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Acessibilidade e Usabilidade na Web

Mayara Barbosa Rodrigues 12

Andersown Becher1

1UNIRONON – Centro Universitário Cândido Rondon 2 CEFET-MT – Centro Federal de Educação Tecnológica de Mato Grosso

{Mayara, Andersown} mayarananet@gmail.com andersown@gmail.com

Resumo: Este artigo relata a importância da usabilidade, e da acessibilidade no principal canal por onde circulam as informações, trafegadas na sociedade da informação, dando uma ênfase também aos portadores de necessidades. Relatando os princípios para publicação do conteúdo na web, as recomendações e as normas que possibilitam a usabilidade. Abrangendo também as principais práticas a se utilizar no desenvolvimento de sites acessíveis, e algumas ferramentas em uso no mercado para testes e validação do conteúdo.

Abstract: This article tells the importance of the usability, and the accessibility in the main canal for where they circulate the information, passed through in the society of the information, giving an emphasis also to the special carriers of necessities. Telling the principles for publication of the content in web, the recommendations and the norms that make possible the usability. Also enclosing main the practical ones if to use in the development of accessible sites, and some tools in use in the market for tests and validation of the content.

1. Introdução

Atualmente vivemos em uma sociedade que prima pela informação e por isso seu propulsor de crescimento passa a ser o acumulo de conhecimento transformado em desenvolvimento técnico, ou seja, científico. O principal canal por onde circulam as informações nessa sociedade é a internet – rede mundial de computadores, capaz de transferi-las a uma velocidade inimaginável anos atrás.

Essa nova sociedade, conhecida como Sociedade da Informação, trouxe as tecnologias da informação e comunicação (TIC), as quais vieram a atender a necessidade de se acessar o grande número de informações circulantes no mundo.

Um dos fatores cruciais para obtenção do sucesso na sociedade da informação é o acesso e utilização das TIC, é indispensável que elas estejam disponíveis ao maior número de pessoas possível contribuindo assim para o combate a exclusão digital e conseqüentemente a social. Nesse contexto a internet se destaca por ser o principal canal de obtenção de informação e por sua capacidade de eliminação de barreiras físicas, geográficas e espaciais, o que possibilita a circulação universal da informação.

A utilização da internet, trouxe para os deficientes em geral uma nova forma de se integrarem e participarem da sociedade, exercendo sua cidadania com mais autonomia e independência, visto que a internet lhes possibilita o acesso às informações minuto a minuto e de forma muito mais rápida e satisfatória.

Em todo o mundo podemos encontrar pessoas com algum tipo de deficiência e segundo o Censo 2000 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima-se que no Brasil existam aproximadamente 24.600.256 pessoas com alguma limitação o que representa 14,5% da população brasileira, isso significa que um número significativo de pessoas podem ser excluídas da participação na nova sociedade caso não tenham acesso aos recursos necessários para obtenção de informação.

Os deficientes visuais representam, nesse cenário de pessoas com deficiência, cerca de 9,7% da população e a interação desses deficientes com o computador e a utilização da rede mundial e computadores é possível através de tecnologias auxiliares, denominadas de Tecnologia Assistiva (TA)..

Alguns exemplos dessa tecnologia são os leitores de tela, os quais permitem o acesso do deficiente visual ao computador. Além das TAs, para que os deficientes visuais consigam interagir com os sites da internet é necessário que esses sites sejam acessíveis aos leitores de tela, pois isto possibilita a interpretação e a leitura do que é apresentado na tela do computador, por softwares que englobam a TA.

Uma maneira de garantir a acessibilidade nos sites é a implementação de princípios que visam melhorar o acesso à internet, levando-a ao seu potencial máximo: usabilidade, design universal e acessibilidade, a observação desses princípios torna o site acessível e usável. Acessível, pois os leitores de tela são capazes de interpretá-los e usáveis, pois se tornam mais fáceis de serem utilizados pelos usuários em geral, deficientes ou não.

A preocupação em tornar a internet acessível aos deficientes e também compatível com as novas tecnologias que surgem a cada dia, levou diferentes países a tomar medidas para promoção da acessibilidade. O World Wide Web Consortium (W3C)1,organização internacional que objetiva levar a Web ao seu máximo potencial, vem desenvolvendo desde sua fundação em 1994, protocolos e recomendações sobre as novas tecnologias para que sejam utilizadas da melhor maneira possível, sendo assim lançou em 1999 o guia de recomendação para acessibilidade no conteúdo Web (WCAG- 1.0) para que os desenvolvedores de sites tivessem um guia para a implementação da acessibilidade nos sites.

