fundamentos de enfermagem

fundamentos de enfermagem

(Parte 2 de 7)

Quanto às açıes e tarefas afins efetivamente desenvolvidas nos serviços de saœde pelas categorias de Enfermagem no país, estudos realizados pela ABEn e pelo INAMPS2 as agrupam em cinco classes, com as seguintes características:

Açıes de natureza propedŒutica e terapŒutica complementares ao ato mØdico e de outros profissionais - as açıes propedŒuticas complementares referem-se às que apóiam o diagnóstico e o acompanhamento do agravo à saœde, incluindo procedimentos como a observaçªo do estado do paciente, mensuraçªo de altura e peso, coleta de amostras para exames laboratoriais e controle de sinais vitais e de líquidos. As açıes terapŒuticas complementares asseguram o tratamento prescrito, como, por exemplo, a administraçªo de medicamentos e dietas enterais, aplicaçªo de calor e frio, instalaçªo de cateter de oxigŒnio e sonda vesical ou nasogÆstrica;

Açıes de natureza terapŒutica ou propedŒutica de enfermagem - sªo aquelas cujo foco centra-se na organizaçªo da totalidade da atençªo de enfermagem prestada à clientela. Por exemplo, açıes de conforto e segurança, atividades educativas e de orientaçªo;

Açıes de natureza complementar de controle de risco - sªo aquelas desenvolvidas em conjunto com outros profissionais de saœde, objetivando reduzir riscos de agravos ou complicaçıes de saœde. Incluem as atividades relacionadas à vigilância epidemiológica e as de controle da infecçªo hospitalar e de doenças crônico-degenerativas;

Açıes de natureza administrativa - nessa categoria incluem-se as açıes de planejamento, gestªo, controle, supervisªo e avaliaçªo da assistŒncia de enfermagem;

Açıes de natureza pedagógica relacionam-se à formaçªo e às atividades de desenvolvimento para a equipe de enferma- gem. 2ABEn/INAMPS, 1987.

Fundamentos de Enfermagem

A assistŒncia da Enfermagem baseia-se em conhecimentos científicos e mØtodos que definem sua implementaçªo. Assim, a sistematizaçªo da assistŒncia de enfermagem (SAE) Ø uma forma planejada de prestar cuidados aos pacientes que, gradativamente, vem sendo implantada em diversos serviços de saœde. Os componentes ou etapas dessa sistematizaçªo variam de acordo com o mØtodo adotado, sendo basicamente composta por levantamento de dados ou histórico de enfermagem, diagnóstico de enfermagem, plano assistencial e avaliaçªo.

Interligadas, essas açıes permitem identificar as necessidades de assistŒncia de saœde do paciente e propor as intervençıes que melhor as atendam - ressalte-se que compete ao enfermeiro a responsabilidade legal pela sistematizaçªo; contudo, para a obtençªo de resultados satisfatórios, toda a equipe de enfermagem deve envolverse no processo.

Na fase inicial, Ø realizado o levantamento de dados, mediante entrevista e exame físico do paciente. Como resultado, sªo obtidas importantes informaçıes para a elaboraçªo de um plano assistencial e prescriçªo de enfermagem, a ser implementada por toda a equipe.

A entrevista - um dos procedimentos iniciais do atendimento - Ø o recurso utilizado para a obtençªo dos dados necessÆrios ao tratamento, tais como o motivo que levou o paciente a buscar ajuda, seus hÆbitos e prÆticas de saœde, a história da doença atual, de doenças anteriores, hereditÆrias, etc. Nesta etapa, as informaçıes consideradas relevantes para a elaboraçªo do plano assistencial de enfermagem e tratamento devem ser registradas no prontuÆrio, tomando-se, evidentemente, os cuidados necessÆrios com as consideradas como sigilosas, visando garantir ao paciente o direito da privacidade.

O exame físico inicial Ø realizado nos primeiros contatos com o paciente, sendo reavaliado diariamente e, em algumas situaçıes, atØ vÆrias vezes ao dia. Como sua parte integrante, hÆ a avaliaçªo minuciosa de todas as partes do corpo e a verificaçªo de sinais vitais e outras medidas, como peso e altura, utilizando-se tØcnicas específicas.

