apostilas sobre orquideas

apostilas sobre orquideas

(Parte 5 de 7)

DURABILIDADE: mais de 5 anos. É INDICADO PARA: Orquídeas epífitas que gostam de raízes expostas, como MILTONIA, ONCIDIUM, BRASSIA, BRASSAVOLA, ENCYCLIA e CATTLEYA walkeriana. RETÉM UMIDADE? NÃO ADUBAÇÃO: semanal ONDE É ENCONTRADO: em madeireiras. São sobras da fabricação de toras de peroba.

8) CAROÇO DE AÇAÍ O QUE É: semente da palmeira muito comum na região amazônica. VANTAGENS: é barato e abundante, na região de origem dessa palmeira (BELÉM e outras cidades do Pará). Conserva a acidez num nível bom para as orquídeas e retém a quantidade ideal de adubo e de umidade. Também não possui excesso de tanino ou outras substâncias tóxicas.

DESVANTEGENS: em regiões úmidas, deteriora-se com muita rapidez devendo ser trocado, pelo menos, a cada 2 anos. As orquídeas devem ficar em local coberto para que o substrato não encharque. Não é encontrado tão facilmente em outras regiões do país.

DURABILIDADE: 3 anos É INDICADO PARA: todos os gêneros de orquídeas cultivados no

Brasil. RETÉM UMIDADE? SIM ADUBAÇÃO: quinzenal ONDE É ENCONTRADO: norte.

9) COCO DESFIBRADO O QUE É: produto feito a partir de cocos que sobram da comercialização da água e são vendidos em estado rústico.

VANTAGENS: contém macro e micro nutrientes importantes para o crescimento e desenvolvimento da planta. Possui várias opções em vasos e outros formatos ‘a venda. Há versões vendidas sem o excesso de tanino, substância que pode queimar as raízes.

DESVANTEGENS: não retém muito adubo e é carente de nitrogênio.

Não é recomendado para regiões frias e úmidas porque retém muita água e as raízes podem apodrecer.

DURABILIDADE: mais de 3 anos. É INDICADO PARA: MILTONIAS, ONCIDIUM e micro-orquídeas. RETÉM UMIDADE? SIM ADUBAÇÃO: semanal ONDE É ENCONTRADO: em supermercados e lojas de jardinagem de todo o Brasil.

10) FIBRA DE COCO PRENSADA O QUE É: produto industrializado feito a partir do coco desfibrado.

Pode ser encontrado em forma de vasos, pequenos cubos, bastões, placas ou fibras. Um dos mais conhecidos é o COXIM, que tem causado muita polêmica entre os orquidófilos. Alguns acham que é o substituto ideal para o xaxim, já para outros ele não é recomendável porque encharca. O nome é uma referência ao material utilizado (coco + xaxim)

VANTAGENS: conserva a acidez num nível bom e necessita de poucas regas, pois é muito absorvente. Demoram mais para aparecer crostas verdes (uma espécie de musgo) comuns nos xaxins e que, em excesso, podem prejudicar a planta. É ideal para regiões mais secas e quentes.

DESVANTEGENS: não retém muito adubo e é carente de nitrogênio.

Ao absorver a água, o coxim aumenta um pouco de tamanho e se expande.

Ao secar, volta ao seu volume original. Por esta razão, os cubos devem ser colocados de forma desarrumada e não socados em vasos, para não estoura-los.

O excesso de tanino pode queimar as raízes. Não é recomendado para regiões frias e úmidas porque retém muita água e as raízes podem apodrecer.

DURABILIDADE: mais de 5 anos (em regiões de clima seco) É INDICADO PARA: MILTONIA, PHALAENOPSIS e Vanda. RETÉM UMIDADE? SIM ADUBAÇÃO: quinzenal ONDE É ENCONTRADO: é mais comum no nordeste.

1) TUTOR VIVO O QUE É: árvores de casca rugosa, como o ABIU, o MARMELO, a

JAQUEIRA, a ROMÃZEIRA, a FIGUEIRA, a GABIROBEIRA, o LIMÃO CRAVO, entre outras.

VANTAGENS: é o substrato que melhor imita as condições naturais das florestas. É excelente para compor situações de paisagismo e cultivo.

