fundamentos de enfermagem

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Classificaçªo Conceito Processo Exemplos

Artigos críticos Materiais com elevado potencial de risco de provocar infecçªo, porque sªo introduzidos diretamente em tecidos normalmente estØreis

Indicaçªo de esterilizaçªo

Instrumental cirœrgico, agulhas, cateteres intravasculares e dispositivos a eles conectados, como equipos de soluçªo e torneirinhas

Artigos semicríticos Aqueles que entram em contato com mucosa íntegra e pele nªo-intacta; pode-se tornar artigo crítico se ocorrer lesªo acidental durante a realizaçªo do procedimento

A esterilizaçªo nªo Ø obrigatória, porØm desejÆvel; hÆ indicaçªo de, no mínimo, desinfecçªo de alto nível

Equipamentos de anestesia e endoscópios

Artigos nªo- críticos Materiais que entram em contato somente com a pele íntegra e geralmente oferecem baixo risco de infecçªo

Dependendo do grau de contaminaçªo, podem ser submetidos à limpeza ou desinfecçªo de baixo ou mØdio nível

Artigos como comadre, papagaio, termômetros dade e as mais diversas finalidades, podendo ser descartÆveis ou permanentes, e esterilizÆveis ou nªo.

A equipe de enfermagem tem importante papel na manutençªo dos artigos hospitalares de sua unidade de trabalho, seja em ambulatórios, unidades bÆsicas ou outros setores em que esteja atuando. Para sua previsªo e provisªo, deve-se levar em consideraçªo as necessidades de consumo, as condiçıes de armazenamento, a validade dos produtos e o prazo de esterilizaçªo. Os artigos permanentes devem ter seu uso assegurado pela limpeza, desinfecçªo, descontaminaçªo e esterilizaçªo.

3.1.1 Classificaçªo de artigos hospitalares

Os artigos utilizados nos serviços de saœde sªo classificados em trŒs categorias, propostas pela primeira vez por Spaulding7, conforme o grau de risco de provocar infecçªo nos pacientes.

3.1.2 Processamento de artigos hospitalares

Descontaminaçªo, segundo Rutala8, Ø o processo que visa destruir microrganismos patogŒnicos, utilizado em artigos contaminados ou em superfície ambiental, tornando-os, conseqüentemente, segu- ros ao manuseio.

7Apud Padoveze e Del Monte, 1999. 8Rutala, 1996.

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Pode ser realizada por processo químico, no qual os artigos sªo imersos em soluçªo desinfetante antes de se proceder a limpeza; por processo mecânico, utilizando-se mÆquina termodesinfectadora ou similar; ou por processo físico, indicando-se a imersªo do artigo em Ægua fervente durante 30 minutos9 - mØtodo nªo indicado por Padoveze10 pois, segundo ele, hÆ impregnaçªo de matØria orgânica quando aplicado a artigos sujos.

A limpeza Ø o ato de remover a sujidade por meio de fricçªo e uso de Ægua e sabªo ou soluçıes detergentes. HÆ vÆrias fórmulas de detergentes disponíveis no mercado, variando do neutro a específicos para lavadoras. Ainda nesta classificaçªo, podemos apontar os enzimÆticos utilizados para limpeza de artigos por imersªo, bastante recomendados, atualmente, por sua eficÆcia na limpeza - sªo capazes de remover a matØria orgânica da superfície do material em tempo inferior a 15 minutos (em mØdia, 3 minutos), nªo danificam os artigos e sªo atóxicos e biodegradÆveis.

Limpar Ø procedimento que deve sempre preceder a desinfecçªo e a esterilizaçªo; quanto mais limpo estiver o material, menor a chance de falhas no processo. A matØria orgânica, intimamente aderida ao material, como no caso de crostas de sangue e secreçıes, atua como escudo de proteçªo para os microrganismos, impedindo que o agente desinfetante/esterilizante entre em contato com a superfície do artigo, tornando o procedimento ineficaz.