Na etapa seguinte, faz-se a anÆlise e interpretaçªo dos dados coletados e se determinam os problemas de saœde do paciente, formulados como diagnóstico de enfermagem. AtravØs do mesmo sªo identificadas as necessidades de assistŒncia de enfermagem e a elaboraçªo do plano assistencial de enfermagem.

O plano descreve os cuidados que devem ser dados ao paciente (prescriçªo de enfermagem) e implementados pela equipe de

Durante o exame físico, Ø imprescindível preservar a privacidade do paciente.

enfermagem, com a participaçªo de outros profissionais de saœde, sempre que necessÆrio.

Na etapa de avaliaçªo verifica-se a resposta do paciente aos cuidados de enfermagem a ele prestados e as necessidades de modificar ou nªo o plano inicialmente proposto.

2.2 O hospital, a assistŒncia de enfermagem e a prevençªo da infecçªo

O termo hospital origina-se do latim hospitium, que quer dizer local onde se hospedam pessoas, em referŒncia a estabelecimentos fundados pelo clero, a partir do sØculo IV dC, cuja finalidade era prover cuidados a doentes e oferecer abrigo a viajantes e peregrinos.

Segundo o MinistØrio da Saœde3, hospital Ø definido como estabelecimento de saœde destinado a prestar assistŒncia sanitÆria em regime de internaçªo a uma determinada clientela, ou de nªo-internaçªo, no caso de ambulatório ou outros serviços .

Para se avaliar a necessidade de serviços e leitos hospitalares numa dada regiªo faz-se necessÆrio considerar fatores como a estrutura e nível de organizaçªo de saœde existente, nœmero de habitantes e freqüŒncia e distribuiçªo de doenças, alØm de outros eventos relacionados à saœde. Por exemplo, Ø possível que numa regiªo com grande populaçªo de jovens haja carŒncia de leitos de maternidade onde ocorre maior nœmero de nascimentos. Em outra, onde haja maior incidŒncia de doenças crônico-degenerativas, a necessidade talvez seja a de expandir leitos de clínica mØdica.

De acordo com a especialidade existente, o hospital pode ser classificado como geral, destinado a prestar assistŒncia nas quatro especialidades mØdicas bÆsicas, ou especializado, destinado a prestar assistŒncia em uma especialidade, como, por exemplo, maternidade, ortopedia, entre outras.

Um outro critØrio utilizado para a classificaçªo de hospitais Ø o seu nœmero de leitos ou capacidade instalada: sªo considerados como de pequeno porte aqueles com atØ 50 leitos; de mØdio porte, de 51 a 150 leitos; de grande porte, de 151 a 500 leitos; e de porte especial, acima de 500 leitos.

Conforme as diretrizes do Sistema Único de Saœde (SUS), os serviços de saœde em uma dada regiªo geogrÆfica - desde as unidades bÆsicas atØ os hospitais de maior complexidade - devem estar integrados, constituindo um sistema hierarquizado e organizado de acor- do com os níveis de atençªo à saœde. Um sistema assim constituído3MinistØrio da Saœde, 1998, p.1.

AssistŒncia sanitÆria - refere-se à modalidade de atuaçªo realizada pela equipe de saœde, junto à populaçªo, na promoçªo e proteçªo da saœde e na recuperaçªo e reabilitaçªo de doentes.

Na regiªo onde vocŒ mora hÆ hospital geral e ou especializado? Se hÆ, ele Ø suficiente para atender às necessidades da populaçªo?

Considera-se como especialidades mØdicas bÆsicas: clínica mØdica, clínica cirœrgica, clínica gineco-obstØtrica e clínica pediÆtrica.

Fundamentos de Enfermagem disponibiliza atendimento integral à populaçªo, mediante açıes de promoçªo, prevençªo, recuperaçªo e reabilitaçªo da saœde.

As unidades bÆsicas de saœde (integradas ou nªo ao Programa

Saœde da Família) devem funcionar como porta de entrada para o sistema, reservando-se o atendimento hospitalar para os casos mais complexos - que, de fato, necessitam de tratamento em regime de internaçªo.

