fundamentos de enfermagem

fundamentos de enfermagem

(Parte 6 de 7)

TØcnica de lavagem das mªos

Para que a lavagem das mªos seja eficaz, faz-se necessÆrio utilizar uma tØcnica apropriada para a remoçªo mecânica da sujidade, suor, cØlulas descamativas e microrganismos transitórios em todas as partes da mªo: palma, dorso, espaços interdigitais, unhas e punhos.

Visando evitar contaminaçªo durante o processo, antes de iniciar a lavagem das mªos devem ser retirados objetos como anØis, pulseiras e relógio de pulso. Preferencialmente, utilizar sabªo líquido, pois o sabªo em barra facilmente se torna meio de contaminaçªo. Outro cuidado adicional Ø evitar que, durante a lavagem, as mªos entrem em contato direto com a pia.

Para uma lavagem adequada das mªos deve-se, após molhÆ- las e colocar o sabªo, fazer os seguintes movimentos: friccionar palma contra palma (figura 1), palma direita sobre o dorso da mªo esquerda, com os dedos entremeados (figura 2) e vice-versa, palma contra palma, friccionando a regiªo interdigital com os dedos entremeados (figura 3), dedos semifechados em gancho da mªo esquerda contra a mªo direita (figura 4) e vice-versa, movimento circular do polegar direito (figura 5) e esquerdo, movimento circular para a frente e para trÆs com os dedos fechados da mªo direita sobre a palma da mªo esquerda (figura 6) e vice-versa.

O processo de fricçªo repetida deve ser realizado com as mªos e os antebraços voltados para baixo, evitando-se que o sabªo e a

Ægua, jÆ sujos, retornem às Æreas limpas. Cinco fricçıes de cada tipo sªo suficientes para remover mecanicamente os microrganismos.

Após esse processo, as mªos nªo devem ser enxagüadas em Ægua corrente, mas sim posicionadas sob a torneira com os dedos voltados para cima, de modo que a Ægua escorra das mªos para os punhos.

Após a lavagem, mantendo os dedos voltados para cima, secar as mªos com papel-toalha descartÆvel, começando pelas mªos e, depois, os antebraços.

O uso de sabªo Ø suficiente para a lavagem rotineira das mªos.

Em situaçıes especiais, como surtos de infecçªo ou isolamento de microrganismo multirresistente, seguir as orientaçıes do setor responsÆvel pela prevençªo e controle de infecçªo hospitalar.

A lavagem das mªos Ø de extrema importância para a segurança do paciente e do próprio profissional, haja vista que, no hospital, a disseminaçªo de microrganismos ocorre principalmente de pessoa para pessoa, atravØs das mªos.

Lavagem das mªos

3.3.2 Luvas esterilizadas e de procedimento

Outra barreira utilizada para o controle da disseminaçªo de microrganismos no ambiente hospitalar sªo as luvas, esterilizadas ou nªo, indicadas para proteger o paciente e o profissional de contaminaçªo.

As luvas esterilizadas, denominadas luvas cirœrgicas, sªo indicadas para a realizaçªo de procedimentos invasivos ou manipulaçªo de material estØril, impedindo a deposiçªo de microrganismos no local. Exemplos: cirurgias, suturas, curativos, cateterismo vesical, dentre outros.

As luvas de procedimento sªo limpas, porØm nªo esterilizadas, e seu uso Ø indicado para proteger o profissional durante a manipulaçªo de material, quando do contato com superfícies contaminadas ou durante a execuçªo de procedimentos com risco de exposiçªo a sangue, fluidos corpóreos e secreçıes. Nªo hÆ nenhum cuidado especial para calçÆ-las, porØm devem ser removidas da mesma maneira que a luva estØril, para evitar que o profissional se contamine.

Calçando e descalçando luvas estØreis

Antes de qualquer coisa, ressalte-se que a luva deve ter um ajuste adequado, cuja numeraçªo corresponda ao tamanho da mªo.

Abra o pacote de luvas posicionando a abertura do envelope para cima e o punho em sua direçªo (figura 1). Toque somente a parte externa do pacote, mantendo estØreis a luva e a Ærea interna do pacote.

Segure a luva pela dobra do punho, pois Ø a parte que irÆ se aderir à pele ao calçÆ-la, œnica face que pode ser tocada com a mªo nªo-enluvada (figura 1) - desta forma, sua parte externa se mantØm estØril (figura 2).