os procedimentos só devem ser feitos por profissionais devidamente capacitados e em local apropriado (expurgo);

sempre utilizar sapatos fechados, para prevenir a contaminaçªo por respingos;

quando do manuseio de artigos sujos, estar devidamente paramentado com equipamentos de proteçªo: avental impermeÆvel, luvas de borracha antiderrapantes e de cano longo, óculos de proteçªo e mÆscara ou protetor facial;

utilizar escovas de cerdas macias, evitando a aplicaçªo de materiais abrasivos, como palhas de aço e sapólio;

as pinças devem estar abertas quando de sua imersªo na soluçªo;

desconectar os componentes acoplados, para uma efetiva limpeza;

enxaguar os materiais em Ægua corrente potÆvel;

secar os materiais com tecido absorvente limpo, atentando para o resultado da limpeza, principalmente nas ranhuras das pinças;

Os detergentes enzimÆticos sªo indicados para a limpeza de qualquer material ou instrumental mØdico-hospitalar que contenha matØria orgânica. Dissolvem sangue, restos mucosos, fezes, vômito e outros restos orgânicos. Sªo desenvolvidos especificamente para limpeza manual, automÆtica, ultrasônica e lavadoras de endocópios.

A limpeza de artigos no ambiente hospitalar pode ser realizada manualmente ou em mÆ- quinas lavadoras, associadas ou nªo ao processo de desinfecçªo.

9Padoveze e Del Monte, 1999, p. 5. 10Op. cit, 1999. 11Ibidem, 1999.

armazenar o material ou encaminhÆ-lo para desinfecçªo ou esterilizaçªo.

Desinfecçªo Ø o processo de destruiçªo de microrganismos em estado vegetativo (com exceçªo das formas esporuladas, resistentes ao processo) utilizando-se agentes físicos ou químicos. O termo desinfecçªo Ø aplicado tanto no caso de artigos quanto de superfícies ambientais .

A desinfecçªo pode ser12 de:

alto nível: quando hÆ eliminaçªo de todos os microrganismos e de alguns esporos bacterianos;

nível intermediÆrio ou mØdio: quando hÆ eliminaçªo de micobactØrias (bacilo da tuberculose), bactØrias na forma vegetativa, muitos vírus e fungos, porØm nªo de esporos;

baixo nível: quando hÆ eliminaçªo de bactØrias e alguns fungos e vírus, porØm sem destruiçªo de micobactØrias nem de esporos.

Os processos físicos de desinfecçªo sªo a pasteurizaçªo e a Ægua em ebuliçªo ou fervura.

A pasteurizaçªo Ø uma desinfecçªo realizada em lavadoras automÆticas, com exposiçªo do artigo em Ægua a temperaturas de aproximadamente 60 a 90 graus centígrados por 10 a 30 minutos, conforme a instruçªo do fabricante. É indicada para a desinfecçªo de circuitos de respiradores.

A Ægua em ebuliçªo ou fervura Ø utilizada para desinfecçªo de alto nível em artigos termorresistentes. Consiste em imergir totalmente o material em Ægua fervente, com tempo de exposiçªo de 30 minutos13, após o que o material Ø retirado com o auxílio de pinça desinfetada e luvas de amianto de cano longo. Em seguida, deve ser seco e guardado em recipiente limpo ou desinfetado ressalve-se que esse procedimento Ø indicado apenas nas situaçıes em que nªo se disponha de outros mØtodos físicos ou químicos.

A desinfecçªo de artigos hospitalares por processo químico Ø feita por meio de imersªo em soluçıes germicidas. Para garantir a eficÆcia da açªo faz-se necessÆrio: que o artigo esteja bem limpo, pois a presença de matØria orgânica reduz ou inativa a açªo do desinfetante; que esteja seco, para nªo alterar a concentraçªo do desinfetante; que esteja totalmente imerso na soluçªo, sem a presença de bolhas de ar; que o tempo de exposiçªo recomendado seja respeitado; que durante o processo o recipiente seja mantido tampado e o produto esteja dentro do prazo de validade.

Esterilizaçªo Ø o processo utilizado para destruir todas as formas de vida microbiana, por meio do uso de agentes físicos (vapor

saturado sobre pressªo autoclave e vapor seco estufa) e quími-

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A esterilizaçªo pelo vapor saturado sob pressªo Ø realizada em autoclave, que conjuga calor, umidade, tempo e pressªo para destruir os microrganismos. Nela podem ser esterilizados artigos de superfície como instrumentais, baldes e bacias e artigos de espessura como campos cirœrgicos, aventais e compressas, e artigos críticos e semicríticos termorresistentes e líquidos.