DESVANTEGENS: torna inviável transportar as orquídeas para outros lugares, como exposições, por exemplo.

DURABILIDADE: enquanto a árvore estiver viva. É INDICADO PARA: todas as orquídeas epífitas (que crescem em árvores), como a CATTLEYA labiata, a CATTLEYA aclandiae, a LAELIA purpurata e a DENDOBRIUM nobile, entre outras. Só é preciso levar em consideração o clima do lugar. Não adianta colocar uma orquídea que gosta de umidade numa árvore em pleno cerrado, por exemplo. RETÉM UMIDADE? SIM ADUBAÇÃO: mensal ONDE É ENCONTRADO: nas matas

12) CASCA DA CAJAZEIRA O QUE É: casca da árvore frutífera cajazeira (SPNODIAS venulosa).

As indicadas são as grossas e duras que evitam os cupins e as brocas.

VANTAGENS: os vãos nas cascas seguram a umidade que ajuda no enraizamento. A casca é renovável, o que a torna ecologicamente correta.

DESVANTEGENS: é difícil de encontrar. Decompõe-se facilmente por causa da umidade, do calor e das bactérias. Uma outra preocupação é o tanino. Elemento prejudicial que precisa ser eliminado.

DURABILIDADE: mais de 5 anos. É INDICADO PARA: CATTLEYA walkeriana e CATTLEYA nobilior. RETÉM UMIDADE? NÃO ADUBAÇÃO: semanal ONDE É ENCONTRADO: em quase todo o litoral nordestino e no sudeste. A retirada da casca não prejudica a árvore por que ela é renovável.

13) CASCA DE SAMBAIBA O QUE É: casca da CURATELLA americana, uma arvoreta de 3 m de altura parecida com o cajueiro, mas que não dá frutos.

VANTAGENS: a casca é renovável, o que a torna ecologicamente correta.

DESVANTEGENS: na hora da coleta, pode gerar acidentes pois dentro da casca vivem animais peçonhentos como escorpiões.

DURABILIDADE: mais de 3 anos. É INDICADO PARA: CATTLEYA RETÉM UMIDADE? NÃO ADUBAÇÃO: quinzenal ONDE É ENCONTRADO: em todo o cerrado brasileiro e alguns estados do NORDESTE.

14) ESFAGNO - FIQUE DE OLHO Apesar de serem apontados como substitutos para o xaxim, estas opções apresentam alguns problemas. É um musgo retirado da beira dos rios, usado para cultivar mudas de orquídeas a partir de sementes. Apesar de ser encontrado em lojas especializadas, sua coleta é proibida pelo IBAMA e ainda não há cultivadores desse tipo de substrato no Brasil. Quem compra esfagno está contribuindo para uma ação extrativista não controlada, igual à que ocorre com o xaxim.

15) PIAÇAVA – FIQUE DE OLHO Obtida da sobra na fabricação de vassouras, é um dos substratos que muitos orquidófilos estão olhando com desconfiança. “Quem já usou, gostou enquanto ela era nova, mas com menos de um ano, surgiram problemas. Por isso, por enquanto é bom evita-la”, recomenda ERWIN BOHNKE.

O problema a que ele se refere foi o aparecimento de um fungo que destrói as raízes da planta. Apesar dessa primeira experiência negativa, ela ainda está em estudo e não foi descartada. “No caso da piaçava, falta mais pesquisa. Talvez algum pré-tratamento transforme-a em um substrato eficiente”, diz BOHNKE.

Para substituir com eficiência o xaxim, o substrato alternativo deve ter as seguintes qualidades:

- Reter bem os nutrientes depois de cada adubação para libera-lo aos poucos. - Ser facilmente encontrado no mercado.

- Não possuir substâncias que sejam tóxicas para a planta.

- Sustentar a planta com firmeza.

- Permitir uma boa aeração para raízes.

- Reter água na quantidade ideal, sem encharcar.

- Manter o pH equilibrado.

- Durar de 2 a 3 anos, pelo menos. Como é difícil encontrar uma opção que reúna todas estas características, a solução é unir um substrato que retenha muita umidade com outro que retenha pouca umidade. Assim, é mais fácil produzir um equilíbrio para a planta.