O Brasil também apresentou algumas iniciativas a fim de garantir a acessibilidade nos sites, o Decreto-lei nº. 5.296/2004, que regulamenta as leis da acessibilidade, tornou obrigatória a acessibilidade nos sites da administração publica e outra iniciativa foi o lançamento em 2005 de uma cartilha de recomendações para acessibilidade nos sites, elaborada pelo Departamento de Governo eletrônico em parceira com a ONG acessibilidade Brasil.

“O poder da web está em sua universalidade. Ser acessada por todos, independente de deficiência, é um aspecto essencial”.

Tim Berners Lee (inventor da W e diretor do W3C)

1 W3C - World Wide Web Consortium é um consórcio de empresas de tecnologia, atualmente com cerca de 500 membros, fundado por Tim Berners-Lee em 1994.

2. Sociedade da Informação

A informação nessa sociedade passa a ter valor comercial visto que o processamento dessa informação gera conhecimento e esse por sua vez quando acumulado e trabalhado implica em desenvolvimento tecnológico e científico. O processamento das informações passa agora a ser o novo propulsor de crescimento das sociedades.

A origem desse novo modelo organizacional está fixada em três bases: a primeira delas é a convergência das informações para o formato digital, através de fotos, textos, vídeos e outros que podem ser acessados e transmitidos de maneira igual através de um computador; a segunda é o crescimento do comércio de computadores, o que tem gerado uma maior queda nos preços de comercialização dessa ferramenta valiosa para os serviços desta sociedade; e a terceira é a grande explosão da internet para a qual não existe distância nem fronteira entre os países, e vêem sendo utilizada cada vez mais e com uma maior freqüência.

As novas tecnologias que surgiram nessa sociedade da informação tiveram uma grande importância para os deficientes visuais por lhes possibilitar o acesso ao grande número de informações circulantes no mundo, de forma mais autônoma e independente, talvez esse seria o principal motivo pelo qual ela tem se tornado tão difundida e procurada pelos PNE, pois a informação e o conhecimento podem ser adquiridos e forma independente. Com o acesso a informação que a internet disponibiliza o deficiente visual passa a ter condições de exercer uma participação mais expressiva nessa nova sociedade.

2.1 O Processo da Informação

Para falarmos sobre a importância da informação nesta Era do conhecimento é primordial entendermos a definição dessa palavra, porém, muitos são os autores que atribuem conceito a essa palavra, na verdade não encontramos um conceito único, mas sim uma diversidade complexa de definições.

Sagan, 1977 (apud ARAÚJO e FREIRE), resume magnificamente a importância da informação na era do conhecimento em uma única frase, “informação e alimento são as condições necessárias à sobrevivência do ser humano”. Assim entendemos que a informação é indispensável para o ser humano na realização de qualquer atividade.

A internet, é um enorme exemplo de Tecnologia de Informação e Comunicação

(TIC), as quais se desenvolveram principalmente nos anos de 1990 e caracterizam-se principalmente por tornar mais ágil a transmissão e o armazenamento da informação através de sua digitalização. A telefonia móvel, os computadores pessoais, os palmtops e a TV por assinatura são outros exemplos das TICs. O direito de acesso às informações circulantes na sociedade já era garantido na DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS - art. 19 (1948) que expressa seu entendimento da seguinte forma:

Toda pessoa o direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

A luta para garantir que todos, independentemente de suas limitações físicas, mentais ou classe social pertencente, tenham acesso às informações que circulam pelo mundo através, principalmente, da internet, é o grande e importante dever social desta sociedade em que estamos vivendo. A sociedade deve trabalhar para minimizar os empecilhos que dificultam o acesso as informações e maximizar a produção de informação circulante.