Na estufa, o calor Ø produzido por resistŒncias elØtricas e propaga-se lentamente, de maneira que o processo Ø moroso e exige altas temperaturas - vÆrios autores indicam a esterilizaçªo por esse mØtodo apenas quando haja impossibilidade de submeter o material à autoclavaçªo, como no caso de pós e óleos14,15.

O material a ser processado em estufa deve ser acondicionado em caixas metÆlicas e recipientes de vidro refratÆrio. Frise-se que a relaçªo tempo-temperatura para a esterilizaçªo de materiais por esse mØtodo Ø bastante controvertida e as opiniıes muito divergentes entre os diversos autores16.

O quadro a seguir apresenta os principais desinfetantes químicos utilizados em artigos hospitalares, e os principais esterilizantes químicos:

Desinfetante/ Esterilizante Características Indicaçıes Desvantagens lcool (etílico e isopropílico)

Açªo rÆpida, fÆcil aplicaçªo, viÆvel para artigos metÆlicos; açªo ótima na concentraçªo de 70%

Desinfecçªo de nível mØdio de artigos e superfícies. Ex: superfícies externas de equipamentos metÆlicos, termômetros, estetoscópios, ampolas, vidros, etc.

InflamÆvel; resseca plÆsticos e opacifica artigos acrílicos

Cloro e compostos clorados

Em forma líquida (hipoclorito de sódio) ou sólida; as soluçıes devem ser estocadas em frascos opacos; açªo rÆpida e baixo custo

Desinfecçªo de nível mØdio de artigos e superfícies e descontaminaçªo de superfícies. Ex: materiais de inaloterapia e oxigenoterapia nªo metÆlicos, como mÆscaras de inalaçªo e nebulizaçªo, circuitos ventilatórios; desinfecçªo de lactÆrios, cozinhas etc.

É corrosivo para artigos e superfícies metÆlicas; irrita as mucosas; odor forte; reduçªo de atividade em presença de matØria orgânica; incompatível com detergentes; soluçªo pouco estÆvel

Glutaraldeído Nªo danifica instrumentais, plÆsticos e borrachas; com atividade germicida em presença de matØria

Esterilizaçªo e desinfecçªo de alto nível de artigos termossensíveis; indicado para endoscópios semicríticos (digestivos, broncoscópios,

Irritante para mucosas e pele (olhos, nariz, garganta, etc.)

14Padoveze e Del Monte, 1997. 15APECIH, 1998. 16Op. cit, 1998.

orgânica; nªo Ø indicado para superfícies laringoscópios, retossigmoidoscópios) e críticos (artroscópios e laparoscópios) em situaçıes nas quais a esterilizaçªo nªo seja possível; artigos semicríticos, como espØculos vaginais, lâminas de laringoscópios (sem lâmpada)

Fenólicos Toxicidade dØrmica, podendo provocar a despigmentaçªo cutânea

Desinfecçªo de nível mØdio e baixo; indicado para artigos nªocríticos e superfícies

Podem ser absorvidos por materiais porosos, como plÆstico e borrachas, e o efeito residual pode causar irritaçªo tecidual mesmo após enxÆgüe criterioso; contra-indicado em berçÆrios e Æreas de manuseio de alimentos

QuaternÆrios de amônio

Baixa toxicidade; sªo bons agentes de limpeza

Desinfecçªo de baixo nível; indicado para superfícies e equipamentos em local de manuseio de alimentos

BactØrias Gram-negativas tŒm possibilidade de sobreviver nesses compostos

Formaldeído Requer tempo prolongado para agir

Desinfecçªo de capilares do sistema de dialisadores, em soluçªo aquosa, na concentraçªo de 4% por 24 horas

Embora considerado desinfetante e esterilizante, seu uso Ø limitado devido a sua açªo tóxica, irritante, odor forte e desagradÆvel e comprovado potencial carcinogŒnico

Plasma de peróxido de hidrogŒnio

Considerado quarto estado da matØria, diferente dos estados líquido, sólido e gasoso. A esterilizaçªo por esse mØtodo Ø realizada atravØs de equipamento automatizado e computadorizado

Esterilizaçªo de artigos sensíveis ao calor e à umidade

Alto custo do equipamento cido peracØtico Nªo forma resíduos tóxicos

Formulaçıes associadas a peróxido de hidrogŒnio sªo indicadas para reprocessamento de capilares de hemodialisadores