Para pegar a outra luva, introduza os dedos da mªo enluvada sob a dobra do punho (figura 3) e calce-a, ajustando-a pela face externa (figuras 4 e 5).

Calçando a luva, mantenha distância dos mobiliÆrios e as mªos em nível mais elevado, evitando a contaminaçªo externa da mesma.

Após o uso, as luvas estªo contaminadas. Durante sua retirada a face externa nªo deve tocar a pele. Para que isto nªo ocorra, puxe a primeira luva em direçªo aos dedos, segurando-a na altura do punho com a mªo enluvada (figura 6); em seguida, remova a segunda luva,segurando-a pela parte interna do punho e puxando-a em direçªo aos dedos (figura 7). Esta face deve ser mantida voltada para dentro para evitar autocontaminaçªo e infecçªo hospitalar.

Se nªo houver disponibilidade de papel-toalha, antes de fechar o fluxo de Ægua deve-se despejar Ægua com as mªos em concha sobre a torneira ensaboada - procedimento que assegurarÆ que as mªos, jÆ limpas, toquem apenas a superfície tambØm limpa da torneira.

Calçando

Descalçando

Fundamentos de Enfermagem

3.4 Fonte de infecçªo relacionada ao paciente

Na maioria das vezes, a pessoa hospitalizada tem seus mecanismos de defesa comprometidos pela própria doença, tornando-se mais susceptível às infecçıes. AlØm disso, a infecçªo hospitalar pode ser predisposta por fatores tais como:

idade - os idosos sªo mais susceptíveis às infecçıes porque apresentam maior incidŒncia de doenças bÆsicas que acabam debilitando e afetando seu sistema imunológico, e pelas alteraçıes de estrutura e funcionamento do organismo;

condiçıes de higiene - a integridade da pele e da mucosa funciona como barreira mecânica aos microrganismos. A camada externa da pele Ø constituída por cØlulas que se renovam e descamam continuamente; como conseqüŒncia, diversos tipos de sujidades a ela aderem com facilidade e microrganismos multiplicam-se intensamente em toda a sua superfície;

movimentaçªo - a imobilidade no leito, causada por distœrbios neurológicos ou fraqueza, torna o paciente mais susceptível às infecçıes. Nessas condiçıes, apresenta maiores chances de desenvolver œlceras de pressªo, que causam ruptura na pele e facilitam a penetraçªo de microrganismos;

certas enfermidades - como a Aids, em conseqüŒncia da diminuiçªo da defesa orgânica causada pela própria doença;

estado de nutriçªo - a carŒncia de proteínas e de outros nutrientes prejudica a formaçªo e renovaçªo das cØlulas do nosso corpo, causando diminuiçªo da resistŒncia e retardamento do processo de cicatrizaçªo de feridas.

Ao prestar qualquer cuidado ou execuçªo de uma tØcnica, Ø fundamental que o profissional de enfermagem contemple o paciente em sua dimensªo biopsicossocial.

Assim, Ø importante que os cuidados nªo sejam realizados de maneira automatizada e impessoal, como se o paciente fosse uma mÆquina a ser analisada e manipulada nas suas diferentes peças. Apesar de estar doente, ele nªo perde a condiçªo de sujeito e cidadªo. Sua autonomia deve ser resguardada. Ele tem total direito de ser esclarecido sobre os objetivos e natureza dos procedimentos de enfermagem, sua invasibilidade, duraçªo dos tratamentos, benefícios, provÆveis desconfortos, inconvenientes e possíveis riscos físicos, psíquicos, econômicos e sociais, ou seja, sobre tudo o que possa fundamentar suas decisıes. É muito comum o profissional de saœde argumentar que boa parte dos pacientes nªo compreende as informaçıes prestadas. Esquecem que, na maioria das vezes, isto Ø causado pela inadequaçªo de como sªo passadas, e nªo na pretensa incapacidade de compreensªo do paciente.

Úlcera de pressªo Ø a lesªo que, em geral, aparece em pessoas acamadas e com pouco movimento do corpo. Formase em locais onde hÆ saliŒncias ósseas, como a regiªo sacra e nos calcanhares, pois essas estruturas comprimem os tecidos moles contra o colchªo, provocando lesıes devido à diminuiçªo da circulaçªo sangüínea no local.