De maneira geral, o hospital secundÆrio oferece alto grau de resolubilidade para grande parte dos casos, sendo poucos os que acabam necessitando de encaminhamento para um hospital terciÆrio.

O sistema de saœde vigente no Brasil agrega todos os serviços pœblicos das esferas federal, estadual e municipal e os serviços privados, credenciados por contrato ou convŒnio. Na Ærea hospitalar, 80% dos estabelecimentos que prestam serviços ao SUS sªo privados e recebem reembolso pelas açıes realizadas, ao contrÆrio da atençªo ambulatorial, onde 75% da assistŒncia provØm de hospitais pœblicos4. Na reorganizaçªo do sistema de saœde proposto pelo SUS o hospital deixa de ser a porta de entrada do atendimento para se constituir em unidade de referŒncia dos ambulatórios e unidades bÆsicas de saœde.

O hospital privado pode ter carÆter beneficente, filantrópico, com ou sem fins lucrativos. No beneficente, os recursos sªo originÆrios de contribuiçıes e doaçıes particulares para a prestaçªo de serviços a seus associados - integralmente aplicados na manutençªo e desenvolvimento de seus objetivos sociais. O hospital filantrópico reserva serviços gratuitos para a populaçªo carente, respeitando a legislaçªo em vigor. Em ambos, os membros da diretoria nªo recebem remuneraçªo.

Para que o paciente receba todos os cuidados de que necessita durante sua internaçªo hospitalar, faz-se necessÆrio que tenha à sua disposiçªo uma equipe de profissionais competentes e diversos serviços integrados - Corpo Clínico, equipe de enfermagem, Serviço de Nutriçªo e DietØtica, Serviço Social, etc. -, caracterizando uma extensa divisªo tØcnica de trabalho.

Para alcançar os objetivos da instituiçªo, o trabalho das equipes, de todas as Æreas, necessita estar em sintonia, haja vista que uma das características do processo de produçªo hospitalar Ø a interdependŒncia.

Uma outra característica Ø a quantidade e diversidade de procedimentos diariamente realizados para prover assistŒncia ao paciente, cuja maioria segue normas rígidas no sentido de proporcionar segurança mÆxima contra a entrada de agentes biológicos nocivos ao mesmo.

Hospital secundÆrio hospital geral ou especializado, destinado a prestar assistŒncia nas especialidades mØdicas bÆsicas.

Resolubilidade - capacidade que o serviço tem de resolver os problemas de saœde de seus pacientes no próprio hospital.

Hospital terciÆrio - hospital especializado ou com especialidades, destinado a prestar assistŒncia em outras Æreas mØdicas alØm das bÆsicas, como, por exemplo, neurocirurgia e nefrologia.

Hospital pœblico - aquele que integra o patrimônio da Uniªo, estados, Distrito Federal e municípios; autarquias, fundaçıes instituídas pelo poder pœblico, empresas pœblicas e sociedades de economia mista (pessoas jurídicas de direito privado).

Hospital privado ou particular - aquele que integra o patrimônio de uma pessoa natural ou jurídica de direito privado, nªoinstituída pelo Poder Pœblico.

O ambiente hospitalar Ø considerado um local de trabalho insalubre, onde os profissionais e os próprios pacientes internados estªo expostos a agressıes de diversas naturezas, seja por agentes físicos, como radiaçıes originÆrias de equipamentos radiológicos e elementos radioativos, seja por agentes químicos, como medicamentos e soluçıes, ou ainda por agentes biológicos, representados por microrganismos.

No hospital concentram-se os hospedeiros mais susceptíveis - os doentes - e os microrganismos mais resistentes. O volume e a diversidade de antibióticos utilizados provocam alteraçıes importantes nos microrganismos, dando origem a cepas multirresistentes, normalmente inexistentes na comunidade. A contaminaçªo de pacientes durante a realizaçªo de um procedimento ou por intermØdio de artigos hospitalares pode provocar infecçıes graves e de difícil tratamento. Procedimentos diagnósticos e terapŒuticos invasivos - como diÆlise peritonial, hemodiÆ- lise, inserçªo de cateteres e drenos, uso de drogas imunossupressoras - sªo fatores que contribuem para a ocorrŒncia de infecçªo.