Em busca de uma melhor qualidade no uso de sistemas, enfoca-se a Usabilidade na Web, que visa a facilidade e eficiência de aprendizado e de uso, bem como a satisfação do usuário (padronização, lógica, facilidade de navegação,...) , assim, quanto mais fácil de aprender, memorizar, maior rapidez na realização de tarefas, menor taxa de erros, melhor satisfação do usuário, mas usável é a interface. Outro fator a se concierar é também a Acessibilidade que possibilidade de acesso ao sistema a todos, independente do tipo de usuário, situação ou ferramenta, ou seja, busca a concepção de sistemas acessíveis a um maior número de usuários, inclusive àqueles com alguma deficiência, beneficia também pessoas idosas, usuários de navegadores alternativos, de Tecnologias Assistivas (TA)2 ou de acesso móvel.

2Tecnologia Assistiva é um termo utilizado para identificar todo o arsenal de Recursos e Serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e conseqüentemente promover Vida Independente e Inclusão.

3. Princípios para o conteúdo a Web

A internet atende a uma diversidade de pessoas com características e necessidades específicas, e como enfatizou Tim Berners-Lee3 "o poder da web está em sua universalidade. Ser acessada por todos, independente de deficiência, é um aspecto essencial".

Por isso a fim de atender bem e tornar possível o acesso à maioria dessas pessoas foram criados princípios para tornar as páginas da Web mais usáveis e acessíveis.

Os princípios de usabilidade e acessibilidade vêm sendo muito comentados nos atualmente, no entanto a teoria parece ainda não ter chegado à prática, pois muitos sites da Web ainda não os seguem, seja por inabilidade técnica ou por simples desinteresse comercial. Porém alguns desenvolvedores e também comerciantes já atentaram para os inúmeros benefícios trazidos através da implementação desses princípios.

Os desenvolvedores de sites estão tendo uma maior cobrança pelos usuáios que consomem por meio da internet, pois eles perceberam que não é fácil conquistar a confiança de um usuário da internet, visto que ele possui uma enorme gama de opções que está ao alcance do clique do mouse e isso representa uma ampla competitividade quando se fala em comercio eletrônico4 , e essa confiança caminha pode se romper a qualquer instante por um simples descuido com um link quebrado, por exemplo.

Para conquistar o usuário é preciso primeiramente que esse consiga ter acesso ao site de forma segura e eficiente, depois isso espera-se uma interface agradável, onde consiga interagir de forma simples e alcançar de forma satisfatória o seu objetivo. Na busca em conciliar todas estes elementos foram criadas algumas regras de usabilidade, que se refere à facilidade de uso, e de acessibilidade, que se refere a possibilidade de acesso, nas quais discorreremos a seguir.

3 Tim Berners-Lee é diretor do W3C e inventor da Word Wide Web 4Comercio eletrônico é um tipo de transação comercial realizada exclusivamente através de equipamentos eletrônicos. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org>. Acessado em: fev. 2008.

4. A Usabilidade nos sites Web

O temo usabilidade surgiu no inicio dos anos 80 tendo uma maior abordagem nas áreas de Psicologia e Ergonomia, foi definido primeiramente pela norma internacional ISO5/IEC 9126(1991) e a partir de então se alastrou pelas demais áreas do conhecimento. Essa norma define usabilidade como sendo “um conjunto de atributos de software relacionado ao esforço necessário para seu uso e para o julgamento individual de tal uso por determinado conjunto de usuários”. Um conceito voltado para o produto e usuário.

Em 1998 foi redefinida a parte 1 (um) dessa norma sendo acrescentado os aspectos ligados às necessidades do usuário e definido características como funcionalidade, confiabilidade, eficiência, possibilidade de manutenção e portabilidade.

Ainda em 1998, considerando mais o ponto de vista do usuário, surgiu a norma

ISO 9241-1, o padrão internacional mais comum na avaliação da usabilidade em sistemas interativos, que definiu usabilidade como sendo a “Capacidade de um produto ser usado por usuários específicos para atingir objetivos específicos com eficácia, eficiência e satisfação em um contexto especifico de uso”.

Para melhor compreensão dessa definição essa norma trouxe também conceitos para termos como:

Usuário – pessoa que interage com o produto; Contexto de Uso – usuários, tarefas equipamentos (hardware, software e materiais). Ambiente físico e social em que o produto é usado;

Eficácia – precisão e completeza com que os usuários atingem objetivos específicos, acessando a informação correta ou gerando os resultados esperados [...];

Eficiência – precisão e completeza com que os usuários atingem seus objetivos, em relação à quantidade de recursos gastos;

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