Laelias e Cattleyas Dendrobiuns

Cymbidiuns

Convencionou-se que uma orquídea quase perfeita é aquela que se encaixa dentro de uma circunferência imaginária. As suas peças florais (sépalas, pétalas e labelo) enquadram-se perfeitamente dentro de dois triângulos eqüiláteros inversamente sobrepostos, e devem ser o mais redonda possível, as pétalas sobrepondo-se e as sépalas largas e simétricas, evitando vazios. O labelo deve ser proporcional, com o lóbulo arredondado, bem plano e de coloridos intensos.

As formas circulares também fazem parte, atualmente, dos critérios para julgamento de orquídeas, e foram estabelecidas as seguintes técnicas: ● Os segmentos da flor devem se encaixar dentro de uma circunferência imaginária, ● Suas pétalas e labelo devem formar um triangulo eqüilátero e suas sépalas também devem estar dispostas de maneira a formar outro triangulo inversamente superposto; ● As pétalas devem ser as mais redondas possíveis. E que se superponham. As sépalas deverão ser largas e simétricas, evitando vãos; ● O labelo deve ser proporcional, com lóbulo frontal arredondado, bem plano; ● A flor, quando vista de lado, deve ser razoavelmente plana; ● O labelo deve curvar-se para baixo e não em saliência, em ângulo reto com o plano das pétalas e das sépalas.

Veja como as orquídeas mantêm-se sadias nos habitats e como podem, com facilidade, adaptar-se às mudanças de substratos.

EXEMPLO 1 - Uma touceira de ONCIDIUM varicosum, que normalmente é uma planta epífita, foi deixada sobre a pedra e aí se desenvolveu, adaptando-se ao novo substrato (rupícola).

Nota-se que as raízes, formando uma rede aderente à pedra, que tem como função absorver a umidade e nutrientes. Vemos aí um dos mais perfeitos laboratórios de transformações bioquímicas em que os aparelhos utilizados são os fungos, bactérias e insetos e os reagentes químicos são os detritos orgânicos (folhas, gravetos, poeiras, etc) e água proveniente do orvalho da madrugada, da umidade ambiente e eventualmente das chuvas, tendo como catalisador das reações, a luminosidade e o calor do sol.

EXEMPLO 2 – No topo de um pinheiro, um ponto estratégico para distribuição das sementes pelo vento, vemos a pleno sol, uma bela “chuva-deouro” – ONCIDIUM varicosum – que tem suas flores polinizadas por beija-flor e borboletas. O desenvolvimento destas plantas em árvores (epífitas) é o mais normal de ser encontrado nos habitats nativos. É realmente impressionante nestas plantas, a resistência às longas estiagens que temos tido nos últimos anos.

EXEMPLO 3 – Em um galho com uma planta adulta e muitas pequenas mudas desenvolvendo-se após germinação das sementes.

Observamos também o acúmulo de detritos no meio dos pseudobulbos e raízes. Muita matéria-prima para reserva de umidade e ser transformada em nutrientes que serão transformados desde as raízes até as folhas (pelos vasos internos) e, aí vamos ter as reações físico-químicas (fotossíntese) pela ação do calor e luminosidade do sol. Os nutrientes absorvidos pelas folhas e também os transformados pela fotossíntese, em especial os sais minerais, farão agora um caminho inverso, dirigindo-se para a planta toda. Todo este transporte é feito pela água absorvida.

EXEMPLO 4 – Uma orquídea nativa em varias regiões do país e que gosta muito de alojar-se em troncos de coqueiros e palmeiras – CATASETUM fimbriatum. É uma planta de grande porte e que requer muito nutriente para seu ciclo de desenvolvimento anual. Em um tronco de coqueiro que não tem galhos laterais é difícil entender como poderia acumular detritos orgânicos apenas com raízes que lhe permitem a fixação ao tronco. Mas a natureza é própria em recursos. Parte das raízes garantem a fixação da planta ao tronco e em grande quantidade, outras crescem para cima, formando um ninho para reter detritos que caem do coqueiro ou que são levados pelo ar. E a planta vive aí muito bem nutrida e o melhor: sem pragas ou doenças, comprovando que em plantas bem nutridas, não ocorre ataque de patógenos.

