reativo à forma complexos com alumínio, ferro, manganês ànão absorvidos pelas plantas

  • Pouco assimilável nos solos Floresta Tropical à ácidos e baixa fertilidade

  • Mesmo assim vegetação exuberante ??? Como??? Ação dos fungos micorrízicos

  • Ação fungos simbiontes – micorrízicos

  • Fungos Micorrizicos arbuscolares (MA)

  • Aumentam superfície absorção raízes

  • Absorvem o fósforo não disponível para plantas

  • Concentração P nas plantas à 2000 X maior que solo

  • 80% plantas à associação simbiôntica

  • Exuberância Mata àdepende em parte dos fungos

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