O natural pudor e intimidade dos pacientes devem ser sempre respeitados, pois espera-se que os profissionais de enfermagem lhes assegurem ao mÆximo a privacidade. A intimidade deve ser preservada mesmo quando sªo feitas perguntas pessoais, por ocasiªo do exame físico e do tratamento, lembrando que o conceito de intimidade tem diferentes significados para cada pessoa e fatores como idade, sexo, educaçªo, condiçıes socioeconômica e culturais tŒm influŒncia no mesmo.

Os pacientes sempre esperam que o enfermeiro, tØcnico ou auxiliar de enfermagem que lhe presta cuidados seja um profissional competente, com habilidade e segurança. Para que isto seja uma realidade e os resultados eficazes, todos os cuidados devem ser previamente planejados e organizados. Os materiais necessÆrios à execuçªo dos procedimentos devem ser reunidos e levados numa bandeja para junto do paciente, e o ambiente devidamente preparado para evitar idas e vindas desnecessÆ- rias e a impressªo de desleixo. Para a segurança do paciente, do próprio profissional e das pessoas que com ele trabalham, indica-se, mais uma vez, lavar sempre as mªos antes e logo após os cuidados dispensados.

Para diminuir os riscos de o paciente vir a desenvolver infecçªo durante sua internaçªo, a enfermagem implementa cuidados bastante diversificados, de acordo com as condiçıes e necessidades que cada um apresenta. Dentre eles, os que visam à manutençªo da integridade cutâneomucosa, atravØs de cuidados de higiene, mobilizaçªo e alimentaçªo adequada, sªo os que causam grande impacto nos resultados do tratamento.

3.4.1 Higienizando a boca

A higiene oral freqüente reduz a colonizaçªo local, sendo importante para prevenir e controlar infecçıes, diminuir a incidŒncia de cÆries dentÆrias, manter a integridade da mucosa bucal, evitar ou reduzir a halitose, alØm de proporcionar conforto ao paciente. Em nosso meio, a maioria das pessoas estÆ habituada a escovar os dentes - pela manhª, após as refeiçıes e antes de deitar - e quando isso nªo Ø feito geralmente experimenta a sensaçªo de desconforto.

nHigienizando a boca

Material necessÆrio: bandeja

escova de dentes ou espÆtula com gazes

creme dental, soluçªo dentifrícia ou soluçªo bicarbonatada

copo com Ægua (e canudo, se necessÆrio)

toalha de rosto

lubrificante para os lÆbios, se necessÆrio

luvas de procedimento

Halitose mau hÆlito.

Fundamentos de Enfermagem

Avaliar a possibilidade de o paciente realizar a própria higiene.

Se isto for possível, colocar o material ao seu alcance e auxiliÆ-lo no que for necessÆrio. Caso contrÆrio, com o material e o ambiente devidamente preparados, auxiliar o paciente a posicionar-se, elevar a cabeceira da cama se nªo houver contra-indicaçªo e proteger o tórax do mesmo com a toalha, para que nªo se molhe durante o procedimento.

Em pacientes inconscientes ou impossibilitados de realizar a higiene bucal, compete ao profissional de enfermagem lavar-lhe os dentes, gengivas, bochechas, língua e lÆbios com o auxílio de uma espÆtula envolvida em gaze umedecida em soluçªo dentifrícia ou soluçªo bicarbonatada a qual deve ser trocada sempre que necessÆrio. Após prØvia verificaçªo, se necessÆrio, aplicar um lubrificante para prevenir rachaduras e lesıes que facilitam a penetraçªo de microrganismos e dificultam a alimentaçªo.

Para a proteçªo do profissional, convØm evitar contato direto com as secreçıes, mediante o uso de luvas de procedimento.

Após a higiene bucal, colocar o paciente numa posiçªo adequada e confortÆvel, e manter o ambiente em ordem. Anotar, no prontuÆrio, o procedimento, reaçıes e anormalidades observadas.

O paciente que faz uso de prótese dentÆria (dentadura) tambØm necessita de cuidados de higiene para manter a integridade da mucosa oral e conservar a prótese limpa. De acordo com seu grau de dependŒncia, a enfermagem deve auxiliÆ-lo nesses cuidados. A higiene compreende a escovaçªo da prótese e limpeza das gengivas, bochechas, língua e lÆbios - com a mesma freqüŒncia indicada para as pessoas que possuem dentes naturais.