EXEMPLO 5 – Se percorrermos outras regiões podemos encontrar uma planta que normalmente é epífita passando para rupícola. Com facilidade, esta mudança ocorre na natureza e, assim também, as orquídeas terrestres podem passar a epífitas. E as alterações funcionais destas plantas são muito pequenas.

Uma orquídea CYTOPODIUM no meio de troncos de arbusto e com as raízes na terra. Esta planta pode ser também epífita e com grande desenvolvimento. É comum encontra-las também em pedras (rupícolas), vegetando a pleno sol. É difícil imagina-la vivendo em regiões de cerrado com um sol escaldante, e altas temperaturas típicas destas regiões. Temos relatos de que resiste ao fogo de queimadas em cerrados.

Nos habitats nativos temos um equilíbrio entre patógenos e predadores. Como as plantas estão livres dos nocivos agentes “defensivos químicos e ene, pe, kas” (NPK), aplicados maciçamente nos orquidários amadores e comerciais, elas podem viver e evoluir sem problemas. Em nossos orquidários, como diz CHABOUSSOU, citado por PRIMAVESI, nossas orquídeas estão “doentes de remédios”.

Quando aplicamos defensivos químicos altamente tóxicos para as plantas e meio-ambiente, os primeiros a serem atingidos são os fungos e bactérias que as plantas precisam para transformar a matéria-prima (detritos orgânicos) em nutrientes e, assim, precisamos constantemente suprir com adubos as deficiências nutricionais que vão aparecendo.

Como os nutrientes ainda estão sendo aplicados de maneira muito empírica, as plantas vão sendo cada vez mais atacadas por pragas e doenças. E, conseqüentemente, vão exigindo cada vez mais pesticidas numa ciranda que não acaba nunca.

Na natureza, os nutrientes são produzidos pela própria planta e na quantidade exata de cada elemento. Sem excessos ou deficiências.

As orquídeas, cultivadas em orquidários caseiros ou comerciais, precisam receber com regularidade suplementação de nutrientes muito bem equilibrada.

Em todos os habitats de orquídeas que temos visitado, sempre ficamos impressionado com o rigor e exuberância das plantas. Sejam elas epífitas, rupícolas ou terrestres, o que vemos são plantas sadias e muito bem nutridas. Espécies que, em nossos orquidários, procuramos dar sombreamento adequado com telas especiais, irrigação e adubação controladas, uma ventilação que julgamos ideal, observação e controle de pragas e doenças, enfim, um cultivo muito bem orientado. Mas, mesmo com tudo isso, nem sempre conseguimos nos aproximar da beleza encontrada nos locais nativos de nossas orquídeas. Vejamos agora se não estamos cometendo alguns enganos:

Conceitos empíricos no meio orquidófilo sobre adubação. É muito comum encontrar nas exposições de orquídeas adubos sem certificação de órgãos oficiais controladores na qualidade dos produtos. São composições ou misturas de ingredientes feitas por produtores, que nem sempre entendem de química agrícola, da maneira mais empírica possível.

Assim, misturam torta de mamona com farinha de osso que, hoje sabemos, resultam em produtos fitotóxicos, e estes com outros componentes sem definição correta de elementos nutritivos, como esterco de galinha.

Quando perguntamos qual a quantidade de cada componente, a resposta sempre revela o desconhecimento do que é uma correta adubação: um punhado de cada componente ou metade deste em relação ao outro, e daí em diante.

Se perguntamos, então, como é que ele sabe que estes componentes são bons, mais uma vez observamos o empirismo com que fazem os adubos: é porque “fulano”, que é um produtor muito experiente, orientou fazer assim. E como vendem estes saquinhos de adubo nas exposições! E como existem orquidófilos inexperientes que dão qualquer “comida” às suas orquídeas!

Na natureza, como vimos anteriormente, as orquídeas acumulam grande quantidade de detritos orgânicos em suas touceiras, e com a simbiose de fungos, bactérias, insetos e a ação da umidade, calor e luz do sol, ocorre a decomposição e transformação destes componentes orgânicos em alimentos essenciais para as plantas.

Nos orquidários caseiros, onde temos uma boa variedade de espécies, e também uma densidade ou acumulo de plantas em pequeno espaço, é praticamente impossível pensar em conseguir um cultivo exclusivamente orgânico, como ocorre na natureza.

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