Ao dar entrada no hospital, o paciente jÆ pode estar com uma infecçªo, ou pode vir a adquiri-la durante seu período de internaçªo. Seguindo-se a classificaçªo descrita na Portaria no 2.616/98, do MinistØrio da Saœde5, podemos afirmar que o primeiro caso representa uma infecçªo comunitÆria; o segundo, uma infecçªo hospitalar que pode ter como fontes a equipe de saœde, o próprio paciente, os artigos hospitalares e o ambiente.

Visando evitar a ocorrŒncia de infecçªo hospitalar, a equipe deve realizar os devidos cuidados no tocante à sua prevençªo e controle, principalmente relacionada à lavagem das mªos, pois os microrganismos sªo facilmente levados de um paciente a outro ou do profissional para o paciente, podendo causar a infecçªo cruzada.

2.2.1 Atendendo o paciente no hospital

O paciente procura o hospital por sua própria vontade (necessidade) ou da família, e a internaçªo ocorre por indicaçªo mØdica ou, nos casos de doença mental ou infectocontagiosa, por processo legal instaurado .

A internaçªo Ø a admissªo do paciente para ocupar um leito hospitalar, por período igual ou maior que 24 horas. Para ele, isto significa a interrupçªo do curso normal de vida e a convivŒncia temporÆria com pessoas estranhas e em ambiente nªo-familiar. Para a maioria das pessoas, este fato representa desequilíbrio financeiro, isolamento social, perda de privacidade e individualidade, sensa-

Infecçªo comunitÆria - Ø a infecçªo constatada ou em incubaçªo no ato da admissªo, desde que nªo relacionada com internaçªo anterior no mesmo hospital.

Infecçªo hospitalar - Ø qualquer infecçªo adquirida e que se manifeste durante a internaçªo ou mesmo após a alta do paciente, cujo foco relacione-se com a realizaçªo de procedimentos hospitalares.

5MinistØrio da Saœde, 1998.

Fundamentos de Enfermagem çªo de insegurança, medo e abandono. A adaptaçªo do paciente a essa nova situaçªo Ø marcada por dificuldades pois, aos fatores acima, soma-se a necessidade de seguir regras e normas institucionais quase sempre bastante rígidas e inflexíveis, de entrosar-se com a equipe de saœde, de submeter-se a inœmeros procedimentos e de mudar de hÆbitos.

O movimento de humanizaçªo do atendimento em saœde procura minimizar o sofrimento do paciente e seus familiares, buscando formas de tornar menos agressiva a condiçªo do doente institucionalizado. Embora lenta e gradual, a própria conscientizaçªo do paciente a respeito de seus direitos tem contribuído para tal intento. Fortes6 aponta a responsabilidade institucional como um aspecto importante, ao afirmar que existe um componente de responsabilidade dos administradores de saœde na implementaçªo de políticas e açıes administrativas que resguardem os direitos dos pacientes . Assim, questıes como sigilo, privacidade, informaçªo, aspectos que o profissional de saœde tem o dever de acatar por determinaçªo do seu código de Øtica, tornam-se mais abrangentes e eficazes na medida em que tambØm passam a ser princípios norteadores da organizaçªo de saœde.

Tudo isso reflete as mudanças em curso nas relaçıes que se estabelecem entre o receptor do cuidado - o paciente - e o profissional que o assiste, tendo influenciado, inclusive, a nomenclatura tradicionalmente utilizada no meio hospitalar.

O termo paciente, por exemplo, deriva do verbo latino patiscere, que significa padecer, e expressa uma conotaçªo de dependŒncia, motivo pelo qual cada vez mais se busca outra denominaçªo para o receptor do cuidado. HÆ crescente tendŒncia em utilizar o termo cliente, que melhor reflete a forma como vŒm sendo estabelecidos os contatos entre o receptor do cuidado e o profissional, ou seja, na base de uma relaçªo de interdependŒncia e aliança. Outros tŒm manifestado preferŒncia pelo termo usuÆrio, considerando que o receptor do cuidado usa os nossos serviços. Neste livro, entretanto, serÆ mantida a denominaçªo tradicional, porque ainda Ø dessa forma que a maioria se reporta ao receptor do cuidado.

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