Por sua vez, pacientes inconscientes nªo devem permanecer com prótese dentÆria. Nesses casos, o profissional deve acondicionÆ-la, identificÆ-la, realizando anotaçªo de enfermagem do seu destino e guardÆ-la em local seguro ou entregÆ-la ao acompanhante, para evitar a possibilidade de ocorrer danos ou extravio. A mesma orientaçªo Ø recomendada para os pacientes encaminhados para cirurgias.

Ao manipular a dentadura, a equipe de enfermagem deve sempre utilizar as luvas de procedimento.

3.4.2 Realizando o banho

Os hÆbitos relacionados ao banho, como freqüŒncia, horÆrio e temperatura da Ægua, variam de pessoa para pessoa. Sua finalidade precípua, no entanto, Ø a higiene e limpeza da pele, momento em que sªo removidas cØlulas mortas, sujidades e microrganismos aderidos à pele.

Os movimentos e a fricçªo exercidos durante o banho estimulam as terminaçıes nervosas perifØricas e a circulaçªo sangüínea. Após um banho morno, Ø comum a pessoa sentir-se confortÆvel e relaxada. A higiene corporal pode ser realizada sob aspersªo (chuveiro), imersªo (banheira) ou ablusªo (com jarro banho de leito ).

O autocuidado deve ser sempre incentivado Assim, deve-se avaliar se o paciente tem condiçıes de se lavar sozinho. Caso seja possível, todo o material necessÆrio à higiene oral e banho deve ser colocado na mesa-de-cabeceira ou carrinho móvel do lado da cama, da forma que for mais funcional para o paciente. A enfermagem deve dar apoio, auxiliando e orientando no que for necessÆrio.

Para os pacientes acamados, o banho Ø dado no leito, pelo pessoal de enfermagem. ConvØm ressaltar que a grande maioria deles considera essa situaçªo bastante constrangedora, pois a incapacidade de realizar os próprios cuidados desperta sentimentos de impotŒncia e vergonha, sobretudo porque a intimidade Ø invadida. A compreensªo de tal fato pelo profissional de enfermagem, demonstrada ao prover os cuidados de higiene, ajuda a minimizar o problema e atitudes como colocar biombos e mantŒ-lo coberto durante o banho, expondo apenas o segmento do corpo que estÆ sendo lavado, sªo inegavelmente mais valiosas do que muitas palavras proferidas.

O banho no leito, como qualquer outro procedimento, requer prØvio planejamento e organizaçªo dos materiais e roupas da unidade - considerando as especificidades do paciente.

Inicialmente, retirar o cobertor do leito do paciente, dobrÆ-lo e inseri-lo entre os lençóis e colcha limpos, devidamente organizados na ordem de utilizaçªo. Para facilitar a tarefa, solicitar ou trazer o paciente o mais próximo da borda da cama. Antes de iniciar o banho, elevar um pouco a cabeceira da cama, para evitar que o paciente aspire líquido.

Tradicionalmente, costuma-se lavar primeiro o rosto, braços, regiªo ventral, membros inferiores, dorso e genitais, contudo Ø importante que o profissional de enfermagem avalie o estado geral do paciente e estabeleça a melhor maneira de prestar o cuidado, sempre lembrando que a higiene deve ser realizada da regiªo mais limpa para a mais suja, evitando-se levar sujidade e contaminaçªo às Æreas limpas. Ao se posicionar o paciente de lado, para lavar o dorso, habitualmente se realiza uma massagem de conforto para ativar a circulaçªo local.

Quando do banho, expor somente um segmento do corpo de cada vez, lavando-o com luva de banho ensaboada, enxaguando-o - tendo o cuidado de remover todo o sabªo - e secando-o com a toalha de banho. Esse processo deve ser repetido para cada segmento do corpo. A secagem deve ser criteriosa, principalmente nas pregas cutâneas, espaços interdigitais e genitais, base dos seios e do abdome em obesos - evitando a umidade da pele, que propicia proliferaçªo de microrganismos e pode provocar assaduras. Procurando estimular a circulaçªo, os movimentos de fricçªo da pele devem preferencialmente ser direcionados no sentido do retorno venoso.

(Parte 6 de 7)

Comentários