InstÆvel após a diluiçªo

Óxido de etileno Processo de esterilizaçªo combinado ao calor œmido da autoclave

Esterilizaçªo de artigos termossensíveis

Tóxico para pele e mucosas; os materiais necessitam de aeraçªo prolongada para remoçªo do gÆs

* Bactericida, fungicida, viruscida e tuberculocida

Desinfetante/ Esterilizante Características Indicaçıes Desvantagens

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Classificaçªo Grau de risco Exemplos rea crítica Sªo as Æreas de maior risco para a aquisiçªo de infecçıes, devido a presença de pacientes mais susceptíveis ou pelo nœmero de procedimentos invasivos realizados; sªo tambØm considerados como críticos os locais onde os profissionais manipulam constantemente materiais com alta carga infectante

UTI, centro cirœrgico, centro obstØtrico e de recuperaçªo pós-anestØsica, isolamentos, setor de hemodiÆlise, banco de sangue, laboratório de anÆlises clínicas, banco de leite, dentre outros rea semicrítica Sªo as Æreas ocupadas por pacientes que nªo necessitam de cuidados intensivos ou de isolamento

Enfermarias, ambulatórios rea nªo-crítica Sªo todas as Æreas nªo ocupadas por pacientes reas administrativas, almoxarifado.

Superfícies - compreendem pisos, paredes, tetos, portas, janelas, mobiliÆrios, equipamentos e demais instalaçıes físicas.

3.2 Fonte de infecçªo relacionada ao ambiente

O ar, a Ægua e as superfícies inanimadas verticais e horizontais fazem parte do meio ambiente de uma instituiçªo de saœde. Particularmente no hospital, o ambiente pode tornar-se foco de infecçªo hospitalar, embora estudos tenham demonstrado nªo ser esse o principal meio de transmissªo.

Os cuidados com o ambiente estªo centrados principalmente nas açıes de limpeza realizadas pelo Serviço de Higiene Hospitalar. HÆ uma estreita relaçªo deste com o Serviço de Prevençªo e Controle de Infecçªo Hospitalar, cabendo-lhe as seguintes incumbŒncias: padronizar produtos a serem utilizados na limpeza; normatizar ou indicar o uso de germicidas para as Æreas críticas ou para as demais, quando necessÆ- rio; participar de treinamentos e dar orientaçªo tØcnica à equipe de limpeza; participar da elaboraçªo ou atualizaçªo de manuais a respeito do assunto.

3.2.1 Classificaçªo das Æreas hospitalares

A freqüŒncia da limpeza varia de acordo com as Æreas do hospital.

Da mesma maneira que os artigos, as Æreas hospitalares tambØm foram classificadas de acordo com os riscos de infecçªo que possam oferecer aos pacientes:

3.2.2 MØtodos e freqüŒncia da limpeza, desinfecçªo e descontaminaçªo

De maneira geral, a limpeza Ø suficiente para reduzir os microrganismos existentes nas superfícies hospitalares, reservando-se os processos de desinfecçªo e descontaminaçªo para as Æreas onde hÆ deposiçªo de matØria orgânica.

Para a descontaminaçªo, indica-se a aplicaçªo de desinfetante sobre a matØria orgânica; em seguida, aguardar o tempo de açªo, remover o conteœdo descontaminado com papel absorvente ou tecidos e realizar a limpeza com Ægua e soluçªo detergente.

Na desinfecçªo, remover a matØria orgânica com papel absorvente ou tecidos, aplicar o desinfetante sobre a Ærea atingida, aguardar o tempo de açªo, remover o desinfetante com papel absorvente ou pano e realizar a limpeza com Ægua e soluçªo detergente.

O desinfetante habitualmente utilizado para a descontaminaçªo e desinfecçªo de superfícies Ø o cloro orgânico (clorocide) ou inorgânico (hipoclorito de sódio a 1%), com tempo de exposiçªo de 10 minutos.

A limpeza das Æreas hospitalares Ø um procedimento que visa remover a sujidade e detritos orgânicos de superfícies inanimadas, que constituem ótimo habitat para a sobrevivŒncia de microrganismos no âmbito hospitalar. O agente químico utilizado na limpeza Ø o detergente, composto de substância tensoativa que facilita a remoçªo da sujeira.

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